“Não faz sentido que as cidades procurem reduzir emissões e, ao mesmo tempo, deixem que os seus espaços publicitários promovam mais voos e consumo de combustíveis fósseis.”
Helsínquia tornou-se a mais recente cidade europeia a votar a favor da proibição da publicidade a combustíveis fósseis e a outros produtos e serviços com elevada intensidade de carbono.
A proposta, considerada histórica, foi apresentada na Câmara Municipal de Helsínquia pelo vereador Isaac Jyväsjärvi e por outros 27 autarcas. Retoma tentativas anteriores de impor limites à publicidade exterior de “indústrias intensivas em carbono”, que ganharam força em 2021 mas não chegaram a obter maioria.
O alcance exato da restrição será definido antes do próximo período contratual de publicidade, mas os ativistas defendem que, no futuro, poderá retirar das ruas os cartazes que promovem setores como a aviação, transporte marítimo, turismo e construção, além dos próprios combustíveis fósseis.
Os atuais contratos de publicidade na cidade vigoram até 2035, o que significa que a proibição poderá demorar quase uma década a entrar em vigor. Helsínquia vai agora analisar as possibilidades legais de restringir diferentes tipos de publicidade, bem como os impactos potenciais no ambiente, nas finanças municipais e no panorama mediático mais alargado.
Helsínquia aprova proibição de anúncios a combustíveis fósseis
“Os municípios não podem continuar a trabalhar para reduzir emissões enquanto permitem que os seus próprios espaços publicitários incentivem mais viagens de avião e consumo de combustíveis fósseis”, afirma Niklas Kaskeala, ativista climático sediado em Helsínquia e membro da direção da Protect Our Winters Finland.
“A decisão de Helsínquia não vai fazer desaparecer estes anúncios de um dia para o outro, mas traça uma linha importante, e cada cidade que dá este passo torna mais fácil que outras sigam o exemplo.”
Anna Jonsonn, cofundadora da ONG New Weather Sweden, também saúda a proibição, acrescentando: “É altura de deixar de promover as indústrias que estão a alimentar a crise climática.
“Com esta decisão, Helsínquia torna-se a segunda capital nórdica a avançar para uma proibição deste tipo, depois de Estocolmo. A proibição da publicidade a combustíveis fósseis não é uma questão de saber se vai acontecer, mas de saber quando.”
Europa entra numa nova era de marketing verde
A Câmara Municipal de Helsínquia mencionou especificamente outras cidades europeias que avançaram com restrições à publicidade a combustíveis fósseis durante o debate da proposta.
Já este ano, Amesterdão retirou das ruas os cartazes que promoviam carne e produtos de combustíveis fósseis, no âmbito da meta de alcançar a neutralidade carbónica até 2050 e de reduzir para metade o consumo de carne no mesmo período.
“A decisão de proibir a publicidade a combustíveis fósseis chega numa altura crucial da luta contra as alterações climáticas”, afirmou Femke Sleegers, coordenadora da iniciativa Reclame Fossielvrij (Publicidade Livre de Combustíveis Fósseis), quando a proibição foi proposta pela primeira vez em 2020.
“Os anúncios que apresentam os combustíveis fósseis como algo normal agravam a perturbação do clima e não têm lugar numa cidade - ou num país - que cumpre o Acordo de Paris.”
No Reino Unido, Bristol tornou-se recentemente a primeira cidade britânica a impor uma proibição de publicidade a fast fashion, SUV, companhias aéreas, cruzeiros e combustíveis fósseis em todos os espaços pertencentes ao município.
Desde o verão de 2026, a publicidade a combustíveis fósseis também está proibida em todos os painéis e espaços públicos pertencentes à cidade de Estocolmo.