O Partido Popular terá de negociar com o Vox para poder manter-se no governo por mais quatro anos, enquanto o PSOE regista o seu pior resultado eleitoral na região que foi o seu bastião durante anos.
A contagem dos votos terminou e deixa um resultado que vai além da Andaluzia: o PP vence, mas perde a maioria absoluta e precisará do Vox para governar, consolidando uma fórmula política que já se repete em vários territórios e que começa a projetar-se à escala nacional e europeia.
Com os resultados definitivos, o partido de Juanma Moreno obtém 53 lugares, a dois da maioria absoluta. O Vox, com 15 deputados, torna-se um parceiro indispensável para garantir a investidura. A equação é clara: o centro-direita governa, mas apoiado pela extrema-direita.
A nível nacional, o resultado representa um impulso para Alberto Núñez Feijóo, cuja estratégia de acordos regionais com o Vox se vê reforçada, como antecipação de um possível cenário semelhante após as eleições gerais de 2027. A Andaluzia, devido ao seu peso demográfico e simbólico, funciona como um campo de testes para essa fórmula.
Recuo do PSOE e panorama fragmentado à sua esquerda
Perante esta situação, o PSOE sofre um recuo significativo. A candidatura de María Jesús Montero fica-se pelos 28 lugares, consolidando o pior resultado histórico do partido na comunidade. O resultado enfraquece a posição do governo central e aumenta a pressão sobre Pedro Sánchez num contexto já marcado pelo desgaste e pela polarização política.
À esquerda do PSOE, o panorama político está a redefinir-se. O Adelante Andalucía cresce para oito lugares, enquanto o Por Andalucía mantém os seus cinco, refletindo uma fragmentação que dificulta a construção de uma alternativa sólida ao bloco de direita.
Para além dos números, o resultado andaluz transmite várias mensagens de fundo. Por um lado, confirma a consolidação do PP como primeira força em amplas zonas do país. Por outro, evidencia que a governabilidade desse espaço político passa, em muitos casos, por acordos com o Vox, algo que poderá repetir-se a nível estatal.
Estas eleições na comunidade mais populosa do país são vistas como um termómetro político para as legislativas previstas para 2027, num contexto marcado pelo desgaste do executivo e por várias investigações por corrupção que atingem o círculo de Pedro Sánchez e antigos colaboradores.
A Andaluzia, com cerca de nove milhões de habitantes, detém amplas competências em áreas‑chave como saúde, educação ou habitação, o que torna estas eleições um palco decisivo dentro do sistema descentralizado espanhol. Bastidão tradicional socialista durante quase quatro décadas, a região é governada desde 2019 pelo Partido Popular.
As mesas de voto abriram às 9:00 e permaneceram abertas até às 20:45 devido a um problema em três mesas de voto, num dia acompanhado com especial atenção tanto a nível regional como nacional. Um total de 163.510 andaluzes votou antecipadamente, segundo os dados oficiais.
PP não descarta entendimentos com Vox
Durante a campanha, o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, apelou ao voto no seu partido com o argumento de que uma vitória na Andaluzia teria um duplo efeito: consolidar a mudança política na região e reforçar a alternativa ao governo de Sánchez.
O PP não descartou acordos com o Vox, como já fez noutras comunidades autónomas, o que o coloca numa posição diferente da de outros partidos conservadores europeus que mantêm distâncias face à extrema‑direita.
Já Sánchez pediu, em antecipação às eleições, uma mobilização do eleitorado progressista para evitar a entrada do Vox no governo andaluz, defendendo a candidatura de Montero como uma opção sólida para a comunidade.