Perguntámos a Tamás Révész, o fotógrafo que organizou a exposição, se o género da fotografia jornalística é capaz de preservar a sua força elementar na era do avanço da IA e se é fácil identificar uma imagem que possa ter sido gerada por esta tecnologia.
Confrontar, fazer refletir, alertar — ainda hoje
A exposição itinerante World Press Photo chegou à Hungria pela 50.ª vez, uma mostra que, ano após ano, centra a atenção nas principais questões globais: guerras e conflitos sociais, crise climática, direitos humanos, tudo isto, em muitos casos, a partir de uma perspetiva pessoal e íntima. No entanto, para além das inúmeras perdas e lutas, a força de vontade, o instinto de sobrevivência e o sentimento de solidariedade também estão presentes nestas fotografias de enorme impacto.
“Paramos diante de uma imagem. Se nos aprofundarmos e lermos sobre o que ela representa, é impossível que não nos desperte emoção, que não reajamos, que não reflitamos sobre o que está a acontecer. Esta empatia é uma das coisas mais importantes. Talvez ajude a moldar a nossa visão do futuro, ao compreendermos o nosso presente. O que se passa à nossa volta, como devemos decidir, em que devemos acreditar», explicou Tamás Révész, organizador da exposição, referindo-se à diferença entre alguém ir pessoalmente ver a exposição e demorar-se diante de cada fotografia, em comparação com ver essas imagens em casa na Internet.
A fotografia de imprensa na era da inteligência artificial
Perguntámos ao fotógrafo organizador da exposição em Budapeste não só se, na era do avanço da IA, em que somos inundados por imagens artificiais vindas de todo o lado, o género da fotografia de imprensa é capaz de preservar o seu poder elementar, mas também se é fácil identificar uma imagem que possa ter sido gerada por IA.
“A World Press Photo é uma das instituições onde a autenticidade das imagens é verificada com extrema rigor. Ao nível dos píxeis, com um suporte tecnológico muito avançado. Mas, afinal, os meios de comunicação também estão a mudar e as empresas que controlam a IA também estão a tentar ajudar neste sentido, colocando — ou, pelo menos, fala-se em colocar — marcas que indiquem que se trata de inteligência artificial. Para que seja possível identificá-la”.
Uma das mais importantes plataformas internacionais da profissão
Fundada em Amesterdão em 1955, a World Press Photo é uma organização independente e sem fins lucrativos que se tornou uma das plataformas internacionais mais importantes para os repórteres fotográficos.
Este ano, os jurados selecionaram os trabalhos mais notáveis entre as 57.376 fotografias apresentadas. O concurso contou com a participação de 3747 fotógrafos de 141 países e os projetos vencedores, escolhidos por um júri internacional composto por 31 especialistas, oferecem uma perspetiva global, bem como pontos de vista pessoais e íntimos.
A repórter fotográfica norte-americana Carol Guzy, vencedora do Prémio Pulitzer, ganhou o prémio "Foto do Ano" do concurso World Press Photo de 2026 com a sua fotografia intitulada "Separated by ICE" (Separados pelo ICE).
A exposição em Budapeste apresenta, até 8 de novembro no Biodóm, trabalhos de um total de 42 fotógrafos.