As declarações de Trump surgiram pouco depois de Zelenskyy se reunir em Oslo com uma delegação norte-americana liderada pelo enviado especial Steve Witkoff.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta terça-feira que pretendia que o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, “chegasse a um acordo” com a Rússia, lamentando que Washington não tivesse “recebido nada em troca” pelo apoio dado a Kiev.
Falando aos jornalistas na Casa Branca, Trump declarou: “Queremos que Zelenskyy faça um acordo. Ele pode chegar a um acordo.”
“Ele podia ter feito um acordo há dois anos, quando tivemos a nossa pequena conversa no Salão Oval”, prosseguiu, numa aparente referência ao confronto aceso entre os dois durante uma reunião no início de 2025. “Vai ter de querer chegar a um acordo, porque não creio que o seu povo vá aceitar isto por muito mais tempo.”
Desde que o presidente norte-americano iniciou o segundo mandato em Janeiro do ano passado, Zelenskyy e Trump têm mantido uma relação volátil, a qual se deteriorou ainda mais nas últimas semanas, após Trump ter assinado um acordo de gás com o presidente russo, Vladimir Putin, e ter criticado o impacto dos ataques ucranianos ao setor energético russo nos preços globais dos combustíveis.
Esta terça-feira, Trump, que se prepara para eleições intercalares decisivas que vão definir a composição do Congresso nos dois últimos anos do seu mandato, pareceu atribuir a responsabilidade pela continuação da guerra a Zelenskyy, repetindo que este tivera oportunidade de alcançar um acordo e que os Estados Unidos não obtiveram nada em troca da ajuda “exceto sofrimento, morte” e “enormes perdas financeiras”.
“Demos montantes enormes à Ucrânia; não recebemos nada de volta. Para além de gasóleo caro”, acrescentou Trump. “Os contribuintes americanos estão cansados disso.”
“Está na altura de fazer um acordo”, rematou.
Zelenskyy mantém conversações em Oslo
As declarações de Trump surgiram pouco depois de Zelenskyy se ter reunido com uma delegação norte-americana liderada pelo enviado especial Steve Witkoff, que deverá viajar para a Rússia esta quarta-feira para um encontro com Putin.
Após as conversações em Oslo, que contaram com a presença do presidente finlandês Alexander Stubb e do primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Störe, Zelenskyy mostrou-se relativamente otimista. O presidente ucraniano afirmou aos jornalistas ter mantido recentemente uma conversa construtiva com o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e apelou à realização de uma cimeira trilateral com Trump e Putin.
Zelenskyy abordou igualmente, numa conferência de imprensa com os líderes nórdicos, as alegadas restrições à partilha de informações de inteligência por parte dos Estados Unidos, dizendo estar “agradecido” porque “a inteligência funciona agora”.
“Falo de aviso prévio, que é muito importante para o nosso povo, para crianças, adultos, civis, porque conseguimos saber quando um míssil balístico se aproxima”, afirmou.
Num texto publicado nas redes sociais mais tarde, Zelenskyy acrescentou: “Foi construtivo porque todos queremos a paz – a Ucrânia, a Europa, os Estados Unidos. E veremos o que acontece amanhã.”