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Alemanha escapa à queda dos salários reais nas grandes economias europeias

Arquivo - Reformado Giorgos Petropoulos mostra notas de dez euros que recebe do Banco Nacional da Grécia em Atenas, quarta-feira, 1 2015
Arquivo – Reformado Giorgos Petropoulos mostra notas de dez euros recebidas do Banco Nacional da Grécia, em Atenas, na quarta-feira, 1, 2015 -  Direitos de autor  AP Photo/Spyros Tsakiris
Direitos de autor AP Photo/Spyros Tsakiris
De Servet Yanatma
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Prevê-se que Itália, Espanha, França e Reino Unido registem quebras nos salários reais entre os primeiros trimestres de 2026 e 2027, enquanto a Alemanha deverá crescer; a Euronews Business analisa o que está a alimentar esta divergência.

Os salários reais, remunerações ajustadas à inflação, deverão descer em Itália, Espanha, França e Reino Unido entre os primeiros trimestres de 2026 e 2027, enquanto sobem na Alemanha, segundo o Employment Outlook 2026 da OCDE. Em Itália e Espanha, prevê‑se que se mantenham abaixo dos níveis do início de 2026 pelo menos até ao final de 2027.

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“No futuro, as incertezas geopolíticas e um aumento temporário dos custos da energia podem enfraquecer significativamente os mercados de trabalho e exercer nova pressão em alta sobre a inflação, o que provavelmente irá comprimir os salários”, lê‑se no relatório.

O documento destaca que as projeções são “baseadas na hipótese de que as perturbações decorrentes do conflito no Médio Oriente são significativas, mas limitadas a um período de tempo relativamente curto”.

Alexandre Georgieff, economista da OCDE e um dos autores do relatório, afirma que as diferenças na evolução prevista dos salários reais se explicam por perspetivas distintas para a inflação, o desemprego e a folga no mercado de trabalho.

Salvo indicação em contrário, todas as cifras abaixo comparam os salários reais com o nível registado no primeiro trimestre de 2026.

No conjunto da zona euro, prevê‑se que os salários reais diminuam 0,4% em meados de 2026 e regressem ao nível do início de 2026 no primeiro trimestre de 2027. No final de 2027, deverão estar 0,7% acima desse valor.

Itália regista a maior queda

Prevê‑se que Itália registe a maior descida dos salários reais entre os cinco países, ficando 1,9% abaixo do nível do início de 2026 no terceiro trimestre desse ano.

Espera‑se depois uma recuperação lenta. A quebra reduz‑se para 1,4% no primeiro trimestre de 2027. No final de 2027, os salários reais em Itália deverão continuar 0,6% abaixo do nível do início de 2026. A taxa anual de inflação italiana foi estimada em 4,1% em setembro.

“Em Itália, os elevados custos da energia deverão apagar os ganhos recentes dos salários reais, refletindo a forte dependência do país de petróleo e gás importados”, disse Georgieff ao Euronews Business.

“A recuperação em 2027 deverá ser limitada, porque poucos acordos coletivos de remuneração vencem nesse ano e continua a existir folga no mercado de trabalho.”

Espanha: sem recuperação

A descida em Espanha é menor, mas prolongada. Os salários reais recuam 0,4% no terceiro trimestre de 2026 e 0,7% no quarto.

A queda em Espanha é menos acentuada, mas mais persistente. Prevê‑se que os salários reais diminuam 0,4% no terceiro trimestre de 2026 e 0,7% no quarto.

Depois, mantêm‑se 0,7% abaixo do nível do primeiro trimestre de 2026 ao longo dos quatro trimestres de 2027.

No final de 2027, Espanha deverá registar a maior quebra entre as cinco principais economias, de 0,7%.

Georgieff explicou que Espanha deverá registar uma forte criação de emprego, mas continuará a enfrentar inflação elevada, em grande parte impulsionada pelos preços da energia. Os preços em Espanha foram estimados em setembro como estando 5% acima dos de igual mês do ano anterior.

Itália e Espanha são os únicos dois países entre os cinco em que se prevê que os salários reais se mantenham abaixo dos níveis do início de 2026 no final de 2027.

