Um só salário já não chega para pagar a renda de um T3 em muitos centros urbanos europeus. A Euronews Business analisa quanto sobra a um casal ativo depois de pagar a casa.
Muitos países europeus enfrentam uma crise de habitação, com falta de casas e preços a subir. As rendas também continuam a aumentar e os centros das cidades são particularmente caros. Para muitos agregados familiares europeus, um único salário já não chega para pagar a renda de um apartamento de dimensão familiar no coração de uma grande cidade.
Mas e se, num casal, ambos trabalharem e partilharem a renda? Será suficiente? Quanto dinheiro lhes sobra todos os meses depois de pagar a renda? E como se comparam as cidades europeias com o resto do mundo?
O relatório Mapping the World’s Prices 2026, publicado pelo Deutsche Bank Research Institute, ajuda a esclarecer a questão. O estudo considera duas pessoas com um salário líquido local e deduz a renda de um apartamento de três quartos no centro da cidade em causa. O que sobra é o rendimento disponível do agregado depois da renda.
Entre 28 cidades europeias, o rendimento disponível após a renda varia entre €253 em Lisboa e €9,140 em Zurique.
Cidades suíças lideram o ranking
Zurique tem a renda mais cara (€5,502) entre as 28 cidades, mas também o salário líquido mais elevado (€7,321). Resultado: um casal em Zurique é o que fica com mais dinheiro depois de pagar a renda (€9,140).
Além de Zurique, Genebra destaca-se claramente das restantes cidades. Em Genebra, a um casal sobram €8,783 todos os meses após a renda, graças ao segundo salário líquido mais elevado (€6,516).
O Luxemburgo surge em terceiro lugar, com €5,890. Tem o terceiro salário líquido mais alto (€4,548). A renda também é elevada (€3,206), mas mais baixa do que em cidades como Londres, Dublin e Amesterdão, o que deixa aos casais mais dinheiro ao fim do mês.
Birmingham segue-se com €5,238, ligeiramente à frente de Copenhaga, com €5,233.
Rendas distinguem Birmingham e Londres
Em Birmingham, a um casal sobram €5,238 por mês depois de pagar a renda. Em Londres, o valor desce para €3,148. Isto significa que os casais em Birmingham têm mais €2,090 todos os meses.
Os salários são mais baixos em Birmingham, mas as rendas são muito mais baratas. Um apartamento no centro custa €1,949 em Birmingham, contra €4,362 em Londres.
Casais ficam também com mais de €4,000 depois da renda em Oslo (€4,936), Frankfurt (€4,786), Munique (€4,575) e Amesterdão (€4,431).
A renda em Amesterdão está entre as cinco mais altas (€3,542), mas um salário líquido elevado (€3,986) compensa esse valor.
Viena (€3,709) e Estocolmo (€3,674) aproximam-se destes níveis.
Berlim supera Paris graças à renda mais baixa
Os salários em Paris são mais altos do que em Berlim (€3,171 contra €2,946). Ainda assim, os casais em Berlim ficam com mais dinheiro depois da renda (€3,554 contra €3,336). A diferença está na renda: um apartamento no centro custa €3,005 em Paris, mas €2,339 em Berlim.
Dublin tem um salário líquido mais elevado (€3,455) do que Paris, Berlim, Viena e Estocolmo. No entanto, os casais ficam com menos dinheiro depois da renda do que em todas essas cidades (€3,038). A renda em Dublin é a quarta mais alta da Europa (€3,873) e supera um salário líquido.
Europa do Sul surge no fim da tabela
As cidades do sul da Europa registam os rendimentos mais baixos depois da renda. Lisboa e Milão são as cidades mais difíceis para os casais. Em Lisboa, sobram apenas €253 depois da renda. O salário líquido é de €1,408, mas a renda chega aos €2,561.
Em Milão, sobram apenas €697. Em Madrid, a um casal restam €1,905 todos os meses. Em Barcelona, o valor é de €1,832. Em Roma desce para €1,265 e em Atenas para €1,148. Em Atenas, a renda (€1,164) é ligeiramente superior a um salário líquido (€1,156).
Istambul surge logo acima de Lisboa no fim da lista europeia, com €353. O salário líquido é de €1,027, mas a renda é de €1,701.
Europa Central e de Leste supera o sul
Algumas cidades da Europa Central e de Leste apresentam resultados melhores do que as do sul da Europa. Em Praga, a um casal sobram €2,054 depois da renda. Em Varsóvia, ficam com €1,985 e em Budapeste com €1,548. As três cidades surgem acima de Roma e Atenas.
Importa lembrar que a renda é o único custo incluído. Os casais continuam a ter de pagar alimentação, contas e transportes.
Um salário basta para pagar a renda?
A resposta é negativa em muitas cidades. Em 11 cidades, a renda é superior a um salário líquido. São elas Atenas, Barcelona, Budapeste, Dublin, Istambul, Lisboa, Londres, Madrid, Milão, Praga e Roma.
Lisboa apresenta a maior diferença. O salário líquido é de €1,408, enquanto a renda custa €2,561, mais 82% do que um salário. Em Milão, o salário líquido é de €1,940, face a uma renda de €3,184.
Em Praga e Budapeste, a renda e um salário líquido são praticamente iguais.
Como se compara a Europa com o resto do mundo?
A Europa apresenta bons resultados no ranking global. Zurique (€9,140) e Genebra (€8,783) lideram a lista de 69 cidades, à frente de São Francisco (€7,992). Sete das 10 primeiras cidades são europeias.
Nenhuma cidade europeia surge nas últimas 10 posições. Todas estas se situam na América Latina, Ásia e África. Em seis delas, a renda custa mais do que dois salários líquidos. Manila (-€882) e Banguecoque (-€759) ocupam o fim da tabela.
Em Moscovo, a um casal sobram €313 depois da renda. O salário líquido é de €1,570, mas a renda chega aos €2,827.
Várias cidades europeias apresentam também melhores resultados do que Nova Iorque (€1,921).
As gerações mais jovens na Europa têm taxas de propriedade de habitação mais baixas do que as gerações anteriores. Em 2026, os preços das casas e as rendas continuam a subir em toda a Europa, superando a inflação em muitos países.