Na União Europeia, a idade de reforma dos homens deverá subir dos atuais 64,7 para 66,7 anos até ao final da década de 2060; nas mulheres, de 64 para 66,4 anos.
Cerca de dois terços dos países europeus deverão aumentar a idade de reforma dos homens, enquanto três quartos deverão fazê-lo no caso das mulheres.
Segundo uma análise da Euronews a dados de 32 países, os homens terão idades de reforma mais elevadas em 21 e as mulheres em 24.
Em toda a UE, espera-se que a idade normal de reforma aumente dois anos para os homens e 2,4 anos para as mulheres, segundo o relatório Pensions at a Glance 2025 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
A comparação é feita entre as pessoas que se reformam em 2024 e aquelas que, nesse ano, entram no mercado de trabalho com 22 anos, pressupondo uma carreira sem interrupções. Este segundo grupo deverá reformar-se, em média, no final da década de 2060.
“Aumentar as idades de reforma continua a ser uma estratégia comum para melhorar a sustentabilidade financeira dos sistemas de pensões sem reduzir os montantes das pensões”, lê-se no relatório.
“Em alternativa, a sustentabilidade financeira pode ser assegurada aumentando as contribuições pagas ou reduzindo o valor das prestações.”
Onde vão subir mais as idades de reforma e que países terão as mais elevadas?
Europa: onde os homens se reformam mais cedo e mais tarde atualmente
De acordo com dados da OCDE para 2024, a idade de reforma mais elevada para homens é de 67 anos, registada na Dinamarca, Noruega, Islândia e Países Baixos. A média da UE é de 64,7 anos.
A Turquia é uma exceção clara, com idade de reforma de 52 anos. O valor imediatamente abaixo é de 62 anos, verificado na Grécia, Eslovénia e Luxemburgo.
Entre as cinco maiores economias europeias, a Alemanha tem a idade de reforma masculina mais alta, 66,2 anos, enquanto a França tem a mais baixa, 64,3 anos.
Onde a idade de reforma dos homens vai chegar aos 70 anos ou mais
Na UE, os homens que entraram no mercado de trabalho em 2024 com 22 anos deverão reformar-se em média aos 66,7 anos, por volta de 2069.
A Dinamarca deverá registar a idade de reforma masculina mais elevada, 74 anos. No final da década de 2060, a idade de reforma chegará aos 71 anos na Estónia e aos 70 em Itália, nos Países Baixos, na Suécia e em Chipre.
As idades de reforma masculina mais baixas serão de 62 anos na Eslovénia e no Luxemburgo.
Entre as maiores economias europeias, os homens em Itália terão a idade de reforma futura mais elevada, 70 anos, seguindo-se os do Reino Unido, com 68, e da Alemanha, com 67. Em França e em Espanha, a idade de reforma masculina será de 65 anos.
Turquia enfrenta maior subida para homens: 13 anos
Na Turquia, os homens enfrentarão o maior aumento, com a idade de reforma a subir 13 anos, de 52 para 65.
Na Dinamarca, a idade de reforma masculina aumentará sete anos, seguindo-se a Estónia, Itália, Eslováquia e Chipre, onde a subida será de pelo menos cinco anos.
A idade de reforma dos homens aumentará quatro anos tanto na Suécia, chegando aos 70, como na Grécia, chegando aos 66. Nos Países Baixos subirá três anos, até 70, e na Finlândia até 68.
O aumento será também de, pelo menos, dois anos em Portugal e no Reino Unido, onde a idade de reforma atingirá 68 anos, bem como na Chéquia, Roménia e Bélgica, onde chegará aos 67.
Na Alemanha e em França, os homens terão aumentos inferiores a um ano, enquanto a idade de reforma permanecerá inalterada em vários outros países.
Onde a idade de reforma das mulheres será mais alta
No caso das mulheres, a Dinamarca, os Países Baixos, a Islândia e a Noruega têm atualmente a idade de reforma mais elevada, 67 anos. A média na UE é de 64 anos.
A Turquia tem, de longe, a idade de reforma feminina mais baixa, 49 anos, seguida da Polónia, com 60.
Na UE, as mulheres que entraram no mercado de trabalho em 2024 com 22 anos deverão reformar-se em média aos 66,4 anos, ou seja, 2,4 anos mais tarde do que as mulheres que se reformaram em 2024.
Tal como nos homens, a Dinamarca terá a idade de reforma futura mais elevada para mulheres, 74 anos. Prevê-se que atinja 71 anos na Estónia e 70 em Itália, enquanto as mulheres nos Países Baixos, na Suécia e em Chipre também se reformarão aos 70.
No seio da UE, a Polónia continuará a ter, no final da década de 2060, a idade de reforma feminina mais baixa, 60 anos.
Entre as maiores economias europeias, as mulheres em Itália terão a idade de reforma mais elevada, 70 anos, seguindo-se as do Reino Unido, com 68. A idade de reforma feminina chegará aos 67 anos na Alemanha e aos 65 em França e em Espanha.
Como a idade de reforma atual das mulheres na Turquia é excecionalmente baixa, o país registará o maior aumento: 14 anos, de 49 para 63.
A subida será de sete anos tanto em Itália como na Dinamarca. Estão também previstos aumentos de pelo menos quatro anos na Estónia, de 6,3 anos; na Eslováquia, 5,8; em Chipre, cinco; na Roménia, 4,8; na Áustria, 4,5; e na Suécia e na Grécia, quatro anos cada.
Em Espanha, a idade de reforma das mulheres permanecerá nos 65 anos. Na Alemanha e em França, o aumento será inferior a um ano, enquanto no Reino Unido será de dois anos.
Populações envelhecidas pressionam sistemas de pensões
Em alguns países, as alterações na esperança de vida vão influenciar a idade de reforma. A Dinamarca, por exemplo, poderá suavizar a atual ligação direta entre idade de reforma e esperança de vida.
Nesse caso, “a idade normal de reforma projetada para o futuro seria inferior a 74 anos”, de acordo com o relatório.
O relatório alerta que as populações dos países da OCDE vão envelhecer rapidamente nos próximos 25 anos. Por cada 100 pessoas entre os 20 e os 64 anos, o número de pessoas com 65 ou mais deverá aumentar de 33 em 2025 para 52 em 2050. Em 2000, este valor era de 22.