A imagem gerada por IA, entretanto apagada, desencadeou duras críticas e acusações de blasfémia.
Foi descrita como “loucura” e “blasfémia”. Donald Trump publicou na segunda-feira imagem sua gerada por inteligência artificial que voltou a gerar polémica.
Não é a primeira vez que recorre à “guerra memética” e à provocação através de IA. Mas, desta vez, foi diferente.
Na imagem, Trump surge aparentemente vestido como Jesus Cristo, e a publicação foi realizada pouco depois de o presidente norte-americano ter classificado o Papa Leão XIV como “fraco”, afirmando que “se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”.
Os comentários sobre o Papa, a par da imagem gerada por IA, suscitaram críticas imediatas, desde a própria base MAGA até membros destacados da Igreja Católica.
“Nem Hitler nem Mussolini atacaram o Papa de forma tão direta e pública”, afirmou Massimo Faggioli, especialista no papado, numa declaração à Reuters.
“Sinceramente, não consigo perceber porque é que ele publica isto. Está à procura de uma reação? Acredita mesmo nisto?”, escreveu a influenciadora conservadora Riley Gaines escreveu no X. “De qualquer forma, há duas coisas verdadeiras. 1) um pouco de humildade só lhe faria bem 2) Deus não será ridicularizado.”
O antigo primeiro-ministro italiano Matteo Renzi afirmou que a imagem gerada por IA era “loucura” e, como católico, considerou-a “blasfema”, enquanto a organização The Knights Templar International escreveu numa publicação que “exige que esta imagem ofensiva e blasfema seja imediatamente removida! Apoiámos o presidente Trump em 2016 e 2024… No entanto, estamos profundamente ofendidos com isto e não temos outra escolha senão condená-lo sem reservas e pedir um pedido público de desculpas aos irmãos cristãos que ficaram profundamente perturbados com esta representação.”
Trump apagou a imagem – algo raro – e insistiu que “era suposto ser eu como médico a curar pessoas”.
Ninguém acreditou na explicação e várias figuras públicas também criticaram o recurso de Trump à IA.
No episódio desta semana de The Daily Show, Jon Stewart comentou a desculpa de Trump: “Ainda te importa mentir-nos? Isto acabou? Esta relação já não tem chama? As tuas mentiras costumavam ter outra energia. ‘Estão a comer os cães e os gatos! A Venezuela roubou as eleições de 2020!’ E agora o melhor que consegues é: ‘Eh, não, eu não era Jesus. Sou médico!’ Tens de voltar depressa ao teu lugar feliz.”
Entretanto, o músico e crítico assumido de Trump, Jack White, fez uma dura crítica a Trump e aos seus apoiantes cristãos.
“Como é que qualquer suposto cristão o pode apoiar depois desta blasfémia?”, escreveu White no Instagram. “Como é que qualquer católico o pode apoiar depois de ele atacar o carácter do seu Papa várias vezes? Como é que tantos milhões de pessoas caíram neste embuste?”
White prosseguiu, censurando os apoiantes cristãos evangélicos de Trump por continuarem ao seu lado apesar dos seus “crimes, do dossier Epstein, das violações, do bombardeamento de crianças em idade escolar, dos agentes da ICE ao estilo da Gestapo a atacarem os próprios cidadãos e das ameaças de invadir a Gronelândia, Cuba, a Venezuela e o Irão”.
O artista acrescentou: “Ele já garantiu o título de pior Presidente da história dos Estados Unidos, mas vou assumir a honra de declarar Trump o ‘Pior Americano de Sempre’.”