A Áustria é, tal como a Alemanha, um dos países que querem limitar a despesa da UE. O chanceler Christian Stocker ameaça agora vetar os planos de longo prazo da União Europeia.
Não foi só o chanceler Friedrich Merz, em representação do maior contribuinte líquido da União Europeia, a opor-se às propostas de orçamento de longo prazo da Comissão Europeia na cimeira em Bruxelas.
Nesta segunda-feira, o chanceler federal Christian Stocker, da conservadora ÖVP – que, tal como a CDU/CSU, integra o grupo do Partido Popular Europeu (PPE) no Parlamento Europeu –, ameaçou com um veto da Áustria. “Há um limite de tolerância para a Áustria. Se esse limite for ultrapassado, não darei a minha aprovação”, afirmou Stocker em entrevista ao jornal alemão “Welt”.
Para conseguir fechar ainda este ano o orçamento para sete anos da UE (2028-2034), é necessária a aprovação dos 27 chefes de Estado e de governo. O veto de um só país basta para bloquear o processo.
No último encontro, em meados de outubro, os 27 não conseguiram chegar a um acordo.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, propuseram um orçamento para sete anos de 1 985 mil milhões de euros. Como compromisso, a Irlanda, que detém atualmente a presidência do Conselho, defendeu cortes de 160 mil milhões de euros.
Mas isso não chega para os chamados Estados “frugais”, que incluem, além da Áustria e da Alemanha, os governos da Finlândia, dos Países Baixos, da Suécia e da Dinamarca.
Áustria exige menos funcionários da UE
Christian Stocker critica também os planos da Comissão para criar 2 500 novos postos para funcionários da UE. “Na Áustria estamos a cortar 2 600 lugares na administração pública e, em contrapartida, recorremos cada vez mais à IA. Espero algo semelhante das instituições europeias, Bruxelas também o pode fazer. Fala‑se sempre de excesso de regulação e de burocracia na UE. Se a burocracia europeia for travada porque haverá menos funcionários a produzi-la, tanto melhor”, explicou o chefe do governo austríaco.
Muitas decisões em Bruxelas deverão, segundo a imprensa, ser aprovadas antes das eleições presidenciais em França, na primavera de 2027. De momento, a política eurocética Marine Le Pen lidera as sondagens.
Mais recentemente, também a Federação Europeia de Contribuintes, a Taxpayers Association of Europe (TAE), exigiu maior disciplina na despesa. O presidente da TAE, Michael Jäger, disse à Euronews que Bruxelas deve antes de mais avaliar a eficácia das próprias despesas e que um orçamento maior não significa necessariamente políticas melhores.
Segundo o Instituto da Economia Alemã, a Alemanha terá pago em 2024, no total, mais 13,1 mil milhões de euros para o orçamento da UE do que recebeu de volta.
Em proporção ao produto interno bruto (PIB), a Áustria ocupou em 2024 o 3.º lugar na lista dos contribuintes líquidos; em despesa per capita ficou em 4.º lugar, atrás da Alemanha, da Irlanda e da Suécia.