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Espanha: PP vence na Andaluzia, mas perde maioria absoluta e vai depender do Vox para governar

Uma eleitora vota na Andaluzia.
Uma cidadã vota na Andaluzia Direitos de autor  Imágenes de 'RTVE'
Direitos de autor Imágenes de 'RTVE'
De Christina Thykjaer & Cristian Caraballo
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O Partido Popular terá de negociar com o Vox para poder manter-se no governo por mais quatro anos, enquanto o PSOE regista o seu pior resultado eleitoral na região que foi o seu bastião durante anos.

A contagem dos votos terminou e deixa um resultado que vai além da Andaluzia: o PP vence, mas perde a maioria absoluta e precisará do Vox para governar, consolidando uma fórmula política que já se repete em vários territórios e que começa a projetar-se à escala nacional e europeia.

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Com os resultados definitivos, o partido de Juanma Moreno obtém 53 lugares, a dois da maioria absoluta. O Vox, com 15 deputados, torna-se um parceiro indispensável para garantir a investidura. A equação é clara: o centro-direita governa, mas apoiado pela extrema-direita.

A nível nacional, o resultado representa um impulso para Alberto Núñez Feijóo, cuja estratégia de acordos regionais com o Vox se vê reforçada, como antecipação de um possível cenário semelhante após as eleições gerais de 2027. A Andaluzia, devido ao seu peso demográfico e simbólico, funciona como um campo de testes para essa fórmula.

Recuo do PSOE e panorama fragmentado à sua esquerda

Perante esta situação, o PSOE sofre um recuo significativo. A candidatura de María Jesús Montero fica-se pelos 28 lugares, consolidando o pior resultado histórico do partido na comunidade. O resultado enfraquece a posição do governo central e aumenta a pressão sobre Pedro Sánchez num contexto já marcado pelo desgaste e pela polarização política.

À esquerda do PSOE, o panorama político está a redefinir-se. O Adelante Andalucía cresce para oito lugares, enquanto o Por Andalucía mantém os seus cinco, refletindo uma fragmentação que dificulta a construção de uma alternativa sólida ao bloco de direita.

Para além dos números, o resultado andaluz transmite várias mensagens de fundo. Por um lado, confirma a consolidação do PP como primeira força em amplas zonas do país. Por outro, evidencia que a governabilidade desse espaço político passa, em muitos casos, por acordos com o Vox, algo que poderá repetir-se a nível estatal.

Estas eleições na comunidade mais populosa do país são vistas como um termómetro político para as legislativas previstas para 2027, num contexto marcado pelo desgaste do executivo e por várias investigações por corrupção que atingem o círculo de Pedro Sánchez e antigos colaboradores.

A Andaluzia, com cerca de nove milhões de habitantes, detém amplas competências em áreas‑chave como saúde, educação ou habitação, o que torna estas eleições um palco decisivo dentro do sistema descentralizado espanhol. Bastidão tradicional socialista durante quase quatro décadas, a região é governada desde 2019 pelo Partido Popular.

As mesas de voto abriram às 9:00 e permaneceram abertas até às 20:45 devido a um problema em três mesas de voto, num dia acompanhado com especial atenção tanto a nível regional como nacional. Um total de 163.510 andaluzes votou antecipadamente, segundo os dados oficiais.

PP não descarta entendimentos com Vox

Durante a campanha, o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, apelou ao voto no seu partido com o argumento de que uma vitória na Andaluzia teria um duplo efeito: consolidar a mudança política na região e reforçar a alternativa ao governo de Sánchez.

O PP não descartou acordos com o Vox, como já fez noutras comunidades autónomas, o que o coloca numa posição diferente da de outros partidos conservadores europeus que mantêm distâncias face à extrema‑direita.

Já Sánchez pediu, em antecipação às eleições, uma mobilização do eleitorado progressista para evitar a entrada do Vox no governo andaluz, defendendo a candidatura de Montero como uma opção sólida para a comunidade.

Outras fontes • AFP

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