Desde que os EUA e Israel deram início à sua campanha militar contra o Irão, a 28 de fevereiro, os meios de comunicação estatais iranianos e as contas pró-regime têm divulgado notícias falsas sobre a morte de Netanyahu e de outras figuras políticas israelitas de topo.
Será que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está morto? É isso que algumas pessoas têm afirmado nas redes sociais, enquanto a guerra entre Israel, os EUA e o Irão continua.
A resposta a essa pergunta é não, já que o primeiro-ministro recorreu às redes sociais no domingo para desmentir os rumores, partilhando um vídeo com a legenda "Dizem que eu estou o quê? Veja>>".
No vídeo - cuja autenticidade foi confirmada por especialistas em verificação -, ouve-se uma voz a dizer a Netanyahu: "As pessoas na Internet estão a dizer que está morto."
Ele responde: "Estou mortinho por um café. Sou louco por café. Sabem que mais? Sou louco pelo meu povo. Como é que eles se estão a comportar? Fantasticamente. Querem que conte os meus dedos?"
Desde que os EUA e Israel iniciaram a sua campanha militar contra o Irão, a 28 de fevereiro, os meios de comunicação estatais iranianos e contas pró-regime têm divulgado notícias sobre a morte de Netanyahu e de outras figuras políticas israelitas de topo, a par de propaganda sobre o seu poderio militar.
Teóricos da conspiração, autoproclamadosjornalistas e detetives da Internet também aderiram à tendência, difundido alegações nas redes sociais sobre a morte de Netanyahu.
Por que razão Netanyahu publicou o vídeo do café?
Netanyahu publicou o vídeo depois de os rumores sobre a sua morte se terem intensificado, na sequência de um discurso que proferiu a 12 de março, o que levou os utilizadores das redes sociais a alegarem que o vídeo tinha sido gerado por IA, apontando para um segmento em que ele alegadamente exibia seis dedos, em vez de cinco.
Na realidade, as imagens são autênticas, mas as versões de baixa qualidade da emissão distorceram a forma como a luz atingiu a sua mão. Os seus cinco dedos são visíveis em versões de maior qualidade do discurso.
Em resposta, Netanyahu mostrou os seus cinco dedos à câmara no vídeo sobre café que serviu de prova de vida, numa aparente tentativa de refutar as falsas alegações.
Esse vídeo de Netanyahu foi filmado no café The Sataf, nas Colinas de Jerusalém, a 15 de março. O estabelecimento partilhou vídeos e fotos da visita de Netanyahu nas suas redes sociais, ajudando a comprovar que a visita era autêntica.
Numa publicação no Instagram após a visita, o café escreveu: "Ficámos encantados por receber hoje o primeiro-ministro e a sua equipa no Staf! Eles já sabem qual a padaria que devem visitar."
Mas, apesar desta tentativa de acalmar os rumores, o vídeo pareceu ter o efeito contrário nas redes sociais, com muitos utilizadores a insistirem nas alegações de que tinha sido feito com inteligência artificial e outros a argumentarem que as imagens eram antigas.
Alegações de que o vídeo do café em Jerusalém também é falso
A 16 de março, a Agência de Notícias Tasnim - gerida pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irão - publicou um artigo intitulado "Novo vídeo de Netanyahu revela-se falso", que enumerava uma série de supostos indícios reveladores como prova de que o vídeo gravado no café, destinado a desmentir os rumores sobre a sua morte, tinha sido, ele próprio, gerado por IA.
O artigo incluía uma captura de ecrã de uma publicação no X que partilhava os resultados de um detetor de IA, que classificava o vídeo como tendo sido criado digitalmente.
A situação complicou-se ainda mais quando as pessoas recorreram ao Grok — o chatbot de IA do X — para ajudar a verificar a autenticidade das imagens de Netanyahu no café.
O Grok partilhou afirmações contraditórias, em alguns casos classificando o vídeo como "deepfake", apontando para "sinais como níveis de café estáticos, sincronização labial não natural e conversa casual sobre operações, que confirmam que é falso".
A equipa de verificação de factos da Euronews, O Cubo, contactou o X para perguntar por que razão estas publicações do Grok não tinham sido removidas na altura da publicação, mas não recebeu resposta.
No entanto, os especialistas advertiram que a inteligência artificial e os detetores de deepfakes devem ser tratados com cautela e que, neste caso, não são fiáveis.
O especialista em verificação Tal Hagin explicou-nos que "muitos destes softwares procuram discrepâncias e baseiam-se na probabilidade. Se mantiver a mão numa posição anormal, o detetor pode considerar que se trata de IA, caso não seja estatisticamente normal alguém exibir a mão dessa forma."
"Mas, na vida real, uma pessoa pode manter-se nessa posição, e é por isso que não podemos confiar nestas plataformas", disse Hagin.
"Baseamos as provas na realidade, não naquilo em que as pessoas querem acreditar", acrescentou Hagin. "Se este vídeo fosse IA, seria literalmente o modelo de IA mais avançado que alguma vez existiu. E não se pode simplesmente dizer na Internet que a equipa de Netanyahu tem acesso a um novo modelo secreto de IA. É preciso provas."
O vídeo é antigo?
Muitas contas nas redes sociais alegaram que o facto de se verem seguranças a usar máscaras faciais nas imagens da visita de Netanyahu ao café servia como prova de que o vídeo tinha sido filmado durante a pandemia de covid-19.
Na realidade, os membros da Unidade de Proteção VIP do Shin Bet - responsável pela segurança dos mais altos cargos do governo de Israel, incluindo o primeiro-ministro - já usavam máscaras faciais anteriormente, para ocultar as suas identidades.
Os utilizadores das redes sociais também alegaram que o recibo exibido no vídeo tinha a data de 2024.
Tal Hagin disse-nos que este tipo de supostas pistas pode ser facilmente desmentido.
"A maioria dos erros que as pessoas viram, como o recibo que diziam ser de 2024, deveu-se simplesmente ao facto de terem visto imagens de baixa qualidade", afirmou. "Se se olhar para as imagens de alta qualidade, vê-se claramente que diz 2026."
Outros líderes também alvo de rumores sobre a sua morte
Netanyahu é apenas um dos vários dirigentes israelitas de topo no centro de rumores que apontam para a sua morte, à medida que a guerra no Médio Oriente continua.
No X, utilizadores alegaram falsamente que o chefe do Mossad israelita, David Barnea, tinha sido morto, partilhando imagens de uma cena de crime.
No entanto, não há provas verificadas que sustentem as alegações sobre a morte de Barnea, que deverá exercer o cargo de diretor da Mossad até junho de 2026.
Além disso, os vídeos do local do crime, que foram amplamente divulgados nas redes sociais, referem-se, na realidade, às consequências de um atentado suicida em Telavive, em agosto de 2024, pelo qual o braço armado do Hamas, as Brigadas Al-Qassam, reivindicou a responsabilidade.
A Euronews contactou o gabinete do primeiro-ministro israelita para obter esclarecimentos, mas não recebeu resposta até à data de publicação.