Loader
Encontra-nos
Publicidade

Espanha: 150 mil hectares de área ardida enquanto pacto político contra os incêndios continua por concretizar

Um bombeiro transporta uma mangueira enquanto combate um incêndio florestal em San Martín de Valdeiglesias, a oeste de Madrid, Espanha, em 26 de julho de 2026.
Um bombeiro transporta uma mangueira enquanto combate um incêndio florestal em San Martín de Valdeiglesias, a oeste de Madrid, Espanha, em 26 de julho de 2026. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
De Christina Thykjaer
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Enquanto governo e oposição continuam sem chegar a acordo sobre uma estratégia comum para combater os incêndios, os bombeiros florestais alertam há meses para a falta de meios na prevenção e exigem mais pessoal e melhores recursos.

Este verão, os incêndios que devastaram dezenas de milhares de hectares em Espanha voltaram a colocar em cima da mesa um debate recorrente: a necessidade de um grande acordo político para enfrentar uma ameaça que todos os anos ganha intensidade na Península Ibérica.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Com mais de 150 mil hectares de área ardida desde o início de 2026, seis vezes mais do que no mesmo período do ano anterior, e mais de 90 mil pessoas evacuadas ou confinadas devido aos grandes incêndios registados no centro da Península, o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, voltou a defender um "grande pacto de Estado face à emergência climática", uma proposta que já tinha apresentado em anteriores épocas de incêndios.

No entanto, o acordo continua por concretizar.

A ideia de um pacto nacional não é nova. Após os incêndios do verão de 2025, o Governo espanhol anunciou que iria promover um Pacto de Estado para a mitigação e adaptação à emergência climática, com o objetivo de envolver todas as administrações, os grupos parlamentares, a comunidade científica e os parceiros sociais numa estratégia comum para enfrentar fenómenos extremos como incêndios, secas ou inundações.

O Partido Popular rejeitou então a iniciativa. A porta-voz, Ester Muñoz, afirmou que o pacto era uma “cortina de fumo” que “não apaga os incêndios nem dá soluções às pessoas”, enquanto Alberto Núñez Feijóo defendeu uma abordagem alternativa baseada num Plano Integral contra os Incêndios, com medidas como o reforço da gestão florestal, o agravamento das penas para os incendiários, a criação de um registo nacional de pirómanos e a melhoraria da coordenação entre administrações.

Este verão, durante uma visita ao Posto de Comando Avançado de Navalcarnero, Feijóo evitou alimentar a polémica em torno da proposta do Governo e apelou à unidade institucional: "Estamos todos juntos nesta tarefa", afirmou, insistindo que a prioridade devia ser combater os incêndios antes de abrir um debate político.

Prevenção, o grande ponto fraco

Mas, enquanto os políticos continuam a discutir qual a melhor estratégia a seguir, os bombeiros florestais de toda a Espanha saem à rua há meses para deixar o mesmo alerta: sem mais recursos para a prevenção e sem melhores condições para quem trabalha no terreno, os grandes incêndios continuarão a repetir-se.

Os alertas sucedem-se praticamente sem interrupção desde a primavera. Em abril, os bombeiros florestais de Gran Canaria concentraram-se em frente ao Cabildo para exigir melhorias salariais, mais pessoal e mais meios materiais. Nesse mesmo mês, os bombeiros florestais da Comunidade de Madrid alertaram que os trabalhos de prevenção tinham sido reduzidos para cerca de metade e advertiram para o risco de enfrentar o verão com um dispositivo insuficiente.

Em maio, chegaram os protestos dos bombeiros florestais da Andaluzia. Em junho, foi a vez dos de Múrcia e Leão. Em julho, coincidindo com a vaga de grandes incêndios que afetou grande parte do país, voltaram a mobilizar-se os bombeiros de Madrid e também os de Toledo. Comunidade após comunidade, os vários operacionais repetiram praticamente o mesmo diagnóstico: falta de efetivos, escassez de recursos e uma prevenção insuficiente.

O caso de Madrid é particularmente ilustrativo. Os alertas de abril surgiram vários meses antes de a região registar alguns dos incêndios mais graves da sua história recente, chamando a atenção para um problema que os profissionais consideram estrutural.

Os especialistas em gestão florestal insistem há anos que os grandes incêndios não se combatem apenas quando as chamas já estão ativas. A prevenção começa muito antes, com a gestão da floresta, a limpeza de terrenos, as queimas controladas, a manutenção de corta-fogos e um planeamento contínuo que reduza o combustível vegetal e limite a propagação do fogo quando chegam as altas temperaturas.

Consenso por concretizar

A gravidade dos incêndios deste verão voltou a evidenciar que o risco já não pode ser encarado como um fenómeno excecional, mas como uma consequência cada vez mais frequente das ondas de calor e das condições meteorológicas extremas.

No entanto, embora o debate sobre um grande acordo nacional regresse todos os verões, Espanha continua sem uma estratégia consensual entre Governo e oposição que combine prevenção, gestão florestal, adaptação climática e coordenação institucional. Entretanto, as chamas continuam a marcar o ritmo de uma discussão política que permanece, por agora, sem solução.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Evacuações em massa em França e Espanha por causa dos incêndios que continuam a alastrar

Incêndios em Espanha: Portugal envia Força Operacional Conjunta

Espanha: mais de 63 000 desalojados nos incêndios de Madrid e Ávila