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Rússia intensifica guerra: UE admite que apoio à Ucrânia é insuficiente

Rússia intensifica rapidamente a guerra contra a Ucrânia.
Rússia intensifica rapidamente a guerra na Ucrânia -  Direitos de autor  Kateryna Klochko/Copyright 2026 The AP. All rights reserved.
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De Jorge Liboreiro
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A rápida escalada da Rússia lança dúvidas sobre os diversos programas de apoio da União Europeia à Ucrânia, e diplomatas admitem que os líderes terão de enfrentar o tema em breve.

A União Europeia começa rapidamente a perceber os limites do apoio de milhares de milhões de euros à Ucrânia, numa altura em que a escalada total da Rússia destrói as finanças do país, esgota as defesas aéreas e aprofunda a dependência de doadores com poucos recursos.

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“Esta guerra vai durar mais do que pensámos”, afirmou um diplomata europeu, sob anonimato. “Há consciência de que as necessidades vão continuar a surgir, mas ainda não está claro como vão ser satisfeitas.”

“É preciso enviar uma mensagem clara de que a UE não vai mudar de posição e vai reforçar o apoio à Ucrânia e a pressão sobre a Rússia”, disse outro diplomata.

Linhas ferroviárias, pontes, navios de carga, centrais elétricas, centros de dados, armazéns, unidades de saúde, escolas e jardins de infância têm sido alvo de ataques aéreos russos nos últimos dias. Até a Academia Nacional de Ciências foi atingida.

O bombardeamento contínuo, uma combinação calculada de mísseis balísticos e drones a jato, já matou dezenas de civis, incluindo mais de 30 pessoas em Kramatorsk, depois de um ataque com bomba planadora ter incendiado dois autocarros públicos.

Na quinta‑feira, a Rússia mergulhou Kiev na escuridão, oferecendo um prenúncio sombrio de um inverno que promete ser o mais duro e cruel desde o início da guerra.

“Isto é terror contra as pessoas e contra a vida. E é importante que os líderes não ignorem o que está a acontecer”, afirmou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy.

“Puro e simples: são crimes de guerra”, declarou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestando solidariedade.

A escalada atingiu, de forma particular, a economia já devastada pela guerra, com vagas incessantes de drones a perturbar a atividade quotidiana, a obrigar empresas a encerrar, a aumentar os custos de produção e a reduzir os lucros.

O bloqueio russo no mar Negro agravou ainda mais a situação, impedindo os agricultores ucranianos de vender toneladas de cereais aos clientes internacionais e privando o Estado de uma fonte essencial de receitas.

Esta deterioração levanta sérias questões sobre a viabilidade e a sustentabilidade dos vários programas de apoio da UE, em particular o empréstimo de 90 mil milhões de euros acordado pelos líderes no ano passado para cobrir dois terços das necessidades da Ucrânia em 2026 e 2027.

Importa lembrar que o empréstimo foi concebido com o pressuposto de que a guerra terminaria algures este ano. A escalada russa praticamente garante que isso não vai acontecer.

Rússia devastou a Ucrânia
Rússia devastou a Ucrânia AP Photo

O ministro das Finanças da Ucrânia, Sergii Marchenko, avisou que o orçamento de 2027 será o mais complexo desde o início da invasão em larga escala. Apelou aos doadores internacionais para que cubram um impressionante défice de 78 mil milhões de dólares (70 mil milhões de euros).

A Comissão evitou validar o valor total, que ultrapassa largamente os 45 mil milhões de euros que planeia disponibilizar no próximo ano ao abrigo do empréstimo de apoio. Prometeu, em alternativa, acelerar os desembolsos, dependentes de reformas internas.

“Para 2027, o cenário é de facto mais exigente”, afirmou o comissário da Economia, Valdis Dombrovskis, esta sexta‑feira, após uma reunião de ministros das Finanças.

“É claro que enfrentamos um défice de financiamento significativo. A quantificação exata ainda está em curso.”

Bruxelas ainda não reabriu formalmente o debate sobre novo apoio à Ucrânia, numa altura em que os Estados‑membros estão envolvidos em negociações difíceis sobre o próximo orçamento da UE.

Responsáveis e diplomatas admitem, em privado, que é apenas uma questão de tempo até os líderes serem obrigados a enfrentar o tema, cada vez mais controverso num contexto de aumento da dívida, crescimento estagnado e oposição da extrema‑direita.

A ausência total de ajuda dos Estados Unidos, que foram um fornecedor central de armamento, complica ainda mais a equação.

Um grupo de países da UE tentou reabrir o debate sobre os ativos russos imobilizados, argumentando que o empréstimo de 90 mil milhões de euros “não será suficiente”.

Mas a Bélgica, principal depositária desses ativos, tem resistido. França e Itália, dois votos decisivos, mantêm‑se relutantes em avançar por esse caminho desconhecido.

“Quanto aos ativos, continua a haver algum interesse, mas lembramo‑nos muito bem do que aconteceu em dezembro”, disse um diplomata sénior, numa referência à cimeira dramática em que uma proposta garantida por ativos colapsou. “O empréstimo foi então criado como Plano B.”

“Neste momento, não há nada de novo ou substancial em cima da mesa.”

A opção de emitir mais dívida conjunta para apoiar a Ucrânia, como aconteceu com os 90 mil milhões de euros, tornou‑se politicamente pouco atrativa num contexto de custos de financiamento em espiral.

Já a hipótese de reforçar as contribuições bilaterais, muito mais simples, arrisca-se a concentrar o peso em alguns países mais ricos, nomeadamente a Alemanha, os Países Baixos e os nórdicos.

Sem soluções fáceis, Bruxelas está a pedir a outros aliados, como o Reino Unido, o Canadá e o Japão, que assumam responsabilidades maiores enquanto procura definir os próximos passos.

“Estamos a avaliar outras possibilidades, em qualquer caso”, afirmou Dombrovskis. “Mantemos o compromisso de garantir que a Ucrânia disponha do financiamento necessário durante o tempo que for preciso.”

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