A votação parlamentar acontece poucas semanas depois de Judit Polgár, campeã de xadrez, recusar a proposta do primeiro-ministro. Magyar ainda não divulgou o candidato, mas já reuniu com várias figuras de destaque.
O Parlamento da Hungria vota em novo presidente na próxima terça-feira, mas ainda não há qualquer candidato formalmente proposto para o cargo.
Renovar os principais cargos do Estado foi uma das principais promessas do primeiro-ministro Péter Magyar, depois de o seu partido Tisza ter alcançado uma vitória esmagadora nas legislativas de abril, pondo fim a 16 anos de poder de Viktor Orbán.
Em julho, o governo de Magyar recorreu a uma alteração constitucional para afastar o anterior presidente, Tamás Sulyok, que o primeiro-ministro descreveu como um “fantoche de Orbán”.
Pouco depois, Magyar convidou a lenda do xadrez e antiga campeã mundial Judit Polgár para o cargo, mas esta recusou a nomeação, alegando as profundas divisões políticas na Hungria.
A forma como Magyar conduziu a nomeação suscitou críticas de deputados da oposição e de ONG, que sustentam que, ao contrário do que prometera, não houve uma verdadeira consulta pública sobre o processo.
Em resposta, numa publicação no Facebook, Magyar afirmou que o Tisza apenas tinha pedido recomendações, não lançado uma “consulta à sociedade”, e que a escolha final cabia ao grupo parlamentar do partido e à Assembleia Nacional.
“Vamos decidir em conjunto”, afirmou Magyar num vídeo nas redes sociais publicado no fim de julho.
“Não queremos encontrar o candidato mais adequado em salas de charuto. Que partidos, figuras públicas, sociedade civil e cidadãos apresentem propostas.”
A Presidência é um cargo sobretudo protocolar, embora quem o ocupa possa promulgar leis ou remetê-las para o Tribunal Constitucional e tenha poder para conceder perdões a condenados.
A presidente do Parlamento, Ágnes Forsthoffer, exerce atualmente funções em regime interino.
Várias ONG e partidos políticos apresentaram candidatos. O próprio Magyar reuniu-se com várias figuras de destaque e potenciais nomeados, entre elas o professor de Direito e antigo presidente da Curia (ex Supremo Tribunal da Hungria), András Baka, o historiador Ignác Romsics e o advogado Botond Fülöp, que revelou um indulto presidencial secreto no caso de pedofilia que levou à demissão da antiga presidente Katalin Novák, em 2024.
Segundo Magyar, o próximo presidente deve simbolizar a unidade nacional e servir o país sem passado ou ligação partidária.
O partido Fidesz, na oposição a Orbán, já anunciou que não vai participar na votação presidencial, alegando que a destituição de Sulyok foi ilegítima.