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Última hora. "Não gostei do que vi": Presidente da República reage a cargas policiais contra manifestantes

António José Seguro, Presidente da República
António José Seguro, Presidente da República -  Direitos de autor  AP Photo/Armando Franca
Direitos de autor AP Photo/Armando Franca
De Ema Gil Pires
Publicado a •Últimas notícias
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Foi a primeira reação do chefe de Estado aos incidentes registados na Praça do Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, na madrugada de domingo.

O Presidente da República, António José Seguro, afirmou esta terça-feira não ter ficado agradado com as imagens da carga policial contra os manifestantes que estavam acampados, na madrugada de domingo, na Praça do Rossio, em Lisboa.

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“Não gostei do que vi nas imagens recentes, designadamente em Lisboa, no passado sábado. E, desde as sete da manhã desse domingo, tenho estado sempre, sempre atento, preocupado, a recolher informação, a exigir as informações de quem devo. Esse é o papel do Presidente da República”, assegurou o chefe de Estado.

António José Seguro disse ainda aos jornalistas que se reuniu, na segunda-feira, com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, acrescentando que "este foi um dos temas que foram falados".

Esta foi a primeira reação do chefe de Estado aos incidentes registados na Praça do Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, na madrugada de domingo, e surge na sequência de críticas provenientes de vários quadrantes políticos, que têm acusado o Presidente de estar a evitar pronunciar-se sobre o tema.

Em declarações aos jornalistas na capital do país, detalhou ainda que as imagens das referidas ocorrências "não são normais para uma democracia consolidada" e que sempre defendeu, e defenderá, "o diálogo". Um princípio que, afirmou também, deve ser colocado "como solução para os problemas, e nunca a violência".

"Cultura portuguesa é uma cultura de diálogo"

Nesse momento, António José Seguro referiu ainda que é necessário assegurar a "defesa do Estado de direito democrático", tendo indicado estar "vigilante" para garantir a sua manutenção. Tal implica, acrescentou, "a garantia de que o direito à liberdade e à manifestação estão garantidos e, simultaneamente, o respeito pela lei, a começar pela Constituição da República Portuguesa".

Sublinhando, assim, que "lei e liberdade não são incompatíveis, bem pelo contrário", o chefe de Estado quis notar que "a cultura portuguesa é uma cultura de diálogo" e não "de confronto". Tendo elaborado: "Para exercermos a liberdade, temos de nos respeitar a todos, e para nos respeitarmos todos, temos de cumprir a lei. E isso aplica-se às autoridades e a todos os cidadãos."

Por estes motivos, mencionou também, fez "um apelo na segunda-feira passada, no sentido de que os partidos políticos e o governo se entendessem". E explicou: "Porque a solução para os problemas da habitação é obtida, ou é garantida, através de decisões de políticas públicas." As quais são, lembrou, "decididas pelo Governo e pelo Parlamento".

Como noticiou a Euronews no fim de semana, as autoridades levaram a cabo uma operação simultânea de desmobilização das acampadas montadas na Praça do Rossio e na Praça D. João I na madrugada de domingo, com registo de feridos. As unidades especiais da Polícia de Segurança Pública (PSP) desferiram bastonadas sobre os manifestantes em Lisboa e no Porto, numa intervenção que tem sido também criticada por várias franjas da sociedade.

A permanência de tendas nas referidas praças tem sido o principal ponto de discórdia entre polícia e manifestantes, que se têm mobilizado pelo direito à habitação ao longo das últimas semanas.

*Notícia em atualização

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