O site, responsabilidade do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) foi alvo de um aparente ato de pirataria informática, numa altura em que as "acampadas" continuam a dar que falar.
Quem entrasse esta quinta-feira de manhã no Portal da Habitação, o site oficial do Instituto para a Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), iria deparar-se com uma imagem curiosa.
À primeira vista, tudo parecia normal ao visitar o site, mas ao clicar nas ligações respeitantes às Áreas de Reabilitação Urbana (ARU) de cada concelho, as imagens aparecem substituídas por uma outra, aparentemente gerada por inteligência artificial, que mostra um panda com adereços "punk" sentado numa tenda numa praça, no meio de uma manifestação pela habitação. A tenda tem o símbolo da anarquia pintado num dos lados.
O aparente ataque informático ainda não foi reivindicado, nem o IHRU comentou o caso. Por volta das 13h (hora de Lisboa), as imagens continuavam no site. As ligações para essas páginas deixaram de estar disponíveis pouco depois.
Trata-se de um óbvio piscar de olhos às "acampadas" pela habitação, que têm dominado a atualidade noticiosa nas últimas semanas.
A decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa favorável à ativista Renata Cambra deu um novo alento às "acampadas" da capital e do Porto. Na terça-feira, as tendas voltaram ao Rossio, em Lisboa, e à Praça D. João I, no Porto, sem que a polícia tenha intervindo. O Ministério Público já recorreu da decisão. Na noite de sábado para domingo, no fim de semana passado, cargas policiais simultâneas para obrigar a desmontar as tendas fizeram dezenas de feridos nas duas cidades e causaram uma onda de indignação.
O IHRU está debaixo de fogo desde as declarações do presidente da instituição. Benjamim Pereira, que lidera o instituto responsável por colocar em prática a política nacional de habitação, disse a propósito dos jovens que se manifestam: "Eu não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa". Estas palavras foram criticadas inclusive pelo ministro da Habitação e Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, que as considerou "infelizes".