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“Não sentimos qualquer preocupação” na Europa, diz líder da Liga Mundial Muçulmana

Sheikh Dr Mohammad bin Abdulkarim Al-Issa durante uma reunião em Bruxelas, sexta-feira, 2 de outubro de 2026.
O xeque Dr. Mohammad bin Abdulkarim Al-Issa durante uma reunião em Bruxelas, sexta-feira, 2 de outubro de 2026. -  Direitos de autor  Euronews
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De Gregoire Lory
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Em Bruxelas, reunido com líderes políticos e religiosos, o xeque Dr. Mohammad bin Abdulkarim Al-Issa defendeu mais diálogo para enfrentar a crise global e afirmou que as “constituições civilizadas” europeias travarão excessos políticos.

Diálogo. Foi essa a palavra repetida pelo secretário-geral da Liga Mundial Muçulmana, Sheikh Dr. Mohammad bin Abdulkarim Al-Issa, durante a visita que fez a Bruxelas na sexta-feira.

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Durante a estadia na capital belga, o líder religioso saudita reuniu-se com responsáveis políticos e representantes das comunidades religiosas e da sociedade civil do país, que participaram num encontro de alto nível sobre diálogo e coesão social.

Al-Issa destacou a importância do diálogo na resolução de conflitos, afirmando que este requer intenções sinceras e uma liderança eficaz.

“Claro que acreditamos sempre no diálogo e depositamos nele grande confiança”, afirmou, acrescentando que “o diálogo é a linguagem da razão e da sabedoria”.

Fundada em 1962, a Liga Mundial Muçulmana é uma organização islâmica sediada em Meca que define a sua missão como promover o Islão, a tolerância e a amizade entre os povos.

Europa enfrenta subida da extrema-direita e procura conter riscos

A visita teve lugar após o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) ter ficado em primeiro lugar nas eleições regionais, em setembro, tanto na Saxónia-Anhalt como na Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental.

França deverá realizar eleições presidenciais em 2027, enquanto se esperam eleições legislativas em Itália, na Polónia e na Grécia.

Apesar da ascensão da direita radical em alguns países europeus, Al-Issa manifestou confiança nas constituições nacionais, nas instituições europeias e nos valores da sociedade.

“Quanto às referências ao surgimento de uma direita radical em alguns países europeus, em geral não estamos preocupados. Cada país europeu tem uma constituição civilizada que ninguém pode contornar. Existem também valores da sociedade que todos têm de respeitar”, explicou.

“Qualquer desvio em relação à constituição e a esses valores civilizados da sociedade levará a própria sociedade a pronunciar-se e a corrigir a situação”, afirmou.

Indicou ainda a possibilidade de impugnar legislação junto dos tribunais constitucionais.

Al-Issa referiu que questões semelhantes tinham surgido noutros países devido a determinados governos. Segundo disse, as coisas acabaram por evoluir como esperava onde existia fiscalização constitucional e uma consciência pública ativa.

Constituições nacionais protegem liberdade religiosa

Defendeu também o respeito pelas práticas religiosas no quadro das constituições nacionais.

A questão surge num contexto de debate sobre restrições ao uso de vestuário religioso na Europa. Em Itália, o governo aprovou um decreto que proíbe a cobertura do rosto durante atividades escolares, com exceções por motivos médicos certificados e para atividades pedagógicas.

Esse decreto não menciona explicitamente a burca ou o niqab, embora a primeira-ministra Giorgia Meloni tenha referido ambos ao anunciar a medida, afirmando que, em Itália, “ninguém deve obrigar uma rapariga a esconder-se”.

“Defendemos sempre o respeito pelas práticas específicas de cada religião, desde que não entrem em conflito com a constituição”, afirmou Al-Issa.

“Não há dúvida de que as constituições civilizadas, sobretudo as europeias, respeitam essas práticas e a observância dos rituais religiosos.”

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