A polícia voltou a intervir contra as acampadas no Rossio e na Praça D. João I na madrugada de domingo. Há registo de vários detidos e feridos em Lisboa e no Porto.
Ouviram-se gritos de “cheira a ditadura” quando as unidades especiais da Polícia de Segurança Pública (PSP) desferiram bastonadas sobre os manifestantes em Lisboa e no Porto. As autoridades levaram a cabo uma operação simultânea de desmobilização das acampadas montadas na Praça do Rossio e na Praça D. João I, em Lisboa e no Porto, respetivamente.
Há relatos de vários detidos e de alguns feridos.
Segundo apurou o jornal Observador, a PSP registou 11 feridos: seis em Lisboa e cinco no Porto. Entre os 11 feridos, 3 são agentes da polícia. Enquanto uma porta-voz da acampada do Porto disse à Lusa que houve 37 feridos ligeiros mais dois detidos.
“É a terceira noite em que somos reprimidos com um método de intimidação total que jamais se esperaria num país democrático e de Direito”, declarou aos jornalistas Catarina dos Santos, porta-voz da acampada no Porto.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) tinha avisado no início da tarde que não permitiria que as tendas permanecessem durante a noite no Rossio.
A permanência de tendas nas Praças do Rossio e de D. João I (no Porto) tem sido o principal ponto de discórdia com a polícia nas últimas semanas de protesto. Quando caiu a noite, os manifestantes decidiram, em assembleia popular, montar as tendas para pernoitar.
Cerca de 130 tendas foram montadas na Praça do Rossio em Lisboa.
A operação de remoção das tendas começou por volta da 1:00 da madrugada nas duas cidades, depois de os manifestantes começarem a ver um reforço policial “desmesurado”, com recurso a equipas cinotécnicas a agrupar-se nas praças onde montaram as tendas.
“Havia pelo menos 20 cães de controlo de multidões, claramente atiçados, com várias armas apontadas para nós e, se isto não é intimidatório e grave, não sei o que é", lamentou Catarina Santos, citada pela Lusa. Seguiu-se um período de conversas com os organizadores do protesto, que rejeitaram a “retirada das tendas”, segundo a RTP.
Perto das 2 da madrugada de domingo, o contingente policial tinha as duas praças cercadas e começou a desmobilizar os manifestantes, que formaram um cordão humano, “à bastonada”, e a retirar as tendas à força. Durante a intervenção policial, ouviram-se petardos e muita confusão. Na Praça D. João I, as pessoas que estavam à volta criticaram a atuação da PSP e começaram a entoar o “Grandola Vila Morena”, música do 25 de Abril.
A operação de “limpeza” das praças foi rápida, as tendas foram imediatamente removidas pelas autoridades e os manifestantes que prometem voltar procuraram refúgio nas praças vizinhas.
Os movimentos Acampada de Lisboa e do Porto pedem medidas como a reversão da lei do arrendamento, o fim dos despejos de pessoas sem alternativa habitacional, um travão à compra de imóveis por fundos imobiliários, a recuperação de prédios devolutos e um teto para as rendas.