O governo anunciou medidas, entre as quais a alteração do acesso ao ensino superior, o reforço de docentes e um limite de alunos por turma. Mas alunos dizem que não é suficiente.
Estudantes franceses que regressaram das férias de outono bloquearam alguns liceus esta segunda-feira, determinados a relançar o movimento de protesto apesar das concessões feitas pelo governo durante a pausa.
Segundo o Ministério da Educação, apenas 1% dos 3 700 liceus franceses para jovens dos 15 aos 18 anos esteve bloqueado.
Os alunos mantiveram o protesto depois de centenas de milhares de pessoas, incluindo estudantes, terem saído às ruas em todo o país no sábado, pelo terceiro fim de semana consecutivo de manifestações.
As manifestações contra o custo de vida surgiram depois de estudantes do ensino secundário terem iniciado, em setembro, protestos em todo o país sobre condições de aprendizagem e desigualdades.
O governo anunciou medidas, incluindo alterações ao processo de acesso à universidade, o reforço do número de professores e um limite para o número de alunos por turma. Mas alguns estudantes afirmam que não chega.
Na cidade meridional de Marselha, vários contentores do lixo foram empilhados em frente à entrada de um liceu na manhã de segunda-feira.
“Retomámos o movimento porque, supostamente, nos deram respostas, mas... é claramente insuficiente”, declarou Meriem, de 16 anos, à agência AFP, sentada em cima de um dos contentores.
O ministro da Educação, Édouard Geffray, afirmou à rádio France Inter que os estudantes devem voltar às aulas para evitar reprovações nos exames.
“Tenho alunos que vão fazer o exame de baccalauréat no final do ano e várias centenas de milhares deles não frequentam as aulas há quatro ou cinco semanas”, disse. Também conhecido por le bac, este é oexame nacional e o diploma de conclusão do ensino secundário francês.
O presidente Emmanuel Macron apelou a que as aulas sejam retomadas de forma calma, defendendo que “os jovens foram ouvidos”.
Com a segunda maior economia da União Europeia à beira da recessão e sob pressão para controlar a dívida, o governo tem margem limitada para acalmar os protestos estudantis através de mais despesa pública.