Polícia respondeu com gás lacrimogéneo e canhões de água, detendo vários manifestantes.
Manifestantes e polícia protagonizaram confrontos na capital da Albânia, Tirana, na quinta-feira, pelo terceiro dia consecutivo, com o primeiro-ministro Edi Rama a condenar o “caos” após protestos violentos que danificaram edifícios governamentais.
“Vamos ultrapassar juntos estas horas difíceis, porque a Albânia continuará no seu caminho para a Europa”, afirmou Rama numa mensagem em vídeo, referindo-se ao processo de adesão da Albânia à UE, que a Comissão Europeia pretende concluir até 2027.
“Ninguém pode apertar a garganta à Albânia. Quem pensa que a lei não se aplica a si está enganado.”
Estudantes que exigem reformas na educação juntaram-se a protestos mais amplos contra o governo, que pedem a demissão do primeiro-ministro Edi Rama devido a alegações de corrupção.
Na quinta-feira, alunos do ensino secundário juntaram-se a milhares de manifestantes em marchas pelo centro da capital, gritando “Rama, demite-te!” e paralisando a cidade.
Os mais recentes confrontos seguiram-se aos motins de quarta-feira, quando manifestantes atacaram edifícios governamentais, bancos e empresas, deixando 89 pessoas feridas, incluindo 61 agentes da polícia, segundo o Ministério da Saúde.
“Vamos estar na praça todos os dias”, escreveu Mateo Yskollari, um dos principais organizadores dos protestos, numa publicação online. “A nossa resposta a qualquer tentativa de nos silenciar será ampliar o protesto, a mobilização cívica e a desobediência.”
Há mais de quatro meses que milhares de pessoas protestam contra um projeto de turismo de luxo ligado à filha de Donald Trump, Ivanka, e ao genro, Jared Kushner, que se tornou símbolo de alegada corrupção e desigualdade na Albânia.
Reações políticas
O Partido Democrático da oposição apoiou os protestos estudantis e apelou a Rama para formar um governo de gestão antes de eleições antecipadas.
“Este movimento não é apenas um protesto contra o governo”, afirmou o partido. “É uma revolta contra um modelo de governação criado por Edi Rama, que roubou a esperança aos jovens, violou a confiança dos cidadãos e afasta cada vez mais a Albânia do seu futuro europeu.”
O Partido Socialista conquistou no ano passado a quarta vitória eleitoral consecutiva, estando as próximas eleições parlamentares previstas apenas para 2029.
Entretanto, uma delegação da União Europeia na Albânia apelou, já tarde na quarta-feira, a uma resposta proporcional por parte das autoridades, manifestando preocupação com “a escalada violenta do protesto em Tirana”.
“Apelamos aos manifestantes para que mantenham a calma e se abstenham de quaisquer atos de violência. A violência não tem lugar nas democracias”, afirmou em comunicado.