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NASA divulga dados sobre aumento das temperaturas sem referir alterações climáticas

Foguetão lunar da NASA regressa ao Edifício de Montagem de Veículos do Centro Espacial Kennedy, a 27 de setembro de 2022, em Cabo Canaveral, Flórida.
Regressa foguetão lunar da NASA ao Edifício de Montagem de Veículos do Centro Espacial Kennedy a 27 de setembro de 2022, em Cabo Canaveral, Flórida Direitos de autor  Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved
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De Liam Gilliver
Publicado a Últimas notícias
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Especialista afirma que comunicado da NASA é coerente com outras ações anti-clima adotadas pela administração Trump no último ano.

A NASA gerou preocupação ao divulgar um comunicado juntamente com o seu mais recente relatório anual de referência sobre temperaturas globais, que omite de forma notória uma palavra-chave.

O comunicado, divulgado na quarta-feira, confirma que as temperaturas da superfície global em 2025 foram ligeiramente superiores às de 2023, após estimativas de que os dois se tornariam os segundos anos mais quentes em conjunto desde que há registos. Contudo, o texto da NASA não faz qualquer referência a alterações climáticas, emissões, combustíveis fósseis ou ao termo "aquecimento global".

Vários outros relatórios, incluindo o Serviço de Alterações Climáticas Copernicus, responsabilizam a acumulação de gases com efeito de estufa na atmosfera, com emissões em alta e menor absorção de CO2 por sumidouros naturais como as florestas, como principal causa de 2025 e 2023 terem sido excecionalmente quentes.

Relatório da NASA sobre subida das temperaturas

"A temperatura da superfície global da Terra em 2025 foi ligeiramente superior à de 2023, mas, dentro da margem de erro, os dois anos estão efetivamente empatados, segundo uma análise de cientistas da NASA", diz a NASA no comunicado. "Desde o início dos registos, em 1880, o ano mais quente continua a ser 2024".

O comunicado cita também uma análise independente da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, que conclui que a temperatura da superfície global em 2025 foi a terceira mais elevada desde que há registos.

"Estes cientistas usam grande parte dos mesmos dados de temperatura nas suas análises, mas recorrem a metodologias e modelos diferentes, que evidenciam a mesma tendência de aquecimento em curso", acrescenta a NASA.

As declarações contrastam com as comunicações do ano passado, sob a administração Biden, em que a NASA afirmou explicitamente: "Este aquecimento global foi causado por atividades humanas".

A NASA, agência independente do governo federal dos EUA, relacionou anteriormente o aumento das temperaturas com fenómenos meteorológicos extremos como ondas de calor, incêndios florestais, chuva "intensa" e inundações. Nada disto foi incluído este ano.

Trump é o responsável?

Mike Scott, da Carbon Copy Communications, empresa especializada em sustentabilidade, ambiente, investimento e negócios, diz à Euronews que o comunicado da NASA é "coerente" com todas as outras "ações anti-clima" adotadas pela administração Trump no último ano.

No mês passado, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) retirou todas as referências aos combustíveis fósseis, principal motor do aquecimento global, da sua página online popular que explica as causas das alterações climáticas.

"Não está claro que instituições climáticas restam para Trump tentar desmantelar, mas há poucas dúvidas de que, se as encontrar, irá atrás delas", afirma Scott.

"A negação do clima é verdadeiramente preocupante e desalinhada com quase todos os outros países do mundo, incluindo a maioria dos maiores produtores de petróleo. Não reconhecer os impactos das alterações climáticas deixará os EUA menos capazes de lidar com esses impactos, que continuarão a ocorrer independentemente do que Trump pense".

Scott considera que isto evidencia a potencial perda de dados futuros sobre alterações climáticas, essenciais para orientar os países e as suas economias na adaptação.

"A posição dos EUA é má para a ciência, é má para a economia dos EUA e para os seus cidadãos, e é má para o clima", acrescenta.

"É também insustentável. As alterações climáticas não vão parar porque a administração dos EUA não acredita nelas. A resposta americana a desastres relacionados com o clima será pior se não compreender por que estão a ocorrer eventos meteorológicos extremos e outros impactos climáticos."

A Euronews contactou a NASA para obter um comentário.

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