A aclamada atriz australiana apresentou no Parlamento Europeu o seu Registo de Consentimento Humano, ferramenta que permite às pessoas proteger a sua imagem do uso por IA.
Cate Blanchett prossegue a sua campanha contra o uso não regulado da inteligência artificial. Na terça-feira, a atriz e produtora australiana lançou uma plataforma online gratuita que permite a qualquer pessoa proteger a sua identidade de ser usada por sistemas de IA.
A estrela apresentou o Human Consent Registry num evento organizado no Parlamento Europeu, em Bruxelas, pela eurodeputada búlgara Eva Maydell, que contou também com a presença do realizador Steven Soderbergh.
“A sua identidade é a sua propriedade intelectual na era da IA, e cada pessoa tem o direito de decidir de que forma a IA pode ou não utilizá-la”, afirmou Blanchett, que cofundou a RSL Media, uma organização sem fins lucrativos que desenvolve instrumentos de consentimento para o uso de IA.
O novo registo da organização dá aos utilizadores a possibilidade de autorizar – com ou sem condições – ou proibir o uso, por sistemas de IA, do seu nome, imagem, voz, semelhança e movimento, entre outros atributos pessoais.
A ferramenta está disponível para qualquer pessoa, bem como para terceiros, como agentes e gestores. Deverá, no futuro, permitir que as pessoas protejam obras de arte, personagens ou marcas, acrescentou a RSL Media em comunicado.
A eurodeputada do Partido Popular Europeu Eva Maydell descreveu o Human Consent Registry como “uma ferramenta que torna os direitos transparentes, amplia a confiança e mantém a criatividade humana no centro do progresso tecnológico”.
O registo de Cate Blanchett é apenas o mais recente passo na sua tentativa de enfrentar a questão do consentimento no uso de IA.
Em março de 2025, a atriz juntou-se a Paul McCartney, Ben Stiller e a mais de 400 celebridades e artistas que enviaram uma carta aberta a Donald Trump, apelando à sua administração para que não recuasse nas proteções de direitos de autor.
A carta contestou os argumentos de gigantes tecnológicos como a OpenAI e a Google, segundo os quais a legislação norte-americana de direitos de autor deveria permitir que empresas de IA treinassem os seus sistemas com obras protegidas, sem autorização nem compensação para os titulares dos direitos.
Desde então, muitos artistas se pronunciaram contra o uso não licenciado de IA sobre as suas obras e a sua imagem. Na segunda-feira, a cantora SZA criticou duramente os músicos que apoiam “esta porcaria degenerada”, depois de descobrir que mais de 200 das suas canções tinham sido usadas para treinar IA.
Alguns chegaram mesmo a tomar medidas drásticas, como o ator Matthew McConaughey, que registou como marca a sua imagem e voz, incluindo o icónico bordão “alright, alright, alright”.
O lançamento da RSL Media por Cate Blanchett, em maio, recebeu um amplo apoio de pesos pesados de Hollywood, entre os quais Javier Bardem, Viola Davis, Tom Hanks, Helen Mirren e Meryl Streep.
“As tecnologias de IA estão a expandir-se de forma desenfreada, praticamente sem controlo nem regulação”, afirmou Blanchett num comunicado em que apresentou a sua organização.
“Para que os seres humanos continuem à frente destas tecnologias, o consentimento tem de ser a primeira consideração.”