“Num lugar onde o Tennessee recebe o mundo, faz sentido que o Aeroporto Internacional de Nashville tenha o nome da filha predileta do nosso estado.”
É raro ver responsáveis republicanos e democratas mostrarem unidade, mas Dolly Parton parecia ser uma das poucas figuras culturais capazes de juntar toda a gente nos Estados Unidos. E isso voltou a ficar demonstrado.
Num raro exemplo de acordo bipartidário, sobretudo entre o governo estadual do Tennessee, dominado pelos republicanos, e o executivo municipal democrata, ambos os lados concordaram em rebatizar o Aeroporto Internacional de Nashville em homenagem à muito saudosa cantora Dolly Parton.
O conselho de administração da Metropolitan Nashville Airport Authority aprovou, por 6-0, o início do processo de alterar o nome do aeroporto em memória da falecida ícone da música country. A mudança fará de Parton a primeira mulher a dar nome a um dos 50 aeroportos mais movimentados dos Estados Unidos.
A Nashville Airport Authority afirmou que, embora o novo nome ainda não esteja decidido, está “a trabalhar de perto com as partes relevantes para determinar, de forma ponderada, como o nome e o legado de Dolly Parton serão incorporados”.
A entidade descreveu a votação como “o primeiro passo num processo com várias etapas” e adiantou que planos mais detalhados serão divulgados nos próximos meses. Responsáveis do aeroporto indicaram que a alteração poderá demorar um ano ou mais e que o nome final será decidido em conjunto pelos responsáveis do aeroporto e pela Dollywood Foundation, a organização sem fins lucrativos criada pela cantora em 1988.
A campanha para rebatizar o aeroporto é anterior à morte de Parton, com uma petição para passar a chamar-se “Dolly Parton International Airport” lançada no início de 2025. Na sequência da sua morte, em 25 de agosto, a ideia ganhou ainda mais apoio em todo o espetro político. O governador republicano Bill Lee propôs a mudança pouco depois da sua morte e o presidente da câmara democrata de Nashville, Freddie O’Connell, veio apoiar a iniciativa.
“Num lugar onde o Tennessee recebe o mundo, faz sentido que o Aeroporto Internacional de Nashville passe a ter o nome da filha favorita do nosso estado”, afirmou Lee numa declaração inicial.
Dolly Parton morreu no mês passado, aos 80 anos, após uma “breve batalha contra o cancro”. Desde então, têm-se multiplicado as homenagens de fãs, bem como testemunhos de figuras públicas e celebridades.
Mais recentemente, a irmã, Stella Parton, afirmou que ela e a família têm sido alvo de “uma enorme pressão e falta de sensibilidade por parte de desconhecidos” desde a morte da artista.
“Todos os seres humanos passam por dor e perda na vida e a minha família não é diferente”, escreveu Stella. “Infelizmente, dado que as nossas vidas têm sido vividas perante o olhar do público, não temos outra opção senão ser sujeitas a uma incrível pressão e falta de sensibilidade por parte de estranhos. Há uma quantidade tremenda de IA e lixo interminável a ser publicado todos os dias e tem sido difícil absorver ou ignorar tudo isso.”
Stella Parton criticou ainda “os que vivem de explorar, diariamente, as perdas e tragédias dos outros”, notando que, mais tarde ou mais cedo, esses indivíduos “passarão para a próxima vaga de desinformação sem fim”.
Pelas referências a “IA e lixo interminável” e a “desinformação sem fim”, é possível que se estivesse a referir a comentários de Donald Trump, bem como uma imagem criada por IA que publicou na Truth Social na qual surge de braço dado com Dolly. A imagem gerada por IA foi descrita como “narcisista”, “repugnante” e “sem alma”.
Stella Parton apelou aos fãs para que mostrem mais compaixão após a morte da irmã, lembrando a “influência positiva” que a cantora teve sobre os outros.
“Usem a vida da minha irmã como exemplo de tolerância e respeito pelos outros”, escreveu Stella. “Não se trata de ter os comentários mais inteligentes, lixo falso criado por IA ou tweets mordazes.”
“No fim do dia, ou no fim da vida, como se vão sentir em relação a vocês próprios? Não tem a ver com o que pensam de vocês outras pessoas que nunca irão conhecer.”