O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Ucrânia precisa de um novo presidente e culpou o líder ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, pelos elevados preços do gasóleo nos EUA.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ser altura de a Ucrânia ter um novo presidente, alegando que o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, não se esforçou o suficiente para pôr fim à invasão russa.
“Sugiro que encontrem um novo líder que consiga chegar a um acordo, porque ele poderia ter feito muitos acordos e, por algum motivo, nunca o faz”, disse Trump aos jornalistas na Casa Branca, no sábado, antes de partir para o Tennessee.
A declaração foi bem recebida pelo principal negociador económico do presidente russo, Vladimir Putin, que descreveu as palavras de Trump como “icónicas e históricas”.
“O presidente Trump junta-se a muitos que acreditam que a Ucrânia precisa de uma liderança realmente focada na paz, e não no belicismo de Zelenskyy”, afirmou Kirill Dmitriev, enviado especial do Kremlin para a cooperação económica, numa publicação na rede X.
Andrii Sybiha, ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, afirmou que Zelenskyy “tem o apoio do povo ucraniano e é esse povo que tem o direito de decidir”.
“Declarações vindas do estrangeiro apenas confirmam que ele está a fazer bem o seu trabalho. Merece apoio”, acrescentou, numa publicação nas redes sociais no sábado.
A declaração de Trump surge depois de Zelenskyy ter denunciado o acordo de Washington com Moscovo para comprar gasóleo russo, numa tentativa de responder aos preços elevados dos combustíveis antes das eleições intercalares nos Estados Unidos.
Responsáveis europeus manifestaram preocupação com o acordo, alertando que este ajudaria a financiar o esforço de guerra da Rússia.
“A Rússia irá fornecer de imediato mais de 300 mil toneladas de gasóleo ao mercado norte-americano e mundial, e outras 500 mil toneladas durante o mês de novembro”, disse Trump após conversações com Putin.
Zelenskyy classificou a decisão como um “presente para Putin” que “não trará paz nem qualquer benefício para o mundo civilizado”.
“Permitir à Rússia vender produtos petrolíferos é investir numa guerra que tem de terminar, não prolongar-se. O que é necessário é uma verdadeira desescalada com a Rússia, em bases recíprocas”, acrescentou.
Os preços do gasóleo nos Estados Unidos dispararam desde que os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto ao Irão, em 28 de fevereiro. As guerras no Irão e na Ucrânia contribuíram para uma crise energética global, mas Trump atribui a responsabilidade pela escalada dos preços do gasóleo apenas a Zelenskyy.
Trump já tinha instado o líder ucraniano a parar os ataques contra refinarias de petróleo russas e outras infraestruturas críticas, dizendo que essas operações estavam a provocar a escassez global.
“Ele (Zelenskyy) quer criar problemas para o mundo. Quer criar problemas para os nossos agricultores, para os nossos criadores de gado, com o gasóleo”, afirmou Trump no sábado.“Dissemos-lhe: ‘faz o que quiseres, mas não ataques o gasóleo, porque isso é um grande problema’. E o que é que ele faz? Vai e atinge o gasóleo”, acrescentou.
A taxa de aprovação de Trump desceu significativamente ao longo do seu segundo mandato. Segundo o Associated Press-NORC Centre for Public Affairs Research, uma sondagem realizada no mês passado indica que 71% dos adultos norte-americanos desaprovam a forma como Trump está a gerir a situação no Irão.
Europa apoia Kiev
A declaração surge ao mesmo tempo que a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirma que suspender as sanções ao gasóleo russo apenas daria a Moscovo mais receitas para financiar a sua guerra.
“Não é altura de aliviar a pressão sobre a Rússia, e a Europa não o fará”, escreveu na rede X.
“Na segunda-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE tencionam aprovar o maior pacote de sanções dirigido à máquina de guerra russa desde o início da guerra”, acrescentou.
Zelenskyy destacou também uma série de conversas com aliados europeus no sábado, incluindo o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, e o presidente francês, Emmanuel Macron.
Zelenskyy disse ter tido uma “conversa muito boa e oportuna” com Burnham, a quem agradeceu o apoio contínuo.
Segundo Downing Street, Burnham aproveitou a oportunidade para reiterar a sua “total solidariedade” com a Ucrânia e comprometeu-se a continuar a reforçar as sanções britânicas contra a Rússia.
Zelenskyy afirmou ainda ter falado com Macron sobre os “desafios colocados pelo alívio das sanções a produtos petrolíferos” e adiantou que Kiev e Paris estão a preparar novas reuniões.