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Combustíveis: preços sobem de novo na próxima semana, gasóleo poderá superar os dois euros por litro

Depósito de carro a ser abastecido, março 2026, Denver, EUA
Depósito de carro a ser abastecido, março 2026, Denver, EUA Direitos de autor  David Zalubowski
Direitos de autor David Zalubowski
De João Azevedo
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Gasóleo e gasolina voltam a ter subidas consideráveis, na ordem dos 10%. Valores finais variam mediante a zona do país e o posto de abastecimento. Revendedores de combustíveis afastam encerramento generalizado de postos. Governo não vai, para já, tomar novas medidas além do desconto no ISP.

A escalada da guerra no Médio Oriente continua a fazer forte pressão sobre os mercados energéticos, com reflexos nos preços dos combustíveis, que vão ter um salto pela segunda semana consecutiva.

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O gasóleo deverá aumentar cerca de 10 cêntimos na próxima segunda-feira, sendo que a gasolina terá uma subida ainda maior, de 10,3 cêntimos, revelou, esta sexta-feira, a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) à Lusa.

Perante estes dados, e considerando os valores atuais da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), a partir de segunda-feira, o preço médio da gasolina simples 95 deverá fixar-se nos 1,883 euros por litro, com o gasóleo simples a situar-se nos 1,937 euros por litro.

A tendência ascendente mantém-se e, na semana de 16 a 22 de março, com base nas estimativas do portal Contas Poupança sobre o preço médio por litro, o gasóleo passará a custar 1,96 euros, enquanto a gasolina poderá aproximar-se dos 1,94 euros.

Em alguns postos de abastecimento, o preço do gasóleo poderá mesmo ultrapassar os dois euros por litro. No entanto, os valores finais cobrados ao consumidor variam mediante a zona do país e o posto.

Na semana que está a terminar, o gasóleo já tinha registado uma subida de 19 cêntimos por litro, enquanto a gasolina ficou mais cara sete cêntimos.

Cada variação, por mais pequena que possa parecer, pesa na carteira. De acordo com os dados do portal Contas Poupança, em termos de valor acumulado, o gasóleo foi alvo de uma subida que ultrapassa os 27 cêntimos, ao passo que o aumento agregado na gasolina se situa nos 15,5 cêntimos por litro.

Como nota o site pplware, num depósito de 50 litros, mais 20 cêntimos por litro significa mais 10 euros por abastecimento, isto é, para muitas famílias, pode estar em causa uma despesa mensal extra de 40 euros.

Governo vai manter o desconto

Na segunda-feira, em Bruxelas, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou que o desconto no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) vai continuar, tendo em conta que os aumentos são cumulativos.

Ao aplicar o apoio extraordinário para suavizar o impacto da subida de preços nos consumidores, o executivo fez com que um aumento de 25 cêntimos por litro no gasóleo ficasse reduzido a 19 cêntimos. Já sobre a gasolina, não foi acionado qualquer desconto porque, vincou Miranda Sarmento, a subida não foi além dos dez cêntimos.

Ainda assim, avança o ciberjornal ECO, o executivo deverá publicar nova portaria com o desconto temporário e extraordinário do ISP para a próxima semana, sendo que a gasolina, mesmo que não subisse mais de dez cêntimos, também ficaria abrangida pelo alívio fiscal.

Isto porque, explica o ECO, na portaria publicada a 6 de março, foi estabelecido que a referência para o aumento de preços é a semana de 2 a 6 de março, ou seja, o que é tido em conta é a subida acumulada em relação à semana de referência e não o mais recente salto nos preços.

Na última quinta-feira, o ministro da Presidência já tinha garantido que manteria os descontos nos combustíveis se os aumentos na próxima semana superassem os dez cêntimos.

O ministro da Economia disse hoje que, por agora, não estão previstas mais medidas além do desconto no ISP, mas deixou claro que, se as subidas de preços continuarem, o governo terá de voltar a intervir.

"Se estas alterações perdurarem no tempo, se perdurarem por mais de quatro, cinco semanas, transformam-se num problema estrutural que pode precisar de uma intervenção do Estado. Se a guerra se prolongar, aí justifica-se uma intervenção do governo", afirmou Castro Almeida aos jornalistas, em declarações transmitidas pela RTP Notícias.

Distribuição pede baixa de impostos

A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) insta o executivo a mexer nos impostos dos combustíveis.

"Os combustíveis em Portugal, entre ISP [Imposto sobre Produtos Petrolíferos], mais taxa de carbono, mais IVA, têm uma taxação muito superior à média europeia**”**, salienta, em entrevista à Lusa, o diretor-geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier.

Sem querer provocar um "desarranjo das contas públicas”, vinca que "a única via" possível para proteger a confiança dos consumidores é "cortar nos impostos”.

Ressalvando que o retalho, alimentar e especializado, não enfrenta, neste momento, qualquer problema e que o abastecimento de produtos está assegurado, Gonçalo Lobo Xavier alerta para "um risco real com este choque externo, provocado pelo aumento dos custos de energia", com "toda a cadeia de valor" a poder ficar "contaminada".

ANAREC não prevê "encerramentos generalizados de postos de abastecimento"

A disparada de preços pode levar a uma redução da procura que poderá, por conseguinte, ter implicações na atividade dos agentes do setor energético.

Porém, a ANAREC, em resposta à Euronews, não perspetiva, "no curto prazo, um cenário de encerramentos generalizados de postos de abastecimento".

Poderá ser sentida uma "maior pressão económica", admite João Freitas, vice-presidente da entidade, "sobretudo em mercados locais com menor volume ou maior sensibilidade ao preço". No entanto, "a rede de postos em Portugal tem demonstrado capacidade de adaptação ao longo de diferentes ciclos de subida e descida de preços", nota.

"As principais preocupações da ANAREC neste momento prendem-se com a evolução do preço final pago pelos consumidores e com a necessidade de garantir previsibilidade no enquadramento fiscal", afirma à Euronews João Freitas, acrescentando que, "em períodos de grande volatilidade das cotações internacionais, deve ser assegurada neutralidade fiscal, evitando que o agravamento dos preços resulte automaticamente num aumento da receita fiscal do Estado".

À semelhança da distribuição, a ANAREC defende uma descida de impostos, embora "temporária". Uma solução que permitiria **"**mitigar o impacto sobre as famílias e sobre as empresas que dependem diariamente do transporte e da mobilidade para a sua atividade económica", sustenta o vice-presidente da organização que representa os revendedores de combustíveis.

A Agência Internacional de Energia, composta pelos principais países consumidores de petróleo, já deu aval à libertação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais para suavizar aquele que já é um dos piores choques petrolíferos desde a década de 1970.

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