Esta detenção acontece cerca de duas semanas depois de outro jornalista português ter sido detido pelas tropas israelitas em circunstâncias em tudo semelhantes. O Ministério dos Negócios Estrangeiros ainda não se pronunciou.
As tropas de Israel detiveram uma jornalista portuguesa, cujo nome não foi divulgado, durante a apanha da azeitona na Cisjordânia, num episódio em tudo semelhante àquele em que, há cerca de duas semanas, o repórter Ricardo Ribeiro, do jornal online Fumaça, foi detido juntamente com um ativista igualmente português, tendo ambos sido deportados para Portugal poucos dias depois.
Esta jornalista, de quem se desconhece não só o nome como o órgão de comunicação para o qual trabalha, foi detida na tarde de quinta-feira pelas tropas de Israel juntamente com 14 ativistas que acompanhavam a apanha da azeitona neste território palestiniano ocupado por Israel.
O ativista Frederico Carreiro, ouvido pela rádio TSF, explicou as circunstâncias em que se deu a detenção: "Esta jornalista não só estava identificada através do uso de um colete com a palavra "press" e de um capacete, como apresentou ao exército a sua carteira de jornalista, tanto a carteira portuguesa como a cédula ou a certificação pelo Estado israelita" conta.
Na mesma entrevista, Carreiro explica que a apanha da azeitona, com vista à produção de azeite, é uma atividade fundamental para a sobrevivência de grandes comunidades palestinianas e que Israel tenta dificultar ao máximo, por vezes usando meios letais, não só o processo agrícola como o próprio acesso dos proprietários aos seus olivais.
Esses bloqueios são feitos muitas vezes pelos próprios colonos, com ou sem o apoio das tropas do Tsahal.
O Sindicato dos Jornalistas emitiu um comunicado onde lamenta mais esta detenção e relembra episódios anteriores em que as tropas israelitas puseram em perigo a vida de jornalistas portugueses, incluindo uma em que dispararam contra uma coluna onde seguia uma equipa da RTP. No documento, com o título "Israel não pode continuar a prender jornalistas", o sindicato "apela à intervenção expedita do Ministério dos Negócios Estrangeiros para garantir a sua rápida libertação" e "exige uma tomada de posição em defesa dos princípios democráticos, começando pelo fim do Acordo de Associação entre Israel e a União Europeia".
A Euronews contactou o Ministério dos Negócios Estrangeiros para saber se o ministro Paulo Rangel se irá pronunciar e que diligências estão a ser feitas junto de Israel para a libertação da jornalista, estando a aguardar uma resposta.