O secretário de Estado norte-americano Marco Rubio estará algumas horas em Portugal e encontra-se com Luís Montenegro e Paulo Rangel. A visita antecede uma decisão importante sobre a substituição da frota de caças e foi antecedida por uma manifestação contra a política externa dos EUA.
O chefe da diplomacia norte-americana Marco Rubio "não é bem-vindo a Portugal", pelo menos para o grupo de cerca de 300 pessoas que se manifestou na tarde de quarta-feira à tarde em Lisboa.
A manifestação aconteceu no Largo de São Domingos e foi organizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), uma organização não-governamental com ligações ao Partido Comunista Português (PCP), com palavras de ordem como "Fim à guerra", o "Fim ao genocídio do povo palestiniano" e o "Fim à agressão a Cuba".
A passagem de Rubio por Portugal, esta quinta-feira, é uma visita-relâmpago que dura apenas algumas horas e inclui um encontro com o primeiro-ministro Luís Montenegro ao meio-dia. Rubio encontra-se também com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, com quem tem uma conferência de imprensa conjunta. Segundo o comunicado do Departamento de Estado dos EUA, o objetivo da passagem por Lisboa é “avançar na cooperação em matéria de defesa, economia e tecnologia”.
Visita antecede decisão sobre caças
A visita faz parte de um périplo por vários países da Europa. Antes, Rubio passou pela Islândia e pela Grécia. Em Atenas, liderou a delegação dos Estados Unidos no Sexto Diálogo Estratégico EUA-Grécia. Contrastando com a fraca participação na manifestação portuguesa, foram vários milhares a sair às ruas da capital grega para contestar a presença do número três da administração norte-americana.
A visita acontece num contexto de frustração, por parte da administração Trump, com a não-participação dos países da Europa na guerra movida contra o Irão e com uma campanha para que esses países aumentem o investimento em armamento no âmbito da NATO, ao mesmo tempo que abandona o apoio bilateral à Ucrânia contra a invasão russa.
A visita acontece também antes de Portugal decidir sobre um negócio que pode ser lucrativo para a indústria de defesa norte-americana, com o país a planear substituir a frota de F-16 da Força Aérea, Portugal irá escolher entre a norte-americana Lockheed Martin (F-35 Lightning II), a sueca Saab (Gripen E) e o consórcio europeu que inclui a Airbus (caças Eurofighters Typhoon) e a Dassault (Rafale).
No campo da cooperação económica, foi lançado este ano um "Fórum CEO EUA/Portugal".
Numa mensagem enviada aos portugueses por ocasião do Dia de Portugal, a 10 de junho, Rubio saudou o país como "um dos parceiros mais antigos e fiéis" - uma amizade e fidelidade que se reflete na continuação da utilização da Base das Lajes, nos Açores, por parte das forças norte-americanas. Paulo Rangel admitiu rever o acordo para a utilização da base, mas só depois da guerra em curso no Médio Oriente.