As alterações que o atual executivo pretende introduzir na legislação laboral originaram a segunda greve geral no país em apenas seis meses. Em Lisboa, centenas de manifestantes diseram "não" às medidas que consideram favorecer apenas o lado dos patrões.
Centenas de pessoas reuniram-se em Lisboa em dia de greve geral.
O mote são as alterações que o atual executivo pretende introduzir na legislação laboral. Para os manifestantes, num país que trava uma batalha com baixos salários, os custos da habitação e a inflação, o pacote de medidas anunciado, serve muito poucos.
"É importante que o país deixe claro ao governo que esta reforma do Código do Trabalho não é do interesse de ninguém. Ou melhor, beneficia os empregadores em detrimento dos trabalhadores", explica Rafael Medeiro, designer de 30 anos. "Vivemos num país onde os salários estão cada vez mais baixos; as pessoas já não têm meios para comprar mantimentos no supermercado ou para ter um teto sobre a cabeça. Acredito que uma greve geral capaz de paralisar o país é o sinal de que o governo e o parlamento devem suspender esta reforma".
O pacote laboral, que falhou em encontrar consenso entre o governo e as maiores centrais sindicais o país, originou a segunda greve geral em seis meses.
Do Largo do Rossio até à Assembleia da República, centenas marcharam empunhando cartazes e palavras de ordem. Falam num pacote de medidas desequilibrado, que favorece apenas o lado dos patrões e trará mais precariedade e dificuldades à classe trabalhadora.
"O que eu pessoalmente desejo é que este pacote (laboral) seja rejeitado. Para que se discutam benefícios para os trabalhadores e não apenas para os empregadores", afirmou Maria João Branco, trabalhadora no setor privado, que participou no protesto. Célia Afonso, também funcionária do setor privado, diz ser contra o pacote de medidas que, segundo ela, " representa um grande retrocesso para os direitos dos trabalhadores", nomeadamente a "introdução do banco de horas, as restrições impostas a muitas mulheres que amamentam e também a extensão dos contratos (de curta duração), sobretudo para quem está a dar os primeiros passos no mercado de trabalho".
No protesto, convocado pela CGTP, participaram trabalhadores de diferentes setores. Isabel Barbosa, enfermeira de profissão, explica como as medidas que o Governo pretende introduzir deixam o "patrão e as empresas com um poder quase absoluto sobre as nossas vidas". "No setor da saúde, isto é particularmente preocupante. Temos horários muito exigentes; se introduzirmos o banco de horas e tivermos um contrato fraco, será muito difícil recusar", reforçou a profissional.
Mesmo quem não é diretamente afetado pelas medidas, decidiu sair a rua numa luta que dizem ser de todos. É o caso de Patrícia Grave, bolseira de investigação. "Embora não tenha nenhum contrato de trabalho, sinto-me na obrigação de lutar por mim e pelos outros, uma vez que isto afeta médicos, professores e todos os outros serviços da nossa comunidade".
A manifestação decorreu de forma ordeira e tranquila com exceção de alguns desacatos no final do protesto. Seis pessoas foram detidas pelas autoridades.
Governo e sindicatos apresentam versões distintas dos números da greve, com o executivo a afirmar que a maioria do país foi trabalhar.
A CGTP garante que os trabalhadores voltaram a dizer "não" ao pacote laboral que seguiu para discussão e votação no Parlamento.