Dados de saúde de 500 mil voluntários do UK Biobank foram anunciados para venda no site chinês Alibaba
Foram roubadas informações de saúde de 500 000 pessoas no Reino Unido e colocadas à venda no site chinês Alibaba, confirmou o ministro britânico da Tecnologia, Ian Murray.
Os dados médicos são de participantes da UK Biobank, o mais abrangente repositório mundial de dados biológicos, de saúde e de estilo de vida, recolhidos junto de voluntários e utilizados por cientistas de todo o mundo para investigação.
Murray afirmou que, na segunda-feira, 20 de abril, a organização informou o governo de que tinha identificado anúncios de venda dos seus dados publicados por vários vendedores nas plataformas de comércio eletrónico da Alibaba, na China.
“A UK Biobank disse-nos que tinham sido identificados três anúncios que parecem vender dados de participantes da UK Biobank. Pelo menos um destes três conjuntos de dados aparenta incluir informação sobre os 500 000 voluntários da UK Biobank”, acrescentou Murray.
De acordo com a UK Biobank, os dados divulgados não incluíam nomes, moradas, contactos ou números de telefone dos participantes.
“O governo falou hoje com a empresa e considera que não terá havido quaisquer compras a partir dos três anúncios antes de serem retirados”, afirmou Murray.
Acrescentou que o governo britânico esteve em contacto com o governo chinês e com a empresa para garantir que os anúncios tinham sido removidos.
“Quero agradecer ao governo chinês a rapidez e a seriedade com que trabalhou connosco para ajudar a retirar estes anúncios e pelo trabalho contínuo para remover quaisquer novos anúncios.”
Sir Rory Collins, diretor executivo e investigador principal da UK Biobank, pediu desculpa, numa carta enviada aos participantes, pela preocupação causada por este incidente e garantiu-lhes que a informação de identificação pessoal continua segura e protegida.
“Na sequência deste incidente, estamos a adotar medidas adicionais para reforçar os nossos sistemas e evitar que isto volte a acontecer”, acrescentou Collins.
Anunciou que a organização suspendeu temporariamente todo o acesso à plataforma de investigação da UK Biobank, enquanto implementa um limite rigoroso para o tamanho dos ficheiros que podem ser descarregados.
A UK Biobank explicou que os dados foram disponibilizados legitimamente a investigadores de três instituições académicas, mas acabaram por ser colocados à venda num site de comércio eletrónico para consumidores, na China.
“As ações destas pessoas constituem uma violação clara do contrato que assinaram com a UK Biobank, mas não houve qualquer roubo”, afirmou um porta-voz à Euronews Health.
Este artigo foi atualizado para incluir um comentário da UK Biobank.