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Zelenskyy recorre aos aliados europeus enquanto Washington hesita

Primeiro-ministro britânico Andy Burnham (à direita) é recebido pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky antes de reunião em Kiev, 24 de agosto de 2026
Primeiro-ministro britânico Andy Burnham (à direita) é recebido pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, antes da reunião em Kiev, segunda-feira, 24 de agosto de 2026 -  Direitos de autor  Dan Bashakov/Copyright 2026. The AP. All rights reserved
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De Mared Gwyn Jones
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Bom dia, sou a Mared Gwyn. Hoje: dirigentes europeus reforçam apoio a Zelenskyy, drones continuam a atingir o mar Negro e uma entrevista exclusiva com o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros.

Antes de mais: na noite de terça-feira, um míssil balístico russo atingiu uma central elétrica em Kiev, sem que a Ucrânia tivesse recebido qualquer aviso prévio dos seus aliados ocidentais e apesar das declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre um “cessar-fogo energético”, afirmou o presidente Volodymyr Zelenskyy.

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Sinais de alarme: Falhas deste tipo na informação dos serviços secretos têm sido raras no passado e levantam naturalmente questões sobre se a administração Trump terá limitado a partilha de inteligência com Kiev, numa altura de tensão após o acordo sobre o gasóleo entre os Estados Unidos e a Rússia. Trump negou que Washington tenha cortado o fluxo de informações quando questionado pelos jornalistas ontem à noite.

Retoma a iniciativa: Entretanto, Zelenskyy reúne-se hoje, em Londres, com o primeiro-ministro Andy Burnham, numa altura em que líderes europeus começam a alinhar-se ao seu lado após um fim de semana difícil de tensões com a Casa Branca.

É uma mudança clara de abordagem por parte do líder britânico, cujo antecessor foi especialmente cuidadoso em evitar desagradar a Donald Trump na política externa.

Segundo um comunicado de 10 Downing Street, espera-se que Burnham se comprometa a reforçar as sanções e a aumentar o apoio militar e financeiro à Ucrânia nas próximas semanas. O Reino Unido prometeu ainda acelerar o envio de mísseis britânicos Lightweight Multirole (LMM) para ajudar a combater drones russos a jato.

Sem cortar pontes: O presidente ucraniano mantém, no entanto, a porta aberta a Washington, dizendo que Kiev propôs uma nova ronda de conversações com os Estados Unidos nos próximos dias, apesar do crescente afastamento diplomático, relata a minha colega Sasha Vakulina.

“A nossa equipa enviou à parte americana propostas para possíveis próximas reuniões e novas conversações. Estamos prontos para nos encontrarmos nos próximos dias e enviei esta proposta a Steve Witkoff e Jared Kushner”, disse Zelenskyy na terça-feira.

Reforço de apoios: Zelenskyy vai também juntar-se presencialmente aos líderes da UE esta sexta-feira, no segundo dia da cimeira do Conselho Europeu. Está a preparar várias reuniões adicionais enquanto estiver em Bruxelas, sinal de como Kiev precisa urgentemente de apoio político neste momento delicado.

Zelenskyy poderá também realizar a primeira reunião bilateral com o primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, disseram fontes à Euronews, após um avanço em matéria de direitos das minorias que abriu caminho a novos progressos nas negociações de adesão da Ucrânia à UE.

Jorge Liboreiro apurou ainda que a Comissão Europeia está a preparar novos desembolsos ao abrigo do empréstimo de apoio de 90 mil milhões de euros já esta semana.

Responsáveis e diplomatas da UE mostram-se confiantes de que os 27 líderes vão cerrar fileiras e apoiar Zelenskyy, numa demonstração de unidade face à diplomacia unilateral de Trump. As conclusões da cimeira poderão mesmo manifestar desagrado com o acordo sobre o gasóleo, embora isso dependa de um consenso entre os líderes.

“Consideramos que o acordo é lamentável. Vai contra a estratégia que temos seguido nos últimos quatro anos para pressionar a Rússia e desligar-nos das fontes de energia russas”, afirmou um alto responsável da UE.

“Temos visto que o diálogo com os Estados Unidos nem sempre conduz a um acordo total na forma como a UE e os EUA veem as coisas, mas é sempre melhor do que não haver diálogo”, acrescentou o responsável. “É isto que tem de continuar a ser feito.”

Aumenta também a pressão sobre os países europeus para fornecerem a Kiev os mísseis de defesa aérea de que o país tanto precisa, com Espanha e Grécia, que têm esses sistemas nos seus arsenais, a resistirem até agora a essa exigência.

