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França: ministra da Transição Ecológica apresenta demissão mas aceita ficar a pedido de Macron

Monique Barbut
Monique Barbut Direitos de autor  AP Photo
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De Etienne Paponaud com AFP
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Monique Barbut aceitou "continuar a desempenhar a sua missão" depois de ter recebido todo o apoio do presidente Emmanuel Macron.

A ministra da Transição Ecológica de França, Monique Barbut, anunciou que "apresentaria a sua demissão ao Presidente da República" ainda esta quarta-feira, após a aprovação definitiva pelo Parlamento de uma medida controversa sobre os pesticidas à qual se opunha.

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"Contrariamente aos compromissos que me tinham sido assumidos, o governo impediu o debate sobre a revogação desta medida, que, no entanto, era também desejada pelos deputados", escreveu numa mensagem publicada no LinkedIn (fonte em francês). acrescentando que a reviravolta significava demasiado "retrocesso ambiental". Porém, aceitou "continuar a desempenhar a sua missão" depois de Macron não ter aceitado a resignação e vai permanecer no cargo devido à "urgência de fazer face às consequências das alterações climáticas, que estão a afetar gravemente o nosso país", informou o seu gabinete.

O Parlamento aprovou na terça-feira o projeto de lei de emergência agrícola do governo, que inclui, nomeadamente, a reintrodução de determinados pesticidas autorizados na União Europeia, mas proibidos em França. A lei prevê a possibilidade de a Agência de Segurança Sanitária (Anses) reintroduzir, sob determinadas condições, o acetamiprida e o flupiradifurone em vários setores em dificuldades, nomeadamente os das avelãs e da beterraba.

"Em 2016, a França optou por proibir o acetamipride em nome do princípio da precaução, com base nos pareceres científicos disponíveis. (…) Dez anos depois, longe de ter dissipado as preocupações, os estudos científicos continuam a alimentar as dúvidas sobre os seus efeitos na saúde humana e no ambiente", criticou a ex-presidente da ONG ambiental WWF França.

"Nestas condições, o princípio da precaução não perdeu nada da sua relevância: é mais imperativo do que nunca", acrescentou ela.

Ameaças repetidas de saída

Um ano após a forte mobilização cidadã contra a lei Duplomb, que previa o regresso do acetamiprida antes de ser censurada pelo Conselho Constitucional, o regresso desta possibilidade continua a suscitar controvérsia.

Na segunda-feira, deputados do bloco governamental sugeriram ao Executivo que a retirasse por meio de uma alteração. Uma proposta rejeitada pelo governo.

"A política não faz parte do meu mundo e, se é disso que se trata, definitivamente não fará", explicou Monique Barbut, que já tinha posto a sua demissão em jogo em janeiro, antes de vencer a arbitragem governamental relativa à reintrodução de projetos de exploração de hidrocarbonetos em determinados territórios ultramarinos.

Conhecida pela sua franqueza, Monique Barbut também tinha ameaçado várias vezes demitir-se, num contexto de ameaças aos orçamentos atribuídos ao seu ministério.

"O que eu quero são orçamentos reais para a adaptação e para o Fundo Verde", que apoia as autarquias locais nos seus investimentos a serviço da transição ecológica, repetira ela. Sem evitar novos cortes, conseguiu manter um nível de financiamento que considerava necessário.

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