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Parlamento Europeu condena Zelenskyy por rebatizar unidade militar com nome polémico

Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy
Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy Direitos de autor  AP Photo
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De Vincenzo Genovese
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A resolução sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia classifica a opção como uma "escalada desnecessária e não provocada" pelo presidente ucraniano, reavivando as tensões entre Varsóvia e Kiev.

O Parlamento Europeu aprovou esta quarta-feira uma emenda em que critica a decisão de Volodymyr Zelenskyy de rebatizar uma unidade militar ucraniana de elite com o nome de Exército Insurgente Ucraniano (UPA), o nome de uma unidade da Segunda Guerra Mundial. A decisão do presidente ucraniano já desencadeou uma disputa diplomática com a Polónia.

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Uma larga maioria de eurodeputados votou a favor da alteração, que exprime pesar pela "recente escalada desnecessária e não provocada" por parte do presidente ucraniano, lembrando o apoio firme da Polónia à Ucrânia na luta contra a invasão russa.

A proposta foi apresentada pelo eurodeputado polaco do Partido Popular Europeu (PPE) Andrzej Halicki, em conjunto com o colega alemão Michael Gahler, e integrada num relatório que avalia o percurso da Ucrânia rumo à adesão à União Europeia (UE).

Na Ucrânia, o UPA é amplamente homenageado pelo papel na oposição ao domínio soviético e na luta pela independência do país.

Na Polónia, porém, é amplamente associado ao massacre de Volínia (1943-45), quando dezenas de milhares de polacos foram mortos sob ocupação nazi. A Polónia reconheceu o massacre como genocídio, uma classificação rejeitada pela Ucrânia.

Em resposta à decisão de Zelenskyy, o presidente polaco, Karol Nawrocki, retirou ao chefe de Estado ucraniano a Ordem da Águia Branca, a mais alta distinção do Estado polaco, atribuída em 2023.

A disputa diplomática afetou a mais recente Conferência de Recuperação da Ucrânia, em Gdańsk, onde Zelenskyy foi substituído pela primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko. A controvérsia pode também afetar o apoio da opinião pública na Polónia à candidatura da Ucrânia à adesão à UE, com 60% dos cidadãos polacos a oporem-se, segundo uma recente sondagem (em inglês).

Zelenskyy reconheceu recentemente que existem "algumas questões internas" entre a Ucrânia e a Polónia ligadas a "dificuldades da nossa história", apelando a que os dois lados fechem fileiras contra a Rússia e vivam mais "no futuro do que no passado".

Parlamento regista amplo apoio à condenação

O texto do Parlamento exprime pesar pelo que descreve ser um "desrespeito pelas sensibilidades e pelo luto dos polacos ligados às estimadas dezenas de milhares de vítimas do UPA e às suas famílias" expresso na decisão de Zelenskyy.

Os eurodeputados consideram ainda que a decisão de Zelenskyy "fragiliza as relações de boa vizinhança" e "não está em linha com os valores europeus", apelando à desanuviamento e à reconciliação entre Kiev e Varsóvia.

"É um sinal muito forte, é um aviso às autoridades ucranianas para não criarem sentimentos negativos e não agirem contra os valores europeus", disse Halicki à Euronews após a votação. "Têm de pensar em como fazer parte da nossa união. Se quiserem fazer parte dela, têm de respeitar as regras comuns."

Apesar da alteração sobre a unidade militar UPA, a resolução do Parlamento reitera o apoio à Ucrânia face à agressão russa e reconhece os progressos do país rumo à adesão à UE.

Os deputados afirmaram que "o futuro da Ucrânia está na UE" e reconheceram a integração europeia da Ucrânia como "uma prioridade estratégica para a União".

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