O presidente dos EUA afirmou que Washington destruirá uma infraestrutura civil, incluindo locais perto de Teerão, sempre que o Irão atacar um navio no estreito de Ormuz, num conflito que já vai no 11.º dia consecutivo de ataques norte-americanos.
Na quarta-feira, o presidente Donald Trump prometeu que os Estados Unidos iriam bombardear infraestruturas civis iranianas sempre que Teerão disparar contra navios no estratégico estreito de Ormuz.
"A partir de agora, sempre que a República Islâmica do Irão disparar contra um navio no estreito de Ormuz, seja com míssil, foguete, drone ou qualquer outro dispositivo ou arma, os Estados Unidos vão bombardear e destruir uma ponte ou uma central elétrica", escreveu Trump na sua rede Truth Social.
Trump afirmou que isto inclui instalações iranianas "situadas junto da capital Teerão ou mesmo no seu interior".
A ameaça de Trump surgiu pouco antes de se deslocar a uma base aérea para receber os restos mortais de três militares norte-americanos mortos em ataques iranianos contra instalações militares dos EUA no Golfo.
Disse que ia "prestar homenagem aos nossos heróis e eles são, de facto, grandes heróis".
Segundo Trump, "todos disseram, de forma muito clara, que não podemos deixar que o Irão tenha uma arma nuclear, por isso vamos homenageá-los... Para mim, é das tarefas mais difíceis como presidente, mas tem de ser feita", acrescentou.
Trump rejeitou as sondagens que indicam que a guerra com o Irão é impopular entre os eleitores norte-americanos, a poucos meses das eleições intercalares de novembro, numa altura em que a subida do preço do petróleo está a alimentar um forte aumento do custo de vida.
A guerra já custou a Washington 37,5 mil milhões de dólares (32,8 mil milhões de euros).
"Os norte-americanos não querem preços elevados da gasolina, mas não são contra a guerra, isso ficou bem claro", afirmou Trump.
Irão e Jordânia abalados por ataques
Washington intensificou os ataques contra o Irão desde que um acordo preliminar de cessar-fogo colapsou, na sequência de combates em torno do estreito, levando a 11 dias consecutivos de bombardeamentos contra a república islâmica.
O Irão retaliou disparando contra instalações militares norte-americanas no Golfo.
As forças armadas da Jordânia informaram que intercetaram, na quarta-feira, quatro mísseis iranianos sobre Aqaba, enquanto outros dois caíram em "zonas desabitadas".
Em vídeos filmados por habitantes da vizinha cidade israelita de Eilat podiam ver-se colunas de fumo no céu. A Jordânia afirmou ter intercetado igualmente quatro drones iranianos.
O Irão tem evitado atacar Israel desde a retoma das hostilidades no mês passado, aparentemente na esperança de impedir que o país volte a entrar na guerra.
Mas o ataque a Aqaba, visível a partir de Eilat, em Israel, aumentou os receios de um novo alargamento do conflito, depois do colapso do acordo para pôr fim às hostilidades.
Outra sirene de alerta de míssil soou no Bahrein, e a Arábia Saudita aconselhou os residentes da cidade de Dammam, no Golfo Pérsico, a procurarem abrigo. Mais tarde, as autoridades sauditas indicaram que o perigo tinha passado, sem avançar pormenores.
A agência noticiosa estatal iraniana IRNA relatou explosões em várias províncias. O Ministério da Saúde iraniano afirma que os ataques norte-americanos dos últimos 11 dias provocaram 53 mortos, entre os quais seis mulheres e três crianças, e feriram quase 600 pessoas.
Os Guardas da Revolução iranianos (IRGC) insistiram que os ataques de retaliação vão continuar.
As forças armadas dos EUA informaram que a cerimónia de trasladação solene desta quarta-feira na Base Aérea de Dover, no Delaware, se destinou a dois militares mortos num ataque iraniano contra uma base na Jordânia e a um militar morto durante a detonação controlada de um drone no Iraque.
Um terceiro militar continua desaparecido após o ataque na Jordânia.
Trump prometeu vingar "muitas vezes" a morte de todos os militares norte-americanos e tem intensificado as ameaças de atingir infraestruturas civis. O número total de mortos dos Estados Unidos desde o início da guerra é agora de 18.
Na terça-feira, o presidente norte-americano reiterou também as ameaças de atacar aquilo que descreve como um complexo nuclear secreto iraniano, designado Pickaxe Mountain. Teerão nega a existência de qualquer instalação no local, que denomina monte Kolang.