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MySpace pode voltar: donos dão pista forte, eis o que se sabe

Foto de arquivo – A cantora Adele, que se tornou popular no MySpace, presta homenagem a George Michael na 59.ª edição dos Grammy, em 12 de fevereiro de 2017, em Los Angeles
ARQUIVO - A cantora Adele, que alcançou popularidade no MySpace, presta tributo a George Michael na 59.ª edição dos Grammy Awards, em Los Angeles, a 12 de fevereiro de 2017. Direitos de autor  Photo by Matt Sayles/Invision/AP
Direitos de autor Photo by Matt Sayles/Invision/AP
De Indrabati Lahiri
Publicado a Últimas notícias
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Embora o eventual relançamento do MySpace deva despertar bastante nostalgia e expectativa, analistas alertam que a rede social poderá ter dificuldade em competir no mercado atual

O MySpace, que chegou a ser a rede social mais popular do mundo em meados dos anos 2000, pode estar prestes a regressar. O possível regresso surge numa altura em que muitos utilizadores de redes sociais procuram novamente experiências nostálgicas e analógicas, em vez de feeds guiados por algoritmos.

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Os atuais proprietários da plataforma, Tim e Chris Vanderhook, que também fundaram a Viant Technology, deixaram no ar a hipótese de um relançamento num documentário intitulado “MySpace”.

“Continuamos a ser donos do MySpace. Somos, neste momento, os guardiões da marca MySpace e vamos relançar o MySpace. Estamos apenas à espera do momento certo para o fazer. E, se essa tentativa não resultar, voltamos a tentar”, disseram os irmãos Vanderhook no documentário.

A plataforma foi criada em 2003 por Tom Anderson e Chris DeWolfe, dando origem ao icónico perfil “Tom from MySpace”, o primeiro amigo de todos os novos utilizadores.

Este potencial regresso surge depois de uma tentativa falhada em 2013, quando a empresa procurou transformar-se num painel de descoberta de música de nicho, em vez de manter uma rede social completa.

Na década de 2000, a plataforma ganhou rapidamente popularidade e chegou a tornar-se, em 2006, o site mais visitado nos Estados Unidos, ultrapassando o Yahoo Mail e o Google Search em número de visitas.

Isto devia-se sobretudo ao entusiasmo dos utilizadores pelas opções de personalização de perfis e pelas funcionalidades de integração de música. Ferramentas como o “Top 8”, um ranking público dos melhores amigos, e as bandas sonoras associadas a cada perfil contribuíram ainda mais para o elevado nível de envolvimento.

A plataforma captou também, com naturalidade, a subcultura “emo” dos anos 2000 e outros movimentos alternativos.

No entanto, a popularidade da plataforma começou a cair por volta de 2009, sobretudo devido à ascensão do Facebook, o que tornou mais difícil fidelizar anunciantes.

Uma sucessão de mudanças na propriedade e na gestão ao longo dos anos também contribuiu para a quebra do interesse dos utilizadores.

Sobreviver num mercado diferente

O MySpace poderá ter uma oportunidade importante para conquistar uma nova vaga de utilizadores mais jovens, que lidam atualmente com uma crescente fadiga digital e se mostram cada vez mais fascinados por dispositivos analógicos, redes sociais mais simples e pela cultura do início dos anos 2000.

Os utilizadores da geração millennial continuam igualmente a procurar a autenticidade do MySpace, sem necessidade de filtros infinitos nem de uma performance social constante. A marca mantém ainda um elevado reconhecimento.

Mas os analistas alertam que a plataforma poderá ter dificuldades no relançamento, dado que o mercado é hoje fundamentalmente diferente do de meados dos anos 2000. O panorama atual é altamente competitivo e está saturado por gigantes como o Facebook, o Instagram, o TikTok e o Snapchat.

Assim, tentar competir diretamente com estas plataformas pode ser muito desafiante e tornar bastante mais difícil atrair anunciantes.

A base de utilizadores também mudou profundamente na última década, com pessoas habituadas a feeds guiados por algoritmos e a conteúdos pensados para níveis de atenção muito mais curtos.

Mercados-chave como os Estados Unidos e a União Europeia têm ainda registado, nos últimos anos, uma evolução rápida da regulamentação, com maior escrutínio em matéria de segurança digital e proteção de dados.

No passado, o MySpace perdeu terreno para o Facebook devido às mesmas funcionalidades que antes o tornavam único: as opções de música e de personalização, que acabaram por se tornar demasiado barulhentas, confusas e complicadas para utilizadores que procuravam um feed mais simples e limpo.

Por isso, a plataforma terá de encontrar uma forma de equilibrar melhor a sua diferenciação com aquilo que os utilizadores atuais procuram, como interfaces limpas e melhor capacidade de descoberta de conteúdos, se quiser ter uma hipótese de sucesso no mercado de hoje.

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