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Itália: descoberta revela vida em Pompeia no Renascimento

Os moldes daqueles que se acredita terem sido um homem rico e o seu escravo, em fuga da erupção vulcânica do Vesúvio há quase 2.000 anos, em Pompeia
Os moldes de quem se acredita terem sido um homem abastado e o seu escravo, em fuga da erupção do Vesúvio há quase 2.000 anos, em Pompeia Direitos de autor  AP Photo
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De Stefania De Michele
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Novos achados dos séculos XV e XVI reacendem mistério de Pompeia: cidade permaneceu viva na memória local após a erupção

Pompeia não acaba em 79 d.C.. Durante séculos, enquanto a cidade romana permanecia soterrada pelos materiais da erupção do Vesúvio, houve quem continuasse a viver entre aquelas ruínas e a conservar-lhe a memória. A contar esta história surpreendente estão alguns novos achados na Insula Meridionalis, na zona sul da antiga Pompeia.

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Materiais e peças cerâmicas datáveis entre os séculos XV e XVI forneceram novas pistas da presença humana no sítio muitos séculos antes do início das escavações borbónicas, arrancadas em 1748.

A descoberta põe em causa a imagem mais comum de Pompeia: por um lado, a cidade romana, congelada pela erupção de 79 d.C.; por outro, a Pompeia moderna, trazida de novo à luz quase dezassete séculos depois. Pelo meio, porém, há uma história muito mais complexa.

“Pompeia depois de Pompeia”

“O docudrama Pompeia fora do tempo com Tom Hiddleston e o estudo do arqueólogo Steven Tuck mostram como o tema dos sobreviventes está finalmente a tornar-se objeto de investigação e de iniciativas de divulgação”, explica o diretor do Parque Arqueológico de Pompeia, Gabriel Zuchtriegel.

Depois da erupção, Pompeia teria parecido um verdadeiro cenário pós-apocalíptico. E, no entanto, segundo as novas investigações, não foi completamente abandonada. Há indícios de pessoas que regressaram e de comunidades que continuaram a frequentar a área.

Eram presenças frágeis, afastadas da grande história oficial. “São vestígios ténues de vidas precárias, na sombra da história oficial”, sublinha Zuchtriegel, explicando porque é que durante muito tempo quase não foram vistas.

Os achados da Insula Meridionalis acrescentam agora mais uma peça a esta história. A cerâmica e os outros materiais encontrados indicam presença humana na área durante o Renascimento, séculos antes de Pompeia voltar oficialmente ao destaque com as escavações.

E o Renascimento entra na história de Pompeia

O período é particularmente interessante também por outra razão. É precisamente nesses mesmos séculos que é realizada a Deposição de Cristo atribuída a Andrea Mantegna, recentemente redescoberta no Santuário da Beata Virgem de Pompeia.

As duas histórias não estão diretamente ligadas e pertencem a percursos históricos independentes. Mas ambas revelam algo importante: Pompeia não era um lugar completamente apagado da memória coletiva.

“Sem tirar mérito a investigadores como Gioachino Alcubierre, chegado de Espanha e promotor das primeiras escavações arqueológicas em Pompeia em 1748, é preciso reconhecer que aqui existia uma comunidade local que, desde o dia seguinte à erupção, continuou a viver em Pompeia e a guardar-lhe a memória”, afirma Zuchtriegel.

Cidade nunca realmente esquecida

A reforçar esta hipótese há também um detalhe aparentemente simples: o topónimo “Civita”, que, segundo o diretor do Parque, testemunha a persistência local da lembrança de uma cidade sepultada.

Camponeses e pastores que viviam entre as antigas ruínas não dispunham dos instrumentos para descrever esse património com a linguagem da arqueologia moderna. Mas isso, sublinha Zuchtriegel, não significa que não o tivessem presente na memória.

É justamente aqui que a perspetiva muda: Pompeia deixa assim de ser uma cidade “ressuscitada” do nada no século XVIII para se tornar um lugar que continuou, sob formas diversas, a fazer parte da vida e do imaginário da comunidade local.

Pompeia é e sempre foi uma verdadeira heritage community”, diz Zuchtriegel. O nome, portanto, não resulta de uma simples renascença arqueológica, mas é sinal de uma memória que permaneceu viva no território durante séculos.

A “Pompeia depois de Pompeia” está ainda por contar. E os pequenos achados encontrados no subsolo, desta vez, poderão estar entre os indícios mais importantes para a reconstruir.

Visitas ao estaleiro

É possível visitar o estaleiro da Insula Meridionalis acompanhado dos arqueólogos e dos restauradores que ali trabalham. As visitas estão disponíveis, mediante reserva, de segunda a sexta-feira, das 11h às 12h. Para informações e reservas, é possível ligar para o 327 2716666.

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