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Europa: preços do gás disparam com nova escalada de combates no Médio Oriente

ARQUIVO – Um funcionário trabalha em tubagens para ligar o terminal de GNL de Brunsbuettel à rede de gás alemã, em Brunsbuettel, Alemanha, segunda-feira, 6 fev. 2023
Arquivo – Um trabalhador prepara tubagens para ligar o terminal de GNL de Brunsbuettel à rede de gás alemã, em Brunsbuettel, Alemanha, segunda‑feira, 6 fev. 2023 Direitos de autor  Marcus Brandt/dpa via AP, File
Direitos de autor Marcus Brandt/dpa via AP, File
De Doloresz Katanich
Publicado a Últimas notícias
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O preço de referência do gás natural no mercado holandês TTF ultrapassou 70 euros por megawatt-hora esta segunda-feira, devido à retoma dos combates entre os EUA e o Irão, que alimenta receios de novos atrasos nas exportações de GNL do Golfo Pérsico.

O preço de referência europeu do gás no índice holandês TTF subiu acima dos 70 euros por megawatt-hora esta segunda-feira, numa altura em que a incerteza quanto ao fornecimento de GNL a partir do Golfo mantém a pressão em alta sobre os preços.

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No domingo, forças norte-americanas atacaram lançadores de rockets iranianos perto do estreito de Ormuz, o que levou o Irão a retaliar com o disparo de mísseis contra forças dos EUA na Jordânia. A escalada ameaça provocar novas perturbações nas exportações de gás natural liquefeito (GNL), já que o estreito de Ormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do comércio mundial de GNL, permanece praticamente encerrado.

Esta perturbação surge numa altura em que as entregas de GNL são essenciais para a Europa, que procura encher as instalações de armazenamento de gás antes do inverno.

As instalações de armazenamento de gás da UE estavam preenchidas a 64,7 %, segundo dados da Gas Infrastructure Europe (GIE), o que deixa as reservas abaixo dos níveis históricos para esta época do ano.

Os preços elevados no mercado abrandaram o processo de reabastecimento em muitos países, alimentando receios de que os Países Baixos e a Alemanha falhem as metas de 80 % e 70 %, respetivamente, para os níveis de enchimento do armazenamento de gás até à data-limite de 1 de novembro.

Isto porque a diferença entre os preços atuais e os preços de inverno tem sido muitas vezes demasiado reduzida, ou mesmo negativa, para cobrir os custos e o risco de armazenar gás. Em condições normais, os fornecedores compram gás a preços mais baixos no verão, armazenam-no e vendem-no no inverno a preços mais elevados.

Níveis baixos de armazenamento não significam necessariamente que um país ficará sem gás no inverno. No entanto, reservas insuficientes podem deixar os países da UE mais vulneráveis a fortes oscilações de preços no mercado ou a quebras no abastecimento global.

Esta situação preocupa sobretudo as empresas na maior economia europeia.

“Se depósitos de gás insuficientemente cheios coincidirem com um inverno muito frio, a Alemanha pode já não conseguir cobrir totalmente a procura normal de gás”, afirmou Sebastian Heinermann, diretor-geral da associação alemã de armazenamento de gás INES, à Euronews Business.

“Se os preços do gás subirem depois acima do nível que os consumidores industriais conseguem suportar, as empresas serão obrigadas a reduzir a produção”, acrescentou, avisando que isso poderá provocar danos económicos significativos.

Também Itália enfrenta riscos para o seu abastecimento de gás, apesar de o nível de armazenamento do país ser um dos mais elevados da Europa.

Na quinta-feira passada, a QatarEnergy notificou a elétrica italiana Edison, um dos seus maiores clientes na Europa, de que prolongou até ao início de novembro a suspensão, por força maior, das entregas de gás natural liquefeito devido à guerra EUA-Irão, segundo a Reuters.

O contrato de longo prazo entre a Edison e o Qatar assegura habitualmente o equivalente a cerca de 10 % do consumo anual de gás de Itália. A Edison afirmou que está a garantir fornecimentos alternativos e que consegue cumprir os compromissos com os clientes.

A UE importa diretamente relativamente pouco gás do Médio Oriente. O Qatar forneceu 3,7 % do total das importações de gás do bloco em 2025. Ainda assim, perturbações no Golfo conseguem empurrar em alta os preços europeus.

Analistas alertam que uma interrupção prolongada das exportações de GNL do Golfo poderá obrigar os compradores europeus a competir de forma mais agressiva com os compradores asiáticos pelas cargas disponíveis, o que poderá exercer mais pressão em alta sobre os preços do gás na Europa.

Segundo o Goldman Sachs, esta potencial guerra de licitações poderá aproximar os preços grossistas dos 100 euros/MWh.

Na semana passada, as analistas do banco Samantha Dart e Laura Cyr escreveram numa nota, citada pela Bloomberg: “Num cenário em que as exportações de energia do Médio Oriente apenas regressam gradualmente ao normal até 2027, estimamos que o contrato TTF para dezembro de 2026 terá provavelmente de subir para mais de 100 euros/MWh”.

Quão depressa podem subir as faturas das famílias

Se o atual nível de preços durar pouco tempo, o pico pode ter pouco impacto nas faturas das famílias. Mas, sem sinais claros de abrandamento das tensões, uma subida prolongada poderá acabar por refletir-se, de forma gradual, nas contas de energia dos agregados familiares em toda a Europa.

Segundo uma estimativa anterior da Oxford Economics, as variações dos preços grossistas demoram em média cerca de seis meses a refletir-se totalmente nos preços ao consumidor, embora o calendário varie bastante entre países do bloco.

Em França, Itália e Espanha, os preços podem reagir no espaço de alguns meses, e quase de imediato nos Países Baixos, mas podem demorar perto de um ano a atingir o máximo na Alemanha e na Áustria.

Para a Oxford Economics, Itália é a mais exposta das grandes economias europeias, porque os preços se transmitem relativamente depressa e o país depende fortemente do gás, embora os seus armazéns estejam atualmente entre os mais cheios da Europa.

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