Afirma o Banco do Japão esta sexta-feira que a inflação atingiu a meta de 2%, mais de 13 anos após a sua adoção para tirar a economia da deflação, mas mantém inalteradas as taxas de juro por agora
Governos sucessivos lutaram, durante décadas, para tirar o país de uma espiral de deflação, quedas prolongadas dos preços que prejudicam o crescimento económico, e a meta de 2% foi fixada em 2013, quando o Banco do Japão (BoJ) lançou medidas maciças de afrouxamento monetário.
Embora a inflação subjacente ao consumo tenha ultrapassado pontualmente esse nível no início da década de 2020, esta sexta-feira marcou a primeira vez em que o banco central confirmou que a tendência de preços de longo prazo tinha sido atingida.
“A inflação subjacente do IPC (índice de preços no consumidor) está num nível que é, em geral, consistente com o objetivo de estabilidade de preços de dois por cento e deverá manter-se em torno desse nível”, afirmou o banco central no seu site.
Apesar de o banco central considerar a inflação sustentável, o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi tem sido mais cauteloso em declarar oficialmente vitória sobre a deflação.
“Ainda não chegámos lá”, disse na semana passada o ministro da Economia, Minoru Kiuchi.
Takaichi é vista como dando prioridade a medidas de estímulo económico em detrimento do controlo da inflação, correndo o risco de dar a impressão de que pressiona o BoJ para manter as taxas baixas.
O BoJ afirmou também, em comunicado, que manteve inalterada a sua taxa de juro diretora em 1,25%, após uma votação de oito contra um, na sequência de decisões semelhantes, nos últimos dois dias, por parte da Reserva Federal dos EUA e do Banco Central Europeu.
No entanto, espera-se que os responsáveis japoneses avancem com uma subida em dezembro, à medida que aumenta a pressão inflacionista.
O Japão enfrenta aumentos sustentados dos preços ao consumidor desde a primavera de 2022 e o BoJ começou a apertar as taxas em março de 2024, após 10 anos de política monetária ultraexpansionista.
A inflação subjacente em setembro situou-se em 2,1%, bem acima dos 1,7% registados em agosto, segundo dados divulgados pelo governo na semana passada.
O BoJ advertiu, esta sexta-feira, que a taxa homóloga de subida do IPC, excluindo alimentos frescos, “deverá acelerar para um nível claramente acima de dois por cento”.
O banco explicou que tal se deve a vários fatores, incluindo a subida dos custos do petróleo, que “deverá fazer aumentar os preços, sobretudo da energia e dos bens”, e a subida do preço dos semicondutores, refletindo o aumento da procura global ligada à IA.
A desvalorização do iene também é um fator, acrescentou.
Marcel Thieliant, da Capital Economics, afirmou que “um novo aperto parece muito provável e esperamos que a taxa de referência atinja 2% até meados do próximo ano”.
Acrescentou que, se alguma coisa, os riscos apontam para mais aperto depois disso.