Dezenas de milhares continuam a sair das suas casas, enquanto as autoridades combatem os incêndios em Gironda, perto de Bordéus, e Espanha avança que fogos junto a Madrid estão a ser lentamente controlados.
O incêndio florestal de grandes dimensões no sudoeste de França obrigou à retirada de 55 mil pessoas durante a noite de domingo, elevando para 220 mil o total de pessoas retiradas de casa apenas nesta região, à medida que as chamas se aproximavam cada vez mais da cidade vinícola de Bordéus.
Ventos instáveis e em rajadas, bem como a seca, dificultaram as operações de grande escala para travar a propagação do fogo, que está fora de controlo desde meio da semana no departamento francês de Gironda, onde se situa Bordéus.
As autoridades emitiram várias ordens de evacuação durante a noite para pelo menos cinco localidades a sudoeste da cidade histórica.
“A situação continua muito desfavorável”, afirmou o ministro francês do Interior, Laurent Nunez, após aquilo que descreveu como “mais uma noite difícil” para as equipas que combatem sem descanso um incêndio que já consumiu uma área quatro vezes superior à da capital, Paris.
“O fogo voltou a tornar-se extremamente violento e imprevisível, gerando os seus próprios ventos e avançando de forma errática em direção à área metropolitana de Bordéus”, escreveu Nunez na rede social X.
“Acabou por acalmar no fim da noite”, acrescentou o ministro.
Calcula-se que no departamento de Gironda já tenham ardido 42 mil hectares, segundo as autoridades da região, sobretudo florestas e matos ressequidos por vagas de calor sucessivas. Corresponde a sete vezes a área da ilha de Manhattan, em Nova Iorque, e a quatro vezes a dimensão de Paris.
Os bombeiros seguiram a toda a velocidade em viaturas para atacar reativações e aviões que largavam água e retardantes rodaram no ar carregado de fumo. Agricultores levaram água em cisternas às equipas no terreno para que pudessem combater as chamas sem interrupção.
“Isto permite aos bombeiros concentrarem-se no incêndio”, disse Theo Hernandez, viticultor da região. “É muito forte, muito virulento, está a espalhar-se por todo o lado.”
O número de bombeiros mobilizados aumentou para 2 500, apoiados do ar por 18 aviões e helicópteros, incluindo de outros países europeus.Também foram chamados militares para apoiar as equipas no terreno, recorrendo a um avião de carga militar A400M que largou nuvens de retardante de cor ocre.
A administração da Gironda indicou que 84 bombeiros receberam tratamento por ferimentos sofridos nas operações de combate, que destruíram centenas de habitações.
Espanha: chamas em Madrid começam a ser controladas
Entretanto, em Espanha, os incêndios florestais continuaram fora de controlo nos arredores de Madrid. No domingo realizaram-se também evacuações na região de Valência. Um homem morreu no sábado num incêndio em Manises, nos subúrbios da cidade valenciana, a primeira vítima mortal registada em Espanha nesta vaga de fogos.
“Ainda temos horas difíceis pela frente”, afirmou no domingo o primeiro-ministro Pedro Sánchez, acrescentando que a noite foi “muito positiva em termos de controlo das chamas”.
Ao todo, 76 mil pessoas foram retiradas das suas casas em Espanha e outras 30 mil ficaram confinadas, indicou o governo. Muitos deslocados manifestaram preocupação com o que irão encontrar quando puderem regressar às suas habitações.
“Parecia o apocalipse. Não se via nada. Estava tudo coberto de cinza”, contou Rocío Domínguez, que foi desalojada com o cão a partir de Chapinería, a oeste de Madrid.
“Não sabemos se, quando chegarmos à povoação, vamos encontrar metade da casa queimada, se a casa intacta ou se não vamos ter casa nenhuma”, disse. “Toda a roupa, todas as recordações, tudo.”