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Irão: Brent supera 105 dólares; Trump pondera retomar “grandes operações de combate”

O presidente dos EUA, Donald Trump, saúda à chegada ao Air Force One na Base Conjunta Andrews, em 8 de outubro de 2026
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saúda à chegada ao Air Force One, na Base Conjunta Andrews, 8 de out. de 2026 -  Direitos de autor  AP Photo/Alex Brandon
Direitos de autor AP Photo/Alex Brandon
De Doloresz Katanich
Publicado a •Últimas notícias
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Brent sobe acima dos 105 dólares após relatos de que Trump pondera retomar “grandes operações de combate” contra o Irão; bolsas europeias recuam com receios de inflação

O preço de referência mundial do petróleo subiu cerca de 5% à medida que os investidores se preparavam para uma possível nova ofensiva norte-americana contra o Irão, aumentando a pressão sobre as ações, já penalizadas pela subida dos custos de financiamento.

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O Brent negociava-se acima de 105,2 dólares por barril no início da tarde na Europa, enquanto o índice de referência norte-americano West Texas Intermediate (WTI) ganhava 5,1%, para cerca de 92,75 dólares.

De acordo com vários meios de comunicação norte-americanos, o Pentágono instruiu o Comando Central dos Estados Unidos a concluir os preparativos para uma possível retoma de “operações de combate de grande envergadura” contra o Irão, citando responsáveis norte-americanos.

Ainda não foi fixada qualquer data para eventuais ataques que, segundo a mesma notícia, poderiam atingir infraestruturas energéticas e instalações nucleares iranianas.

Um responsável israelita disse ao site Axios que as hipóteses de um ataque antes das eleições intercalares norte-americanas do próximo mês “não são elevadas, mas não excluímos essa hipótese”.

Segundo as mesmas fontes, mesmo os defensores dos ataques não esperam que estes levem o Irão à mesa das negociações ou restabeleçam a segurança na passagem pelo estreito de Ormuz, mas esperam que ajudem o presidente dos EUA, Donald Trump, a projetar força antes das intercalares.

Estados Unidos e Irão ainda não chegaram a um acordo para pôr fim à guerra, iniciada em fevereiro.

As preocupações com a oferta já vinham a aumentar. Teerão intensificou os ataques a petroleiros no estreito de Ormuz, os hutas negaram ter perdido território-chave e altos responsáveis do setor petrolífero alertaram que as reservas mundiais estão perigosamente baixas.

A produção também foi afetada nos Estados Unidos, onde os produtores suspenderam mais de 500 mil barris diários no Golfo do México, em antecipação à passagem do furacão Isaias.

Os preços do crude tinham caído no início da semana, após sinais de que as exportações do Médio Oriente estavam a regressar a níveis anteriores à guerra e depois de os países do G7 terem acordado recorrer às suas reservas.

Na quarta-feira, a Agência Internacional da Energia (AIE) afirmou que os seus membros apoiam a aceleração das libertações de reservas de petróleo já anunciadas em março, dando prioridade ao gasóleo sempre que possível.

Mercados recuam com regresso dos receios de inflação

As bolsas europeias abriram em baixa esta quinta-feira, com a subida do preço do petróleo a reavivar os receios de inflação. Na abertura, o DAX alemão recuava 0,76% e o FTSE 100 de Londres perdia 0,75%. O CAC 40 francês deslizava 0,64%, enquanto o Euro Stoxx 50 cedia 1,06%.

A subida do petróleo aumentou também a pressão sobre as rendibilidades da dívida pública, que atingiram máximos de vários anos. Durante a manhã, a yield a 10 anos de França situava-se em 4,89% e a da Alemanha em 3,48%, enquanto a obrigação do Tesouro dos EUA a 10 anos rondava um máximo de várias décadas, em 5,32%.

Rendibilidades mais elevadas tendem a penalizar as ações, uma vez que o aumento dos custos de financiamento comprime os lucros das empresas e torna as obrigações mais atrativas para os investidores.

A ata da reunião de setembro da Reserva Federal dos EUA, divulgada na quarta-feira, mostrou que a maioria dos responsáveis considera provável uma nova subida das taxas de juro ainda antes do final do ano.

Em setembro, a Fed aumentou as taxas pela primeira vez desde julho de 2023, em um quarto de ponto percentual, para uma banda entre 3,75% e 4%, numa altura em que a inflação nos EUA continua acima da meta de 2%.

Os mercados asiáticos também caíram, incluindo Tóquio, Hong Kong, Sydney, Xangai, Singapura, Seul, Wellington, Taipé e Manila.

As ações da Samsung recuaram, apesar de a empresa estimar uma subida de 782,5% no resultado operacional do terceiro trimestre, para 107,4 biliões de won (cerca de 71,8 mil milhões de euros), impulsionada pela valorização dos chips de memória.

Na quarta-feira, o índice S&P 500 de Wall Street desceu 0,2%, um dia depois de ter atingido um máximo histórico. O Dow Jones Industrial Average perdeu 0,7%, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite recuou 0,2% face ao recorde.

As ações tecnológicas perderam terreno, com os investidores a prepararem-se para a época de resultados e as elevadas avaliações, bem como o forte investimento em inteligência artificial, a colocarem os lucros sob escrutínio.

O euro manteve-se perto do mínimo de 17 meses registado na segunda-feira, pressionado pelas preocupações com os elevados níveis de dívida de França. Na manhã de quinta-feira, o euro negociava-se a 1,12 dólares, a libra a 1,32 dólares e o dólar a 158,13 ienes. O ouro avançou para 4 143,90 dólares por onça.

Os investidores aguardavam ainda a divulgação do relato da última reunião de política monetária do Banco Central Europeu, em busca de sinais sobre uma eventual nova subida das taxas de juro.

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