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Países Baixos: ações da Besi disparam após Applied Materials procurar duplicar participação

ARQUIVO. Yann Lapnet segura uma pastilha de silício com chips gravados na Applied Materials, em Sunnyvale, Califórnia, 22 de maio de 2023
ARQUIVO. Yann Lapnet segura uma pastilha de silício com chips gravados na Applied Materials, em Sunnyvale, Califórnia, 22 de maio de 2023 -  Direitos de autor  Jim Wilson/The New York Times via AP
Direitos de autor Jim Wilson/The New York Times via AP
De Quirino Mealha
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As ações da holandesa Besi, fabricante de equipamento para chips, dispararam terça‑feira depois de a norte‑americana Applied Materials anunciar que quer elevar a sua participação de 9% para cerca de 20%, reforçando a parceria na tecnologia usada em hardware de IA.

A empresa holandesa BE Semiconductor Industries (Besi), fabricante de máquinas usadas na montagem e embalagem de semicondores, viu as suas ações subirem mais de 10%, para acima de 160 euros por título, ao início da tarde de terça-feira.

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A subida ocorreu depois de a Applied Materials, um dos maiores produtores mundiais de máquinas para fabrico de chips, ter anunciado, na noite de segunda-feira, que vai aumentar a participação na Besi para cerca de 20%, face aos 9% que detém desde abril de 2025.

Num comunicado, a Applied informou que assinou um acordo de compra acelerada de ações para adquirir este lote adicional, cuja entrega depende de uma análise ao abrigo da legislação antitrust norte-americana.

O grupo sediado na Califórnia qualificou a participação como um investimento de longo prazo e acrescentou que “não tem, atualmente, intenção de aumentar o investimento na Besi para além de cerca de 20%”.

A empresa adiantou ainda que não irá pedir lugar no conselho de administração da companhia holandesa.

Prabu Raja, presidente da divisão de produtos de semicondores da Applied, explicou no mesmo comunicado que a empresa está a reforçar a posição na Besi porque a ligação híbrida e as novas formas de interligar chips são cada vez mais críticas para o processamento de inteligência artificial com maior eficiência energética.

“Esperamos também aprofundar a nossa colaboração estratégica com a Besi”, concluiu Raja.

Ligação híbrida e inteligência artificial

A colaboração das duas empresas na área da ligação híbrida remonta a 2020.

A técnica liga diretamente os chips uns aos outros, sem recorrer aos minúsculos pontos de solda, permitindo empilhá-los de forma mais compacta, e é vista como essencial para a próxima geração de processadores e memórias de IA.

Em 1 de outubro, num comunicado conjunto, alargaram a parceria a outras tecnologias de embalagem, com a Besi a tornar-se “parceira de inovação” no novo centro de investigação e desenvolvimento da Applied, no Silicon Valley, conhecido como EPIC Center.

No mesmo texto, Raja afirmou que a embalagem avançada passou a ser sobretudo um desafio de engenharia de materiais, mais do que uma etapa final de montagem.

O diretor-executivo da Besi, Richard Blickman, considerou a entrada no centro “um passo natural seguinte”.

Porque não avançar para uma aquisição

A promessa da Applied de ficar pelos 20% mantém a empresa bem abaixo de um limiar crucial. Pela legislação holandesa sobre aquisições, qualquer investidor que ultrapasse 30% dos direitos de voto de uma cotada tem de apresentar uma oferta sobre a totalidade da empresa.

Uma aquisição total teria ainda de passar pelo crivo de Pequim.

Ambas as empresas têm vendas significativas na China, o que dá margem de intervenção ao regulador da concorrência chinês em qualquer eventual fusão.

Cerca de 30% das receitas da Applied em 2025 tiveram origem na China, enquanto a Besi opera uma fábrica na cidade chinesa de Leshan, na província de Sichuan.

A Applied já esteve numa situação semelhante. Em 2021, desistiu de adquirir a japonesa Kokusai Electric, fabricante de máquinas para produção de chips, quando a aprovação das autoridades chinesas não chegou a tempo.

A decisão agora anunciada surge também após uma forte queda da cotação da Besi.

As ações perderam cerca de metade do valor desde o máximo de 317 euros registado em junho, arrastadas por uma correção mais ampla nas empresas de semicondores.

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