Organismo autoriza que os reatores se mantenham em funcionamento por mais três anos, mas a decisão final cabe agora ao governo.
O plenário do Conselho de Segurança Nuclear (CSN) de Espanha aprovou esta quinta-feira a continuação da operação da central de Almaraz até 2030, tal como as empresas proprietárias, a Iberdrola, Endesa e Naturgy, tinham pedido. A autorização não prevê investimentos adicionais para as empresas.
O plenário do CSN estava marcado para segunda-feira da semana passada, com o objetivo de analisar o parecer técnico. Mas a reunião acabou por ser adiada a pedido de um dos membros, que pediu mais tempo para estudar o documento.
Este plenário é composto pelo presidente, Juan Carlos Lentijo, pela vice-presidente, Pilar Lucio, e por três vogais, Javier Dies, Francisco Castejón e Silvia Calzón.
O debate sobre Almaraz coincide também com uma mudança na posição da União Europeia em relação à energia nuclear. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, admitiu recentemente que a Europa cometeu um erro estratégico ao afastar-se desta fonte de energia e anunciou a mobilização de 200 milhões de euros para incentivar o investimento privado em novas tecnologias nucleares.
Relatório técnico sobre a continuidade da central
O calendário atual prevê um encerramento faseado: o primeiro reator deve deixar de operar em novembro de 2027 e o segundo em outubro de 2028.
Mesmo assim, o parecer do CSN não é definitivo: a última palavra cabe ao Governo, que tem dois meses para decidir se autoriza ou não a prorrogação da exploração da central.
Ao avaliar este tipo de pedidos, o organismo regulador analisa o estado das instalações, os sistemas de segurança e os investimentos necessários para garantir uma exploração segura.
Um dos principais argumentos a favor da continuidade de Almaraz é que a central voltou a obter em 2025 a categoria WANO 1, a distinção máxima da Associação Mundial de Operadores de Instalações Nucleares. O governo regional da Extremadura invoca este reconhecimento como um dos motivos para defender a prorrogação da atividade.