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Europa: onde é que a crise no estreito de Ormuz mais fez subir os preços dos combustíveis?

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De Alessio Dell'Anna & video by Léa Becquet
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Depois de uma breve trégua na sequência de um acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irão, a crise no estreito de Ormuz voltou a fazer disparar o preço do petróleo. O Europe in Motion analisa os países europeus com maiores oscilações.

Navegar pelo Estreito de Ormuz, a rota marítima crucial entre o Irão e Omã, continua a ser uma operação de elevado risco.

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Nos últimos dias, sucederam‑se vários relatos de ataques a petroleiros, atribuídos tanto ao Irão como aos rebeldes Houthi do Iémen, apoiados por Teerão.

Os Estados Unidos garantem que a passagem permanece aberta, mas ao mesmo tempo ameaçam atacar pontes e centrais elétricas iranianas, caso os ataques prossigam.

Especialistas indicam que as últimas ofensivas têm visado sobretudo grandes navios mercantes internacionais e não embarcações de comércio local, mas, apesar disso, estão a ter um impacto significativo nos preços do petróleo na Europa.

Três rapazes brincam nas águas pouco profundas do Estreito de Ormuz, enquanto uma coluna de fumo se ergue de uma explosão ao fundo, ao largo de Bandar Abbas, Irão, segunda-feira, 13 de julho de 2026.
Três rapazes brincam nas águas pouco profundas do Estreito de Ormuz, enquanto uma coluna de fumo se ergue de uma explosão ao fundo, ao largo de Bandar Abbas, Irão, segunda-feira, 13 de julho de 2026. Razieh Poudat/ISNA via AP

Itália e Chipre são únicos países da UE onde os preços da gasolina continuam a subir

No mês passado, depois de Washington e Teerão terem acordado um memorando de entendimento de 14 pontos, que incluía um cessar-fogo, os preços dos combustíveis na Europa finalmente deixaram de subir, ainda que de forma temporária.

Em comparação com maio, em junho o preço do gasóleo caiu 6,4% e o da gasolina 4,2%, segundo dados recentes do Eurostat.

As maiores descidas registaram-se na Bulgária (-11,3%), Polónia (-9,7%) e Chéquia (-9,4%), enquanto as menores ocorreram na Hungria (-0,6%), Itália (-1,4%) e Eslovénia (-1,6%).

No que respeita aos preços da gasolina, Chipre (+0,7%) e Itália (+0,5%) foram os únicos países da UE a registarem aumentos entre maio e junho de 2026. Todos os outros países registaram descidas, com as maiores na Suécia (-7,8%), Bélgica (-7,0%) e Polónia (-6,6%).

Mas esta nova fase de tensão e perturbações, sem acordo à vista, está a voltar a empurrar os preços dos combustíveis para níveis muito elevados. À escala mundial, o preço do crude já ultrapassou os 100 dólares por barril, o valor mais alto desde o início de junho.

Espanha e Polónia resistem graças a cortes fiscais, enquanto Leste europeu sofre maior perturbação ano após ano

Em termos homólogos (junho de 2025 a junho de 2026), as maiores variações de preços ocorreram na Bulgária, Lituânia e Roménia, todas acima de 23%.

Alguns países fora da UE registaram aumentos ainda mais elevados: quase 32% na Turquia e perto de 30% na Geórgia.

Espanha, Hungria e Polónia: como mantêm os preços dos combustíveis baixos

Excluindo Malta, os menores aumentos dos preços dos combustíveis na UE verificaram-se na Hungria (2,3%), Polónia (5,8%) e Espanha (7,9%).

Hungria avançou com um teto para os preços dos combustíveis, enquanto Espanha e Polónia conseguiram conter a subida graças a cortes no IVA sobre gasolina e gasóleo.

A medida, porém, gerou resistência em Bruxelas, já que a UE recomendava antes a redução dos impostos especiais sobre o consumo.

Espanha beneficia ainda de uma resiliência significativa no setor de refinação e distribuição.

Apesar de depender fortemente das importações de crude, Madrid dispõe de uma vasta rede de refinarias de petróleo, o que reduz a dependência de combustíveis acabados e de custos de fornecimento.

“Espanha conta com um sistema de infraestruturas petrolíferas único, com ampla cobertura geográfica e interligações, incluindo 11 terminais portuários de petróleo, uma vasta rede de oleodutos e capacidade de armazenamento ligada às refinarias”, afirma a Agência Internacional da Energia.

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