A sucessão de tempestades deixou um rasto de destruição e morte pela Europa, com uma vítima em Espanha, duas em França e 16 em Portugal. Um casal de idosos está desaparecido desde 10 de fevereiro. Autoridades portuguesas intensificaram as buscas.
A sucessão de tempestades deixou um rasto de destruição e morte pela Europa, com uma morte em Espanha, duas em França e 16 em Portugal, onde um casal de idosos está dado como desaparecido em Montemor-o-Velho desde 10 de fevereiro, segundo a filha, que, na quinta-feira, 12 de fevereiro, deu o alerta às autoridades após dois dias sem conseguir contactar os pais.
O casal residente em Verride, Montemor-o-Velho, deslocou-se a Coimbra na terça-feira, 10 de fevereiro, “vinham de Coimbra e não regressaram a casa a Verride na terça-feira, seguiam num Citroën Saxo de cor verde”, escreve a filha na sua conta do Facebook, apelando à partilha no sentido de obter mais informações sobre o paradeiro dos pais.
Segundo moradores, o casal terá ido a uma consulta em Coimbra. O homem de 68 anos e a mulher de 65 anos viviam sozinhos e eram autónomos, “apesar de algumas dificuldades de locomoção”.
De acordo com a SIC Notícias, que esteve em Verride, “a hipótese mais provável, até este momento, é de que o casal se tenha perdido devido às cheias causadas pelo mau tempo”. Essa é a hipótese levantada pela população de Verride, preocupada com o casal.
Contudo, o comandante da Proteção Civil, Mário Silvestre, afirmou "não existirem informações concretas sobre o desaparecimento do casal", em conferência de imprensa realizada aos jornalistas às 12:40 deste domingo.
Mário Silvestre acrescenta que as buscas continuam e que um helicóptero foi acionado para apoiar as equipas de busca e salvamento.
As buscas começaram na sexta-feira. O estado do tempo em Portugal continental melhorou no sábado, com as águas a baixarem no vale do Mondego em Montemor-o-Velho.
No domingo, as autoridades retomaram as buscas com bombeiros e militares da GNR que alargaram o perímetro e intensificaram a procura em Vinha da Rainha, uma localidade de campos de arroz do Vale do Pranto, fortemente afetada pelas cheias provocadas pelas tempestades das últimas semanas.
Segunda volta das presidências retoma hoje nos locais afetados pelas cheias
Apesar de já se saber quem será o próximo Presidente da República, 36.852 eleitores vão hoje votar nas eleições presidenciais. A segunda volta retomou neste domingo, em cerca de 20 freguesias e secções de voto, onde a votação foi adiada por uma semana devido aos efeitos das tempestades.
Embora a votação ainda não esteja oficialmente concluída, devido a este adiamento, o socialista António José Seguro será o próximo presidente, segundo os resultados provisórios divulgados pelo Ministério da Administração Interna. Seguro obteve 66,83% dos votos, contra 33,17% do populista de direita, André Ventura.
Portugal atingido por “comboio de tempestades”. Dezasseis pessoas morreram
Portugal continental foi atingido por uma sucessão de depressões que causaram a morte de 16 pessoas, centenas de feridos e milhares de desalojados. Além disso, a passagem das tempestades Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta provocou a queda de árvores e de estruturas.
A depressão Kristin foi a mais violenta a entrar em território português, com a força de um sting-jet (clicone-bomba), ventos superiores a 200 km/h e chuvas fortes. Foi considerada a tempestade mais forte desde que há registo em Portugal.
Desde janeiro, este “comboio de tempestades" causou a destruição de infraestruturas, o corte de energia e de comunicações, bem como o fornecimento de energia. Milhares de pessoas perderam as suas habitações. Várias estradas foram fechadas, a circulação de comboios interrompida em vários troços e a principal autoestrada do país, que liga a capital Lisboa ao Porto, segunda cidade, foi cortada na região de Coimbra, devido ao rebentamento de um dique que provocou o colapso dessa via.
Sessenta e oito concelhos do país permaneceram em situação de calamidade até hoje, 15 de fevereiro. Leiria, Coimbra e Alcácer do Sal foram as regiões mais atingidas. Quase todos os caudais dos rios que nascem ou atravessam o país elevaram o nível de preocupação das autoridades, que permanecem em alerta devido às cheias.
A Europa também foi atingida
Além de Portugal, o “comboio de tempestades” também passou por vários países europeus.
Na Irlanda, mais de 93 mil casas ficaram sem energia. Na Irlanda do Norte, foram 715 mil lares afetados. Os aeroportos do Reino Unido cancelaram centenas de voos, os transportes públicos foram suspensos e as escolas encerraram.
Em Espanha, a tempestade Joseph causou a morte de uma pessoa. Vários parques naturais foram encerrados, nomeadamente em Madrid. Na região da Extremadura, as escolas foram encerradas e registaram-se mais de 300 ocorrências relacionadas com a queda de árvores e o corte de estradas. A tempestade Leonardo, em fevereiro, elevou o alerta das autoridades para o risco de cheias e inundações.
O mesmo alerta também foi acionado em França pelas autoridades locais, devido à saturação dos solos causada pelas chuvas persistentes que atingiram sobretudo a Bretanha e ao longo da costa ocidental do país. A tempestade Nils causou a morte de duas pessoas.
Em Itália, o ciclone Harry provocou prejuízos devido às chuvas torrenciais e aos ventos superiores a 120 km/h. O governo italiano chegou a decretar estado de emergência na Calábria, na Sicília e na Sardenha. Não havendo, contudo, registo de vítimas mortais.
Segundo os especialistas, este “comboio de tempestades”, que trouxe ventos fortes e “rios de água”, foi causado pela ausência do Anticiclone dos Açores da sua posição habitual. O Anticiclone dos Açores é uma massa de ar quente que atua como barreira natural contra as depressões atlânticas, evitando que estas cheguem à costa ocidental da Europa.