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“Cheira a ditadura”. Carga policial contra a acampada em Lisboa e no Porto faz vários feridos

Tendas na Acampada do Rossio em Lisboa montadas após manifestação contra a crise na habitação. 24.10.2026
Tendas na Acampada do Rossio em Lisboa montadas após manifestação contra a crise na habitação. 24.10.2026 -  Direitos de autor  Manuel Ribeiro/Euronews
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A polícia voltou a intervir contra as acampadas no Rossio e na Praça D. João I na madrugada de domingo. Há registo de vários detidos e feridos em Lisboa e no Porto.

Ouviram-se gritos de “cheira a ditadura” quando as unidades especiais da Polícia de Segurança Pública (PSP) desferiram bastonadas sobre os manifestantes em Lisboa e no Porto. As autoridades levaram a cabo uma operação simultânea de desmobilização das acampadas montadas na Praça do Rossio e na Praça D. João I, em Lisboa e no Porto, respetivamente.

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Há relatos de vários detidos e de alguns feridos.

Segundo apurou o jornal Observador, a PSP registou 11 feridos: seis em Lisboa e cinco no Porto. Entre os 11 feridos, 3 são agentes da polícia. Enquanto uma porta-voz da acampada do Porto disse à Lusa que houve 37 feridos ligeiros mais dois detidos.

“É a terceira noite em que somos reprimidos com um método de intimidação total que jamais se esperaria num país democrático e de Direito”, declarou aos jornalistas Catarina dos Santos, porta-voz da acampada no Porto.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) tinha avisado no início da tarde que não permitiria que as tendas permanecessem durante a noite no Rossio.

A permanência de tendas nas Praças do Rossio e de D. João I (no Porto) tem sido o principal ponto de discórdia com a polícia nas últimas semanas de protesto. Quando caiu a noite, os manifestantes decidiram, em assembleia popular, montar as tendas para pernoitar.

Cerca de 130 tendas foram montadas na Praça do Rossio em Lisboa.

130 tendas montadas na Praça do Rossio, Lisboa.
130 tendas montadas na Praça do Rossio, Lisboa. Manuel Ribeiro/Euronews

A operação de remoção das tendas começou por volta da 1:00 da madrugada nas duas cidades, depois de os manifestantes começarem a ver um reforço policial “desmesurado”, com recurso a equipas cinotécnicas a agrupar-se nas praças onde montaram as tendas.

“Havia pelo menos 20 cães de controlo de multidões, claramente atiçados, com várias armas apontadas para nós e, se isto não é intimidatório e grave, não sei o que é", lamentou Catarina Santos, citada pela Lusa. Seguiu-se um período de conversas com os organizadores do protesto, que rejeitaram a “retirada das tendas”, segundo a RTP.

Perto das 2 da madrugada de domingo, o contingente policial tinha as duas praças cercadas e começou a desmobilizar os manifestantes, que formaram um cordão humano, “à bastonada”, e a retirar as tendas à força. Durante a intervenção policial, ouviram-se petardos e muita confusão. Na Praça D. João I, as pessoas que estavam à volta criticaram a atuação da PSP e começaram a entoar o “Grandola Vila Morena”, música do 25 de Abril.

A operação de “limpeza” das praças foi rápida, as tendas foram imediatamente removidas pelas autoridades e os manifestantes que prometem voltar procuraram refúgio nas praças vizinhas.

Um cartaz colocado na estátua D. Pedro IV, no Rossio, Lisboa, 24.10.2026
Um cartaz colocado na estátua D. Pedro IV, no Rossio, Lisboa, 24.10.2026 Manuel Ribeiro/Euronews

Os movimentos Acampada de Lisboa e do Porto pedem medidas como a reversão da lei do arrendamento, o fim dos despejos de pessoas sem alternativa habitacional, um travão à compra de imóveis por fundos imobiliários, a recuperação de prédios devolutos e um teto para as rendas.

Outras fontes • RTP, Lusa

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