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Reino Unido: economia cresce inesperadamente apesar da queda do consumo

Arquivo – Vista da cidade em direção à Catedral de São Paulo, em Londres
ARQUIVO – Vista da cidade em direção à Catedral de São Paulo, em Londres -  Direitos de autor  AP Photo
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De Angela Barnes
Publicado a •Últimas notícias
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Dados oficiais divulgados esta quinta-feira mostram que a economia britânica cresceu inesperadamente em agosto, dando fôlego ao ministro das Finanças John Healey antes da atualização orçamental do governo trabalhista deste mês.

O produto interno bruto aumentou 0,1% em agosto face ao mês anterior, superando a previsão consensual dos analistas, que apontava para uma contração de 0,1%.

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O valor representou, ainda assim, uma desaceleração face à expansão de 0,4% registada em julho.

O primeiro-ministro Andy Burnham, que fez do alívio do custo de vida uma prioridade do seu governo trabalhista, preparou o terreno para decisões difíceis na apresentação do Orçamento de 28 de outubro.

Com a inflação a subir e os rendimentos das obrigações do Estado em máximos de várias décadas, Healey, que irá apresentar o Orçamento, prometeu manter uma disciplina orçamental rigorosa.

Mas escusou-se a esclarecer se o plano orçamental incluirá novos aumentos de impostos para ajudar a reduzir o volume da dívida britânica.

Os analistas esperam que a inflação no Reino Unido aumente para o final do ano, à medida que os preços mais elevados do petróleo e do gás se refletem nas faturas das famílias, sem sinais de um fim próximo da guerra no Médio Oriente.

“Continuamos a esperar que a próxima subida da inflação atenue o crescimento, mas a economia está mais robusta do que pensávamos”, afirmou Paul Dales, economista-chefe para o Reino Unido na Capital Economics.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística britânico (ONS), o PIB nos três meses até ao final de agosto cresceu 0,7%.

Liz McKeown, diretora de estatísticas económicas do ONS, afirmou que “a programação informática voltou a ser o maior contributo para o crescimento nos três meses até agosto”.

O forte dinamismo do setor da inteligência artificial (IA) também ajudou a impulsionar o crescimento em julho.

“Está a surgir alguma divergência na economia, com as empresas a terem bom desempenho (em parte graças à despesa ligada à IA), enquanto as famílias se mostram mais cautelosas”, acrescentou Dales.

Samuel Edwards, responsável pela gestão de carteiras de clientes na empresa de soluções financeiras Ebury, comentou a atualização numa nota enviada a clientes da Euronews. Assinalou que a perspetiva mais negativa do FMI para 2027 sugere que o Reino Unido está longe de estar fora de perigo.

“A subida dos preços da energia, ligada ao conflito em curso com o Irão, corre o risco de reacender a inflação, podendo obrigar o Banco de Inglaterra a aumentar ainda mais as taxas de juro e a exercer maior pressão sobre famílias e empresas.

“Com a confiança já frágil, a perspetiva de novos aumentos de impostos no Orçamento de Outono poderá levar os consumidores a conterem a despesa e as empresas a congelarem o investimento.

“Neste enquadramento, as empresas têm de reforçar a sua resiliência financeira, mantendo operações eficientes, preservando o acesso a financiamento e recorrendo a coberturas cambiais eficazes para limitar a exposição a nova volatilidade”, acrescentou Edwards.

Outras fontes • AFP

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