Reino Unido cai depressa e recupera depois

O Reino Unido apresenta a segunda maior quebra prevista, depois de Itália. Segundo as projeções da OCDE, os salários reais caem 0,6% no segundo trimestre de 2026 e 1,5% no terceiro. Atingem o valor mais baixo no quarto trimestre, 1,6% abaixo do nível do primeiro trimestre.

A recuperação é mais rápida. A quebra reduz‑se para 1,1% no primeiro trimestre de 2027 e 0,4% no segundo. Os salários reais sobem então acima do nível do início de 2026, com um aumento de 0,4% no terceiro trimestre e de 1% até ao final de 2027.

Com a inflação anual a subir para 3,1% em agosto, a remuneração continua sob pressão.

“As perspetivas de crescimento dos salários reais no Reino Unido continuam difíceis. O país está particularmente exposto à volatilidade dos preços da energia resultante do conflito no Médio Oriente. Isto significa que se espera que a inflação permaneça mais elevada durante mais tempo do que em economias europeias comparáveis, até 2027”, afirmou Charles Cotton, conselheiro sénior para remuneração e desempenho no CIPD, ao Euronews Business.

Referiu que o Labour Market Outlook do CIPD indica que os empregadores estão cada vez mais cautelosos em relação a futuras atualizações salariais. O aumento dos custos de emprego, incluindo contribuições patronais mais elevadas para o National Insurance e subidas do salário mínimo, conjugado com outras pressões de custos, como o aumento dos preços dos fornecedores, está a limitar os orçamentos salariais.

França regista uma queda mais limitada

França atinge o ponto mais baixo mais cedo, com projeções a apontar para uma descida de 0,5% dos salários reais no segundo trimestre de 2026. O fosso vai depois diminuindo. Os salários reais regressam ao nível do primeiro trimestre de 2026 no segundo trimestre de 2027 e terminam 2027 apenas 0,1% acima.

A taxa anual de inflação estimada para setembro, de 3,4%, situou‑se abaixo dos 3,8% da zona euro.

“Em França, a inflação mantém‑se relativamente baixa graças à energia nuclear, mas espera‑se que os salários se ajustem apenas lentamente, à medida que o desemprego continua a aumentar”, explicou Georgieff.

Prevê‑se que os salários reais diminuam em termos homólogos nestas quatro grandes economias entre os primeiros trimestres de 2026 e 2027.

Alemanha é a exceção

Alemanha é o único país entre os cinco em que se prevê que os salários reais aumentem ao longo de todo o período, apesar de a inflação anual ter atingido uma estimativa de 3,3% em setembro.

O ganho é inicialmente reduzido, de 0,1% no segundo trimestre de 2026 e 0,5% até ao final do ano.

O crescimento acelera em 2027, com projeções a apontar para salários reais 1,1% mais elevados no segundo trimestre e 1,7% no quarto. Este é o melhor desempenho entre os cinco países.

Georgieff salientou que as projeções salariais da Alemanha são apoiadas por um mercado de trabalho relativamente apertado, com escassez de mão de obra qualificada e melhores perspetivas de desemprego. Uma ampla expansão orçamental financiada por dívida também está a sustentar a atividade.

Porque crescem os salários reais na Alemanha

Enzo Weber, professor no Instituto de Investigação para o Emprego (IAB), lembrou que os salários reais na Alemanha foram particularmente fracos nos primeiros anos da década de 2020 devido ao disparo da inflação. “Depois, os salários nominais começaram a recuperar, apoiados pela negociação coletiva. O que observamos atualmente continua a ser impulsionado por essa evolução”, afirmou ao Euronews Business.

Salientou que o salário mínimo aumentou 8,4% no início de 2026 e irá subir mais 5% em 2027.

“A Alemanha viveu vários anos de estagnação. Agora, o ciclo económico está a recuperar, com a taxa de utilização da capacidade claramente a aumentar. Isso impulsiona a produtividade e cria mais margem para aumentos salariais, apesar da crise na indústria transformadora”, acrescentou.

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