15 % dos estabelecimentos de ensino superior e cerca de 1 % dos liceus registam, na manhã de terça-feira, perturbações após o apelo dos sindicatos à mobilização para exigir mais meios. O movimento ocorre a dois dias do apelo à greve geral contra o custo de vida.
Várias manifestações de alunos do liceu começaram na manhã desta terça-feira em várias cidades, nomeadamente em Paris, Rennes, Lyon e Marselha, para exigir mais recursos.
Os estudantes do secundário pedem em particular a revogação do Parcoursup, o sistema informático que organiza as colocações nos estabelecimentos de ensino após o exame final do liceu.
O sistema é criticado pela sua complexidade e falta de equidade. O governo comprometeu-se a substituí-lo de forma gradual até 2028.
Na manhã de terça-feira, 48 liceus franceses estavam bloqueados, num universo de 3 700 em todo o país. O número foi avançado pelo Ministério da Educação Nacional e é muito próximo do registado na véspera.
Isto representa cerca de 1 % dos estabelecimentos do ensino secundário.
Segundo alguns meios de comunicação locais, cerca de 900 estudantes e alunos do liceu estavam presentes, de forma calma, no início da manifestação autorizada em Lyon. O protesto deverá terminar por volta das 13 horas. Esta manhã, cerca de duas dezenas de estabelecimentos foram bloqueados ou sofreram perturbações, e 17 detenções ocorreram em toda a Metrópole de Lyon, segundo os nossos colegas de Le Progrès.
Os estudantes do ensino superior respondem mais ao apelo à mobilização dos sindicatos para obter mais recursos.
Na segunda-feira, 15 % dos estabelecimentos de ensino superior (universidades, grandes écoles, centros de formação profissional) registaram perturbações.
Em Paris, a faculdade Dauphine está encerrada e a direção não espera uma reabertura antes de sexta-feira. A universidade Sorbonne-Nouvelle anunciou igualmente o encerramento de um dos seus campus na zona oriental da capital.
A mobilização estudantil deve também continuar na capital. O ajuntamento está marcado para a Praça do Panthéon às 14 horas, mas o percurso inicial em direção ao Medef (a sede do patronato francês) foi proibido pela préfecture. Foi proposto um itinerário alternativo na periferia
A continuação da mobilização de estudantes e alunos do liceu acontece a dois dias do apelo à greve contra o custo de vida elevado.
Os sindicatos de estudantes e de alunos do liceu apelaram a que se juntem à mobilização interprofissional nacional marcada para quinta-feira.
Os Coletes Amarelos, o coletivo multifacetado cujo movimento de protesto abalou França em 2018, apoiam o apelo à greve.
As autoridades ainda não validaram o percurso da manifestação em Paris e receiam uma nova vaga de distúrbios e saques, semelhantes aos que ocorreram no fim de semana de 17 de outubro.
O governo assumiu vários compromissos para responder às reivindicações dos alunos do liceu e dos estudantes.
Comprometeu-se a cancelar a eliminação de postos prevista na Educação Nacional, a criar 500 novos lugares, a limitar a 28 o número de alunos nas turmas do primeiro ano de liceu e a criar mais 15 000 vagas no ensino superior.
As organizações de juventude consideram que se trata de um “primeiro passo” insuficiente.