Mais de 30 pessoas foram retiradas de prédios na Costa da Caparica, em Almada, devido a um deslizamento de terras, que não causou vítimas, disse à Lusa fonte do Comando Sub-Regional da Península de Setúbal.
Um novo deslizamento de terras na Costa da Caparica, esta quarta-feira, levou à evacuação de um prédio e à retirada de 31 pessoas. O Comando Sub-Regional da Península de Setúbal confirmou à Lusa que não houve vítimas.
“A arriba que está junto destes prédios está a ter movimentos e, cerca das 03h38, uma pedra de dimensões significativas deslizou e atingiu o número três da Rua João Azevedo. Esta situação obrigou à retirada de 31 pessoas, que foram entretanto encaminhadas para equipamentos da autarquia e para casa de familiares”, disse Comando Sub-Regional da Península de Setúbal.
Este prédio foi o que sofreu mais danos devido ao impacto, mas outros edifícios ao nível rés-do-chão foram também evacuados, por precaução. A operação mobilizou 17 operacionais e seis veículos.
Ainda esta quarta-feira, ocorreu outra derrocada na Charneca da Caparica, no mesmo concelho de Almada, que obrigou a retirar o condutor de uma viatura que ficou imobilizada na via. Este incidente ocrreu pelas 06h16 e o homem não sofreu ferimentos.
Vários deslizamentos de terras em cinco dias na Caparica
Também no sábado, 35 pessoas foram retiradas de três edifícios que ficam juntos a uma arriba fóssil em São João da Caparica, na Costa da Caparica, depois de ter sido registado um deslizamento de terras. Um dos apartamentos foi atingido, mas não houve registo de feridos.
De acordo com a presidente da câmara de Almada, Inês de Medeiros, citada pela Lusa, a arriba localizada junto aos edifícios que foram evacuados encontra-se "ensopada", tendo-se formado uma "éspecie de cascata" com a água a ser desviada.
Os deslizamentos de terra nas arribas são uma das grandes preocupações na zona da Costa da Caparica, sobretudo devido ao risco que representam para moradores, comerciantes e banhistas.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tinha alertado na terça-feira para a previsão de chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que, ainda assim, não deverá afetar diretamente Portugal continental.
Diques do rio Mondego podem colapsar
A câmara de Coimbra retirou 3000 pessoas das suas casas, na última noite, devido ao risco de cheias. A medida preventiva surgiu na sequência do mau tempo e do perigo iminente dos diques do rio Mondego colapsarem.
O comandante Pedro Araújo, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), declarou que, pelas 07h00 desta quarta-feira, ainda estava a decorrer a retirada de pessoas das localidades junto às zonas ribeirinhas do rio Mondego, face ao risco de inundações.
"Estamos a falar do deslocamento de mais de três mil pessoas. É uma operação gigantesca. Durante a noite não houve uma subida significativa, mas há um risco de os diques do rio Mondego poderem colapsar e causar inundações", disse Pedro Araújo, citado pela Lusa, acrescentando que as autoridades continuam a monitorizar a situação.
Na última noite, a Proteção Civil registou 1576 ocorrências, entre inundações, quedas de árvores e deslizamentos, sem causar vítimas.
Em relação às ocorrências registadas, o comandante da ANEPC destacou que a maioria foram inundações (719), seguidas de desabamentos de estruturas (418), queda de árvores (267) e movimentos de massa (264).
Avisos meteorológicos em vigor
Em aviso laranja, entre as 06h00 e as 18h00 desta quarta-feira, estão Viseu, Porto, Vila Real, Santarém, Viana do Castelo, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga. Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Setúbal e Lisboa estão, por sua vez, sob aviso amarelo de chuva, válido até às 18h00.
Portugal continental foi atingido no dia 27 de janeiro pela depressão Kristin, a que se seguiu a Leonardo e a Marta, que causaram 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.