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OpenAI: dúvidas sobre 20 mil milhões em receitas abalam mercado de IA

ARQUIVO. Participantes reúnem-se na conferência OpenAI DevDay 2026, em San Francisco, 29 set. 2026
FOTO DE ARQUIVO. Participantes reúnem-se na conferência OpenAI DevDay 2026 em São Francisco, 29 set. 2026 -  Direitos de autor  AP Photo/Jeff Chiu
Direitos de autor AP Photo/Jeff Chiu
De Quirino Mealha
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Recuperaram na sexta‑feira os futuros tecnológicos dos EUA, depois de relatório apontar receita anual da OpenAI 20 mil milhões abaixo das estimativas, puxando o Nasdaq 1,25% e penalizando fabricantes de chips e gigantes da nuvem.

Wall Street deverá recuperar algum terreno na manhã de sexta-feira, depois de a confusão sobre quanto dinheiro a OpenAI, criadora do ChatGPT, está de facto a gerar ter abalado a confiança dos investidores no boom da inteligência artificial.

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Os futuros do Nasdaq 100 avançavam cerca de 0,8% e os do S&P 500 ganhavam 0,4% nas primeiras negociações de sexta-feira.

Na quinta-feira, o Financial Times noticiou que as receitas anualizadas da OpenAI, que projetam as vendas recentes para um ano completo, estavam “a aproximar-se dos 50 mil milhões de dólares (44,6 mil milhões de euros)” no final de setembro, segundo dados partilhados com investidores.

Isso representa menos cerca de 20 mil milhões de dólares (17,8 mil milhões de euros) do que o valor avançado pela empresa no mês passado.

O índice Nasdaq Composite, dominado por tecnológicas, caiu 1,25% para cerca de 27 193 pontos, enquanto o Philadelphia Semiconductor Index, que acompanha as principais ações de fabricantes de chips dos EUA, recuou 3,4%. Uma disparada dos preços do petróleo acrescentou pressão.

Para onde foram os 20 mil milhões de dólares?

Em resumo, para lado nenhum.

A diferença não significa que a OpenAI tenha falhado uma meta ou perdido vendas: os cerca de 70 mil milhões de dólares (62,5 mil milhões de euros) eram uma estimativa, não uma previsão interna, calculada com base num método de contabilização diferente.

Segundo o FT, o valor mais elevado resulta de os apoiantes da OpenAI terem recalculado as vendas para alinhá-las com o método do rival Anthropic, que regista como receita tudo o que os clientes gastam nos seus modelos de IA através de plataformas de nuvem como a Amazon Web Services e a Google Cloud, enquanto a OpenAI exclui essas vendas.

Tomado à letra, o número da OpenAI fica abaixo dos 65 mil milhões de dólares (58 mil milhões de euros) que a Anthropic terá atingido no final de julho, embora os diferentes métodos contabilísticos tornem a comparação direta difícil. À hora de fecho deste texto, a OpenAI ainda não tinha reagido publicamente às notícias.

Os números são relevantes porque a OpenAI, avaliada em 852 mil milhões de dólares (760 mil milhões de euros) em março, estará a tentar captar pelo menos 30 mil milhões de dólares (26,7 mil milhões de euros) de novo financiamento, numa valorização de 1,4 biliões de dólares (1,25 biliões de euros).

ARQUIVO. Diretor executivo da OpenAI, Sam Altman, fala na conferência OpenAI DevDay 2026, em São Francisco, 29 de setembro de 2026
ARQUIVO. Diretor executivo da OpenAI, Sam Altman, fala na conferência OpenAI DevDay 2026, em São Francisco, 29 de setembro de 2026 AP Photo/Jeff Chiu

As ações das empresas que apostaram forte no crescimento da OpenAI estiveram entre as mais penalizadas após a divulgação da notícia na quinta-feira.

A Oracle, que se comprometeu a fornecer à OpenAI vastos recursos de computação, deslizou 5,5%, enquanto a CoreWeave, especialista em nuvem de IA com contratos de vários milhares de milhões de dólares com a empresa, perdeu quase 8%.

A Microsoft, grande acionista da OpenAI, bem como a Amazon, a Alphabet e a Meta recuaram todas mais de 1%. Tal como a Oracle, as quatro são gigantes de computação em nuvem que estão a investir fortemente em centros de dados para IA.

Os fabricantes de chips também caíram, com a Nvidia a descer quase 3%, a AMD cerca de 4% e a Broadcom, que está a desenvolver um chip personalizado com a OpenAI, a recuar 4,35%.

Em Tóquio, na sexta-feira, as ações do SoftBank Group, que detém cerca de 13% da OpenAI, chegaram a cair 7,3% antes de reduzirem perdas.

Procura de chips mantém-se forte

Apesar das notícias negativas, outros sinais esta semana indicam que a procura por hardware de IA continua robusta.

A sul-coreana Samsung estimou na quinta-feira que o lucro operacional do terceiro trimestre atingiu um recorde de 107,4 biliões de won, o equivalente a 80,2 mil milhões de dólares (71,5 mil milhões de euros).

Se confirmado, o valor será o maior lucro operacional trimestral alguma vez reportado por uma tecnológica, superando os 63,7 mil milhões de dólares (56,8 mil milhões de euros) de resultado operacional que a norte-americana Nvidia registou no último trimestre.

A taiwanesa TSMC, maior fabricante contratual de chips do mundo, indicou no mesmo dia que as vendas de setembro subiram 54,6% em termos homólogos, levando a receita do terceiro trimestre a um máximo de 1,49 biliões de dólares taiwaneses, o equivalente a 46,8 mil milhões de dólares (41,8 mil milhões de euros).

Os investidores terão uma leitura mais clara na próxima semana, quando a holandesa ASML, fabricante de equipamentos para chips, divulgar resultados a 14 de outubro e a TSMC a 15 de outubro.

Potenciais entradas em bolsa da Anthropic, já em novembro, e da OpenAI no próximo ano poderão tornar públicas as suas contas auditadas.

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