Plano do administrador-delegado Luigi Lovaglio visa reforçar o Mps e travar a Opas de 30,5 mil milhões da Intesa Sanpaolo, aprovada com nove votos a favor e quatro abstenções
Conselho de administração de Banca Monte dei Paschi di Siena (Mps) aprovou o plano apresentado pelo administrador‑delegado, Luigi Lovaglio, para promover duas ofertas públicas de troca separadas sobre Banco Bpm e Banca Generali, de forma a construir uma alternativa industrial à Opas (Oferta Pública de Aquisição e Troca) lançada pela Intesa Sanpaolo sobre o banco senense.
A decisão foi tomada na quinta‑feira, no final da reunião extraordinária do conselho de administração do Monte dei Paschi di Siena.
Em cima da mesa estavam as possíveis contramedidas para se defender da Opas da Intesa Sanpaolo, de cerca de 30,5 mil milhões de euros, que pretende adquirir o controlo do banco senense através de uma oferta dirigida aos acionistas da Mps.
A resposta, apresentada ao conselho de Rocca Salimbeni pelo CEO Luigi Lovaglio, prevê duas distintas Ofertas Públicas de Troca (Ops), inteiramente em ações da Mps, sobre Banco Bpm e Banca Generali.
Após cerca de sete horas de reunião, o conselho de administração da Mps aprovou, com nove votos a favor e quatro abstenções, o plano do administrador‑delegado Luigi Lovaglio.
Objetivo é reforçar a dimensão e o peso da Mps no sistema bancário italiano, através da criação de um grupo de maior dimensão.
A operação poderá ainda alterar a estrutura acionista do Banco Bpm: entre os principais sócios do banco figura Crédit Agricole, que detém uma participação significativa. A oferta da Mps sobre Banco Bpm não foi concertada com a gestão do banco e insere‑se, por isso, num confronto já complexo entre os principais acionistas. Também a Banca Generali, controlada pela Assicurazioni Generali, é abrangida pela estratégia da Mps, com uma operação distinta da de Banco Bpm.
Crédit Agricole não comenta, para já, a decisão do conselho de administração do Monte dei Paschi di Siena de lançar uma oferta sobre Banco Bpm. A informação foi avançada pelo banco francês à Ansa. Também a Banca Generali não prestou comentários após o aval do conselho de administração da Mps à segunda oferta de troca.
Salvini defende a Mps e reivindica o relançamento do banco
Vice‑primeiro‑ministro e líder da Liga, Matteo Salvini comentou na quinta‑feira as possíveis evoluções do sistema bancário italiano, sublinhando a necessidade de proteger “a história, a autonomia e o pessoal” de instituições como Monte dei Paschi di Siena, “símbolos do dinamismo de cidades com tradições centenárias”.
“Acompanhamos com atenção as propostas para uma futura reestruturação do sistema bancário italiano”, refere, em comunicado, Matteo Salvini.
Salvini reivindicou o papel da Liga no resgate e no relançamento da Mps. “Participámos com entusiasmo no resgate do Monte dei Paschi, um dos primeiros atos do novo governo, reabilitando um nome glorioso que se tinha tornado símbolo da má governação da esquerda na Toscana. Vê‑lo regressar ao centro da cena económica italiana é um sucesso de que, enquanto Liga, só podemos orgulhar‑nos”, explica o vice‑primeiro‑ministro.
Ataques ao Governo “metido no ‘risiko’ bancário”
Na manhã de quinta‑feira, o senador de Italia Viva Ivan Scalfarotto criticou a postura do governo Meloni no “risiko” bancário, classificando‑a como “absurda e inexplicável”.
Scalfarotto acusou o executivo de ter intervido tanto na operação UniCredit‑Banco Bpm como na Opas da Intesa Sanpaolo sobre a Mps, pedindo ao Governo que mantenha uma posição de neutralidade.
“Chegámos ao ponto de loucura em que, no espaço de alguns meses, o Governo atacou os dois CEO dos dois bancos mais importantes do país. Nós não somos adeptos, mas acreditamos no mercado: o que conta são os números, que vença o melhor”, afirmou Scalfarotto.
“Não nos interessa o futuro de Orcel, Messina, Lovaglio ou Donner; o que nos interessa é que o Governo se mantenha fora destes processos. Pedimos a neutralidade do Governo e, em vez disso, mais uma vez, os homens de Meloni entram de forma musculada em operações financeiras das quais deviam manter‑se afastados”, acrescenta o senador de Italia Viva.
Reação dos mercados
Entretanto, o mercado reage ao “risiko” bancário.
De acordo com os dados de quinta‑feira, a Piazza Affari seguia em ligeira alta de 0,35%. As ações da Mps avançam 1,05%, enquanto as de Bpm progridem 0,21%. Em destaque está a Banca Generali, controlada pelo Leão de Trieste, que sobe 2,08%. A Intesa Sanpaolo ganha 0,90%, enquanto a Generali regista uma subida de 0,61%. A Unipol, que tem um acordo com a Intesa para depois da Opas sobre a Mps, recua, por seu lado, 1,97%.