A Comissão Europeia procura travar mais importações chinesas noutros sectores nas próximas conversações com Pequim e estuda novas medidas de defesa comercial, arriscando represálias de Pequim.
O comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, afirmou esta sexta-feira que a UE procura manter um equilíbrio delicado nas negociações com Pequim, ponderando medidas comerciais tradicionais face a considerações políticas mais amplas.
Após vários meses de negociações, Bruxelas e Pequim chegaram a acordo no dia 9 de outubro para limitar as importações de automóveis híbridos da China. No entanto, o compromisso dificilmente reduzirá de forma significativa o défice comercial recorde da UE com a China, que atingiu mil milhões de euros por dia, uma diferença que a Comissão Europeia pretende diminuir.
“Há setores inteiros sob ameaça e cada chefe de Estado ou governo está preocupado com eventuais perdas pesadas de postos de trabalho”, declarou Šefčovič na sexta-feira, após uma reunião dos 27 ministros do Comércio na Irlanda.
Acrescentou: “Temos de avançar não só com as técnicas comerciais tradicionais, mas também com uma abordagem muito política, sobre como equilibrar o comércio entre a China e a União Europeia.”
Até ao final do ano decorre um novo ciclo de discussões técnicas com Pequim, ficando as negociações políticas marcadas para janeiro e março de 2027.
Dada a urgência, os líderes europeus atribuíram na semana passada à Comissão Europeia um mandato político para trabalhar num instrumento de “kill switch” que permita aos europeus cortar o acesso da China ao seu mercado para contrariar distorções económicas.
Ao abrigo do acordo de outubro, a UE vai introduzir quotas específicas por país que permitirão a entrada anual no mercado europeu de 350 000 automóveis híbridos chineses durante quatro anos, com uma taxa fixa de ajustamento anual de 6%.
Alargar o acordo a novos setores
A Comissão pretende estender o acordo a outros setores, mas responsáveis europeus alertam que os progressos dependerão também da resposta de Pequim aos esforços do executivo comunitário para reforçar os seus instrumentos de defesa comercial.
A Comissão deverá apresentar em 9 de outubro um novo instrumento destinado a incentivar as empresas europeias a diversificarem os fornecedores de produtos estratégicos, reduzindo assim a dependência em relação à China.
Espera igualmente divulgar uma proposta para o chamado “kill switch” nessa mesma semana e antes da cimeira de dezembro dos líderes da UE. Impulsionado pela França e pela Alemanha no início deste mês, o mecanismo permitiria à Comissão adotar medidas drásticas contra Pequim em caso de pressão económica sobre o mercado europeu.
Outra medida unilateral de defesa comercial da UE, dirigida a produtos químicos e maquinaria industrial chineses, poderá também ser apresentada em dezembro, com o risco de desencadear contramedidas chinesas.
De acordo com os dados aduaneiros chineses mais recentes, as exportações da China para a UE continuaram a aumentar, subindo 25% no último ano.