Em declarações à nossa editora da UE, Maria Tadeo, na Conferência de Segurança de Varsóvia, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, afirmou: “Posso garantir-lhe que fizemos sempre tudo o que estava ao nosso alcance e continuaremos a fazê-lo.”

Recuperar os ativos congelados: Albares disse também acreditar que a UE deve relançar o debate sobre canalizar ativos estatais russos imobilizados para um empréstimo à Ucrânia, meses depois de a proposta ter sido travada devido, sobretudo, à oposição da Bélgica.

“Porque havemos de usar o dinheiro dos contribuintes quando existem ativos congelados e sabemos que terá de haver reparações no fim da guerra?”, questionou Albares. Veja aqui.

Mar Negro sob ataque de drones: entretanto, aliados europeus e da NATO procuram uma resposta depois de drones terem atingido mais dois navios no Mar Negro, ao largo da costa da Bulgária, na madrugada de terça-feira. O primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, classificou os ataques como “absolutamente inaceitáveis” e acrescentou que “a lógica indica” que a Rússia é quem mais beneficia.

Mas a Bulgária afirma também não haver provas conclusivas que permitam atribuir os ataques a qualquer país. O incidente de terça-feira segue-se a uma série de ataques com drones ao largo das costas romena e búlgara na semana passada, incluindo um que foi mortal.

Alerta da Moldova: o chefe de Estado-Maior do Exército Nacional da Moldova, Vitalie Micov, disse à minha colega Angela Skujins que a ameaça dos drones está também a ter um impacto significativo no seu pequeno país sem litoral, que faz fronteira com a Roménia e a Ucrânia. Calcula que um drone entra no espaço aéreo moldavo quase a cada dois ou três dias, alguns deles carregados com explosivos.

“Estão igualmente a afetar de forma significativa o moral da sociedade civil e a pôr em causa a segurança na região”, acrescentou Micov.

Resposta da UE: o tema deverá estar em destaque na cimeira da UE de quinta e sexta-feira, em Bruxelas, onde os líderes devem aprovar medidas para reforçar a frente oriental da Europa e avançar com projetos de infraestruturas de combate a drones.

A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deverão também insistir no desenvolvimento e aplicação de um conjunto de instrumentos contra a guerra híbrida, há muito prometido.

Ucrânia não recebe informações dos parceiros sobre mísseis dirigidos a Kiev, diz Zelenskyy

Um míssil balístico russo atingiu, na noite de terça-feira, uma central elétrica em Kiev, disse o presidente Volodymyr Zelenskyy, sem que a Ucrânia tivesse recebido aviso prévio dos seus aliados ocidentais e apesar de o presidente norte-americano, Donald Trump, falar num “cessar-fogo energético”.

A Ucrânia depende fortemente da informação dos serviços secretos ocidentais, sobretudo dos Estados Unidos, para detetar ataques russos em aproximação e identificar os seus próprios alvos. Relatórios recentes sugerem que responsáveis norte-americanos terão sugerido a hipótese de cortar o fornecimento de inteligência durante conversações, no fim de semana, com negociadores ucranianos em Miami.

Kiev, cidade com cerca de três milhões de habitantes, tem sido alvo de ataques cada vez mais intensos de drones e mísseis russos, com a infraestrutura energética como principal objetivo. “Ataque de míssil balístico russo contra Kiev. Mais uma vez, sem aviso prévio por parte dos nossos parceiros”, escreveu Zelenskyy no Facebook.

“Isto é absolutamente injusto: estão a destruir a nossa infraestrutura e a Ucrânia nem sequer recebe avisos antecipados sobre lançamentos de mísseis balísticos”, acrescentou.

Sertac Aktan tem todos os detalhes.

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Outros temas que estamos a acompanhar

  • Os líderes dos grupos políticos do Parlamento Europeu reúnem-se às 16h00 CET (15h00 em Portugal continental) para definir a ordem de trabalhos da próxima sessão plenária. Espera-se que o grupo de extrema-direita Patriotas pela Europa proponha uma comissão especial para investigar a chegada em massa de migrantes a Ceuta em julho passado.
  • A líder da Reunião Nacional, Marine Le Pen, deverá juntar-se a um encontro do grupo Patriotas pela Europa em Bruxelas, antes da cimeira da UE desta semana, e dará uma conferência de imprensa às 19h30 CET.
  • O presidente do Conselho Europeu, António Costa, participa numa reunião da equipa de negociação do Parlamento Europeu sobre o orçamento de longo prazo da UE, conhecido como grupo de contacto do QFP.
  • A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, participa na Cimeira Social Tripartida em Bruxelas.

Por hoje é tudo. Jorge Liboreiro, Sasha Vakulina, Vincenzo Genovese e Angela Skujins contribuíram para esta newsletter.

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