Loader
Encontra-nos
Publicidade

Itália: reforma eleitoral de Meloni aprovada por voto secreto

Reforma eleitoral: resultado da votação na Câmara dos Deputados italiana, 08/10/2026
Reforma eleitoral: resultado da votação na Câmara dos Deputados em 08/10/2026 -  Direitos de autor  AP Photo/Alessandra Tarantino
Direitos de autor AP Photo/Alessandra Tarantino
De Cecilia Attanasio Ghezzi
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Plenário da Câmara aprova, com 227 votos a favor e 164 contra, a reforma da lei eleitoral, que o Tribunal Constitucional pode ainda travar. Itália entra em campanha e tudo aponta para eleições antecipadas.

A Câmara dos Deputados italiana aprovou esta quinta-feira, em votação secreta, a nova lei eleitoral, rebatizada de Stabilicum (ou Melonellum pelos partidos da oposição), que será aplicada às próximas legislativas, previstas para 2027. Foi a votação final para aprovar a reforma desejada pelo governo de Giorgia Meloni: 227 votos a favor e 164 contra.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Abre-se assim, na prática, a campanha eleitoral: a legislatura termina em setembro de 2027, mas nos corredores multiplicam-se os rumores de eleições antecipadas que, de qualquer forma, como explicado mais à frente, dificilmente se realizarão antes de 14 de abril.

Começa, portanto, o jogo das alianças: por agora, Meloni não quer juntar-se ao Futuro Nazionale, do eurodeputado Roberto Vannacci, e a oposição ainda não tem um líder escolhido. Mantêm-se as divisões, sobretudo sobre a guerra na Ucrânia, entre a secretária do Partido Democrático, Elly Schlein, e o líder do Movimento Cinco Estrelas, Giuseppe Conte.

A primeira-ministra reagiu de imediato na rede social X, com satisfação: “A quem esperava ver a direita dividida, hoje respondemos com factos: estamos unidos, coesos e determinados a cumprir os compromissos assumidos com os cidadãos”.

Durante a sessão, as oposições protestaram exibindo cartazes com as inscrições: “Lei fraude”, “Não ao embuste” e “Com Meloni, gasóleo a 3 euros”.

“Primeiro os cargos. Esse é o vosso slogan. Votaremos convictamente contra esta lei eleitoral, pensada não para os eleitores, mas para proteger os eleitos. Com a nossa aliança progressista seremos capazes de vencer com qualquer lei eleitoral e mudar a vida dos italianos”, afirmou Elly Schlein durante as declarações de voto.

Também o líder do M5S, Giuseppe Conte, foi muito duro. Referindo-se ao facto de esta lei ter sido escrita para fazer vencer a atual coligação de governo, concluiu: “Falta apenas uma última precisão para vos assegurar o controlo futuro do parlamento: indicar que o prémio de maioria é atribuído a uma primeira-ministra de olhos claros”.

Oposições protestam na Câmara dos Deputados, 08/10/2026
Oposições protestam na Câmara dos Deputados, 08/10/2026 AP Photo

Itália: como foi aprovada a nova lei eleitoral

A maioria resistiu à prova da votação secreta. Foi a terceira passagem pelo Parlamento, depois das alterações introduzidas pelo Senado, que incluiu o voto preferencial com cabeças-de-lista bloqueados e aumentou o número de assinaturas exigidas aos partidos sem presença parlamentar para se apresentarem às eleições.

Na quarta-feira, a Câmara aprovou o terceiro voto de confiança pedido pelo governo sobre os três primeiros artigos da lei. Na quinta-feira realizou-se a etapa final, a mais delicada. Se neste último passo o voto tivesse sido negativo, o texto teria sido rejeitado, mas o governo não seria formalmente obrigado a demitir-se.

Itália: principais mudanças da nova lei eleitoral

Os dois primeiros artigos (aprovados com moção de confiança) contêm as alterações mais importantes:

  • introduzem o voto preferencial, a par dos cabeças-de-lista bloqueados, e definem as regras para a eleição da Câmara dos Deputados e do Senado com este sistema;
  • preveem o aumento de 1 500 para 6 000 do número de assinaturas que os partidos sem representação parlamentar têm de recolher para se apresentarem às eleições e alteram as regras sobre a representação de género. O terceiro artigo diz respeito, pelo contrário, aos círculos uninominais da província de Bolzano
  • o artigo 8.º introduz uma das novidades mais aguardadas: o direito de voto para os eleitores deslocados

A moção de confiança é um mecanismo a que o governo recorre quando quer acelerar a aprovação de uma medida ou quando pretende limitar a discussão e o obstrucionismo das oposições: desta forma, vota-se o texto proposto sem possibilidade de alterações, mas o executivo subordina a sua permanência à aprovação desse texto. Se a Câmara o rejeitar, o governo cai automaticamente.

Pensões dos deputados de primeira legislatura: porque o tema é decisivo

Perante a ameaça de uma crise governamental, esperava-se que a grande maioria dos deputados aprovasse a reforma.

Há uma data que todos os politólogos italianos tentam calcular com precisão: o momento em que a legislatura em curso tiver atingido 4 anos, 6 meses e um dia dos 5 anos totais previstos.

É nessa data que os deputados no primeiro mandato adquirem o direito à pensão de parlamentar (cerca de 1 500 euros, pagos apenas a partir dos 65 anos).

Para o atual governo, essa data é 14 de abril de 2027. A história política italiana mostra que, antes desse dia, é muito improvável que se volte às urnas.

Nova lei eleitoral: pontos que o governo teme ver chumbados pelo Tribunal Constitucional

Subsiste, no entanto, o receio de que o Tribunal Constitucional rejeite a reforma. Tal complicaria os planos do Palazzo Chigi e exporia a direita a críticas duras em campanha eleitoral, por ter produzido uma lei que deixa a Itália num impasse. Eis os pontos que, segundo as oposições, podem ser considerados inconstitucionais:

  • o prémio de maioria no Senado,
  • a obrigação de apresentar 300 mil assinaturas se não se possui um símbolo que já tenha concorrido às eleições,
  • a ausência de uma quota mínima de 40% de mulheres como cabeças-de-lista.
Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Itália: TC valida lei eleitoral de Renzi mas anula escrutínio a duas voltas

Dois cidadãos portugueses detidos pelas forças israelitas na Cisjordânia

Quatro metros de comprimento: pele de cobra misteriosa encontrada em cidade alemã