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Cientista traça cenários extremos e alerta para mudanças irreversíveis na Antártida

Um membro da tripulação observa baleias nas ilhas Yalour, na Antártida, segunda-feira, 24 de novembro de 2025.
Membro da tripulação procura baleias nas ilhas Yalour, na Antártida, segunda-feira, 24 de novembro de 2025 Direitos de autor  Copyright 2025 The Associated Press. All rights reserved
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De Liam Gilliver
Publicado a Últimas notícias
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Apesar de distante da civilização, o degelo na Antártida terá consequências "desastrosas" em todo o mundo, alertam investigadores.

Cientistas mostram o quão elevado é o risco numa altura em que as alterações climáticas de origem humana continuam a aquecer rapidamente a Antártida.

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Um novo estudo publicado na revista Frontiers in Environmental Science modela os cenários de melhor e pior caso para o aquecimento global na península Antártica, a parte mais setentrional do continente.

Os investigadores alertam que o futuro do continente “depende das escolhas que fizermos hoje”, defendendo que reduzir as emissões pode evitar os impactos mais “importantes e prejudiciais” da crise climática.

“Embora a Antártida esteja longe, as alterações aqui vão afetar o resto do mundo através da subida do nível do mar, das ligações oceânicas e atmosféricas e de mudanças na circulação”, afirma a professora Bethan Davies, da Universidade de Newcastle, autora principal do estudo.

“As alterações na Antártida não ficam na Antártida.”

Antártida: qual o ‘pior cenário’?

Os cientistas usaram cenários em que as futuras emissões se mantêm baixas (subida de temperatura de 1,8 ºC face aos níveis pré-industriais até 2100), emissões médio-altas (3,6 ºC) e emissões muito elevadas (4,4 ºC).

Analisaram oito aspetos diferentes do ambiente da península afetados pela subida das temperaturas, incluindo ecossistemas marinhos e terrestres, gelo em terra e no mar, plataformas de gelo, o oceano Antártico, a atmosfera e fenómenos extremos como ondas de calor.

Nos cenários de emissões mais elevadas, os investigadores concluem que o oceano Antártico aquecerá mais depressa. Águas oceânicas mais quentes irão erodir o gelo em terra e no mar, aumentando o risco de colapso das plataformas de gelo e impulsionando a subida do nível do mar.

A subida do nível do mar tem sido há muito associada ao aumento de inundações costeiras e à erosão acelerada do litoral. Por cada centímetro de subida, cerca de seis milhões de pessoas em todo o planeta ficam expostas a cheias costeiras.

No cenário de emissões mais elevadas, a extensão do gelo marinho poderá cair 20 por cento. Isso terá um impacto enorme nas espécies que dele dependem, como o krill, presa essencial de baleias e pinguins.

Um aquecimento mais acentuado do oceano poderá também pressionar os ecossistemas e contribuir para fenómenos meteorológicos extremos. Vários episódios extremos nos últimos anos foram associados à queima de combustíveis fósseis, incluindo as mortíferas cheias de Valência em 2024 e as tempestades de monção na Ásia no ano passado.

Os investigadores reconhecem que é difícil prever de que forma estas alterações ambientais se combinarão para afetar os animais, mas é provável que muitas espécies tentem deslocar-se mais para sul para fugir às temperaturas mais altas.

“Predadores de sangue quente podem adaptar-se à mudança de temperatura, mas se as suas presas não conseguirem, vão morrer à fome”, lê-se no relatório.

As alterações climáticas também ameaçam a própria investigação na Antártida. Danos nas infraestruturas causados pela subida do nível do mar, pelo clima extremo e pelo degelo irão dificultar a recolha de dados necessários para prever os futuros impactos do aquecimento.

A investigação na Antártida tem sido intensificada nos últimos anos, com cientistas a tentarem até construir um muro de 150 metros para impedir que o “glaciar do Juízo Final” inunde a região.

Antártida: cortar emissões pode salvá-la?

“Neste momento, seguimos uma trajetória de emissões médias a médio-altas”, afirma Davies.

“Um cenário de baixas emissões significaria que, embora as atuais tendências de perda de gelo e de eventos extremos continuassem, seriam muito mais atenuadas do que num cenário de emissões elevadas.”

Davies acrescenta que os volumes de gelo marinho no inverno encolheriam “apenas ligeiramente” face ao que se observa hoje, o que limitaria a subida do nível do mar a alguns milímetros. A maioria dos glaciares também continuaria reconhecível e as plataformas de gelo que os sustentam manter-se-iam.

“O que mais me preocupa no cenário de emissões mais elevadas é o quão permanentes estas alterações podem ser”, diz Davies.

“Seria muito difícil voltar a fazer crescer os glaciares e trazer de volta a vida selvagem que torna a Antártida especial. Se não mudarmos agora, os nossos bisnetos terão de viver com as consequências.”

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